2013-04-25

Vou fazendo do caminho a sandália, do dia a veste, do sonho cajado.
Vou caminhando ainda que sem rumo, não por perdido, mas por achado, de acha, quem se muda para ouvir a liberdade.
Quantos de nós livres, mas não libertos?
Na estrada que se escala, cala quem nunca consentiu, alimentar um sistema que nos dá vida, mas nos quer moribundos, soturnos, agachados de medo atrás do estabelecido, com pavor imediato de erguer, ver o dia nascer e sentir que um dia de cada vez é, sim, a receita que deus fez.
Aprisionados e ultrajados ralenteiam quem se sobra ao fim de um dia para ser mais que si mesmo, algures outrem, porque sermos um é sermos mais do que somos e, talvez, quando o formos sejamos então livres, sem socialmente seguro, olhando os lírios no campo ou os pássaros no céu, fazendo de cada dia a poupança no que assenta ao cair da noite logo até o molhar do orvalho.
Hás-de caminhar, em ti e numa paisagem, para que se mostre ao fim da vida o continuar da tua jornada, sem caminho porque irás descalço, sem veste porque serás o dia e sem cajado, porque o sonho nasce do adormecer.

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