2007-12-08

Dentro de mim

Dentro de mim habita nevoeiro,
denso e delgado
como uma garra eremita,
que prende na timidez da noite
a leve fuligem
de um braseiro.

Dentro de mim estou, eu,
escondido
num cortinado incolor
com paletas de sons,
numa pauta
de notas coloridas
que iludem a dor
e me silenciam as mãos.

Dentro de mim sorrio,
nadam os soturnos
e os vagos,
os fúteis
e os tragos,
num invólucro sem som,
com sombras
que beijam o papel que me cobre,
nos dias em que
dentro de mim choro.

4 comentários:

Carol Barcellos disse...

Miguel, que lindo!!!
Olha..... eu entendo bem essa "incoloridade", esse nevoeiro, esse silêncio, esse choro interior...sei exatamente como é. Vc me fez lembrar do meu "Bosque de névoas". Depois dá uma olhada, é mais ou menos esse mesmo estado de espírito.

Amei seu texto!!! Ainda mais escrito por um homem, um texto assim, com ares de Pablo Neruda, tem um toque todo especial.

Um beijo, e um ultra-mega-plus fim de semana!!! :0> :0> :0>

Silvia Madureira disse...

Dentro de ti existe o teu mundo. O mundo que deixas chegar até nós pelas tuas palavras...um mundo que transparece muita sensibilidade em cada palavra...em cada palavra estás tu...tu és cada palavra.

beijo

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Lindo, mágico.

Dentro de ti existe uma sensibilidade rara e um dom que ainda te trarão muita felicidade.

Um beijo e um bom dia

IsaMar disse...

dentro de ti deambulam muitos sons e vagas. Dentro de mim, deambulam sombras e mais sombras, transformadas em nevoeiros espessos.