2009-06-09
2009-06-04
Esc. Sec. Penafiel
A oportunidade surgiu, mais uma vez... E foi... Foi muito, mas mesmo muito bom... Depois de assimilar tudo bem assimilado, irei escrever mais por aqui.
No dia 1 de Junho, no auditório da Escola Secundária de Penafiel, no âmbito do Plano Nacional de Leitura, e integrado no estudo do texto poético, os alunos do 7º ano e respectivas professoras de Língua Portuguesa participaram na actividade “Encontro com os poetas José Miguel Gomes e Maria Moura”.
Na referida actividade houve momentos de leitura expressiva, música, conversa e a habitual sessão de autógrafos. No final do encontro, o entusiasmo e a gratificação eram visíveis em todos os intervenientes.
No dia 1 de Junho, no auditório da Escola Secundária de Penafiel, no âmbito do Plano Nacional de Leitura, e integrado no estudo do texto poético, os alunos do 7º ano e respectivas professoras de Língua Portuguesa participaram na actividade “Encontro com os poetas José Miguel Gomes e Maria Moura”.
Na referida actividade houve momentos de leitura expressiva, música, conversa e a habitual sessão de autógrafos. No final do encontro, o entusiasmo e a gratificação eram visíveis em todos os intervenientes.
2009-05-24
2009-05-07
Saúdo a saudade que se ausenta
quando se reencontram
olhares nas mãos
da animosidade ternurenta.
Do teu silêncio
recordo apenas a ausência do teu choro inacabado,
cercando-te a matilha
e o tempo atiçado,
há lá sítio para fugir!
Além das palavras
e das cicatrizes
soçobram esteios outrora firmes
e na paisagem
abandonada
uns quantos
oscilantes
solúveis vimes...
quando se reencontram
olhares nas mãos
da animosidade ternurenta.
Do teu silêncio
recordo apenas a ausência do teu choro inacabado,
cercando-te a matilha
e o tempo atiçado,
há lá sítio para fugir!
Além das palavras
e das cicatrizes
soçobram esteios outrora firmes
e na paisagem
abandonada
uns quantos
oscilantes
solúveis vimes...
2009-04-24
Sonata desconexa (part 3 of 1)
Escrevi e apaguei o que tinha escrito três vezes, antes de começar a escrever agora, pela quarta vez, prometendo a mim mesmo que não vou apagar isto. Hum, complicado. Hum, vai ficar... Dou um passo e volto atrás. Os poemas saem apenas em forma de música que apenas eu escuto, falta-me transformar as palavras em letras, para que as possa tactear com o olhar. Fruto dos tempos, eu, árvore, dou sementes secas que não sei colher. Coisas, dizem uns, coisas digo eu.
Mantenho a cabeça à tona da água, enquanto este percurso não me leva para outras águas. Esqueço por vezes que tenho corpo cujas mãos precisam tactear o caminho, chego ao destino onde ainda não estou... Coisas de estar de alma, mas ainda não de corpo...
Tenho que semicerrar os olhos para ler o que escrevo, quase como se toda a claridade, por muito ínfima que seja, me ferisse o pensamento.
Prometi que não apagava et voilá, não apaguei (mas custou).
Mantenho a cabeça à tona da água, enquanto este percurso não me leva para outras águas. Esqueço por vezes que tenho corpo cujas mãos precisam tactear o caminho, chego ao destino onde ainda não estou... Coisas de estar de alma, mas ainda não de corpo...
Tenho que semicerrar os olhos para ler o que escrevo, quase como se toda a claridade, por muito ínfima que seja, me ferisse o pensamento.
Prometi que não apagava et voilá, não apaguei (mas custou).
2009-04-23
2009-03-23
Serenata ao olhar teu.
Sabes que o olhar não é meu, nem o som dos dias que passas longe de ti e perto de mim.
Sabes que o olhar não é meu, nem o braço que te agarrou à vida com a esperança da força de um sorriso, nem a tua presença cativa sem face outrora, conhecendo-a hoje em mim, sei-te aqui no peito, num infinito condensado numa hora.
Sabes que o olhar não é meu, porque de mim os olhos são apenas o verde que reflecti dos prados onde sonhei encontrar-te, gemo com o ondular vagaroso e vago do tempo nas cearas, como se colher-te fosse tirar de mim mesmo a seiva, queimar o restolho que é o fim do dia ausente, desfalecer na vida para renascer em todas as paisagens que te vivam.
Sabes que o olhar não é meu... Sou do tempo que viveste, guardando em mim rastos da tua presença, confundo o meu olhar com o teu respirar, para respirar com o ligeiro esgar que te sorri.
Sabes que o olhar não é meu, porque sou teu.
Sabes que o olhar não é meu, nem o braço que te agarrou à vida com a esperança da força de um sorriso, nem a tua presença cativa sem face outrora, conhecendo-a hoje em mim, sei-te aqui no peito, num infinito condensado numa hora.
Sabes que o olhar não é meu, porque de mim os olhos são apenas o verde que reflecti dos prados onde sonhei encontrar-te, gemo com o ondular vagaroso e vago do tempo nas cearas, como se colher-te fosse tirar de mim mesmo a seiva, queimar o restolho que é o fim do dia ausente, desfalecer na vida para renascer em todas as paisagens que te vivam.
Sabes que o olhar não é meu... Sou do tempo que viveste, guardando em mim rastos da tua presença, confundo o meu olhar com o teu respirar, para respirar com o ligeiro esgar que te sorri.
Sabes que o olhar não é meu, porque sou teu.
Perante a morte alheia
Vejo-te na morte o corpo que sustem a recordação do que os olhos já não vêm. Pairando ainda no vazio que te preenche, soltas um grito que ouve o eco de quem te chora... Se te soubessem nuvem, serias céu e horizonte, ar que se traga pelos ventos passados, na ânsia de um futuro que te chega precoce, a fluidez dos dias nas noites que sucumbiram.
Vejo-te na morte a alma, o sopro indivisível de cabelos que não ondulam, a cadência desmedida de um percurso inadiável, os ombros fortes de suster o mundo, as lágrimas que choram o cegar nublando o sorriso de te saber distante, longe, na esteira de uma estrela cadente.
Vejo-te na morte a alma, o sopro indivisível de cabelos que não ondulam, a cadência desmedida de um percurso inadiável, os ombros fortes de suster o mundo, as lágrimas que choram o cegar nublando o sorriso de te saber distante, longe, na esteira de uma estrela cadente.
2009-03-19
Nascem-te pétalas onde chorou o tempo, assim são as flores do meu jardim, intemporais à Primavera para adormecerem para sempre no estio.
Os teus olhos são da cor do meu olhar e preenchem os espaços que nunca explorei.
Sacia-me a fome a sede que o calor vai beber às raízes do meu escrever.
Faço-o sem mim, rodeado pelas tuas pétalas ausculto os sentidos ainda antes de os sentires, para ouvir reverberar o eco que vejo no silêncio do teu cinzento.
Amanhecem-te os dias ocultos quando te ressoam os passos órfãos de caminhos.
Quantas direcções em sentidos distintos?
A impenetrável barreira da tua solidão contrasta com o ressurgimento do ocaso.
Saberás por acaso quantas portas tem a noite?
Os teus olhos são da cor do meu olhar e preenchem os espaços que nunca explorei.
Sacia-me a fome a sede que o calor vai beber às raízes do meu escrever.
Faço-o sem mim, rodeado pelas tuas pétalas ausculto os sentidos ainda antes de os sentires, para ouvir reverberar o eco que vejo no silêncio do teu cinzento.
Amanhecem-te os dias ocultos quando te ressoam os passos órfãos de caminhos.
Quantas direcções em sentidos distintos?
A impenetrável barreira da tua solidão contrasta com o ressurgimento do ocaso.
Saberás por acaso quantas portas tem a noite?
2009-03-13
Cubro os momentos daquilo que sou e parto para o imaginário que te habita.
Tenho mãos e sonhos com os quais tacteio o chão que flutua sob mim.
Não sou mais, nem menos, sou apenas um abraço e um olhar, um pequeno suspiro que anseia ser vento, uma tempestade que anseia um chão, um sorrir que anseia mãos e sonhos que o tacteiem.
Tenho e sou umas quantas rimas que se escondem nas rugas do caminho. Escrevo como se os meus dias fossem brisas num solo seco e árido na fertilidade de uma carícia.
Adormeço mil vezes, para mil vezes acordar do lado de lá da cortina e ver-me dormir, para me encontrar onde se perde a realidade, para retomar quando a noite termina com o que sou.
Adormeço mil vezes, para mil vezes abraçar a vida e saber que ela, a vida, é parte de mim em ti... E a tua parte é o todo que sustenta o céu...
Tenho mãos e sonhos com os quais tacteio o chão que flutua sob mim.
Não sou mais, nem menos, sou apenas um abraço e um olhar, um pequeno suspiro que anseia ser vento, uma tempestade que anseia um chão, um sorrir que anseia mãos e sonhos que o tacteiem.
Tenho e sou umas quantas rimas que se escondem nas rugas do caminho. Escrevo como se os meus dias fossem brisas num solo seco e árido na fertilidade de uma carícia.
Adormeço mil vezes, para mil vezes acordar do lado de lá da cortina e ver-me dormir, para me encontrar onde se perde a realidade, para retomar quando a noite termina com o que sou.
Adormeço mil vezes, para mil vezes abraçar a vida e saber que ela, a vida, é parte de mim em ti... E a tua parte é o todo que sustenta o céu...
2009-03-08
Cego aos poucos a capacidade de te olhar.
O Sol que me entra pela escuridão do destino supera-se ao brilho que a tua Lua me traz à alma. Sei lá se é noite ou dia o momento em que os braços se rompem num abraço jamais saboreado! Ouço o silêncio que soluçou na tua silhueta, haverá voz para os que escrevem sem caneta?Sou aos poucos mais vagabundo e menos sombra, ilumina-me por momentos com aquilo que te ofusca, aquece-me as mãos com que seguro a minha vida, porque tenho medo de abrir os olhos e tu seres um vulto reflectido nas paredes da minha alma.
O Sol que me entra pela escuridão do destino supera-se ao brilho que a tua Lua me traz à alma. Sei lá se é noite ou dia o momento em que os braços se rompem num abraço jamais saboreado! Ouço o silêncio que soluçou na tua silhueta, haverá voz para os que escrevem sem caneta?Sou aos poucos mais vagabundo e menos sombra, ilumina-me por momentos com aquilo que te ofusca, aquece-me as mãos com que seguro a minha vida, porque tenho medo de abrir os olhos e tu seres um vulto reflectido nas paredes da minha alma.
2009-03-06
Pensei que dias sólidos em mim seriam intemporais, mas não, as tardes escorrem languidamente no meu regaço, entranham-se naquilo que penso serem os hiatos entre os meus sonhos, grudam migalhas de tempo no que tinha como infinito.
Esqueço-me das mãos, das minhas, tacteio-as na esperança de me terem algures, entre os pós que se soltam do trabalho, escondendo os que me caíram das estrelas...
Bate-me no peito uma angústia alegre, um pouco de fachada escorada, um cheiro de madeira velha, queimada, como são todas as madeiras que sustentam a vida com o mundo a tiracolo.
Tento não esmorecer, trazer um pigarrear respirado, deixar-me ocultar pelos tempos que sei não existirem.
Escondo-me atrás deste invólucro que me cresce desde que nasci...
Há dias em que ter corpo vale uma tarde chuvosa, nos dias em que os meus olhos, cansados, perscrutam além do que vejo e é lá, atrás do que tenho, que me encontro.
E, agora, vou procurar-me...
Esqueço-me das mãos, das minhas, tacteio-as na esperança de me terem algures, entre os pós que se soltam do trabalho, escondendo os que me caíram das estrelas...
Bate-me no peito uma angústia alegre, um pouco de fachada escorada, um cheiro de madeira velha, queimada, como são todas as madeiras que sustentam a vida com o mundo a tiracolo.
Tento não esmorecer, trazer um pigarrear respirado, deixar-me ocultar pelos tempos que sei não existirem.
Escondo-me atrás deste invólucro que me cresce desde que nasci...
Há dias em que ter corpo vale uma tarde chuvosa, nos dias em que os meus olhos, cansados, perscrutam além do que vejo e é lá, atrás do que tenho, que me encontro.
E, agora, vou procurar-me...
Tudo impecavelmente arrumado, odores e sabores dispostos nos escaparates do que sou, um ou outro olhar pousado ao canto do que cada um é.
Olhas-me e perguntas, onde vais?
Volto-me, olho-te e digo, estou a chegar.
Frequentemente é assim, ter as malas prontas não para partir, mas para chegar.
O meu destino sou eu mesmo, percorro o mundo ainda antes de sentir o apelo de partida, cruzava estrelas ainda antes de serem centelhas e será daí, desses momentos, quando o meu olhar se confundia com teu, que olho e vejo-me, reflectido, atrás de todo o horizonte que retens, não no olhar, mas na própria centelha que esmaece em ti, para nascer estrela, em mim...
Olhas-me e perguntas, onde vais?
Volto-me, olho-te e digo, estou a chegar.
Frequentemente é assim, ter as malas prontas não para partir, mas para chegar.
O meu destino sou eu mesmo, percorro o mundo ainda antes de sentir o apelo de partida, cruzava estrelas ainda antes de serem centelhas e será daí, desses momentos, quando o meu olhar se confundia com teu, que olho e vejo-me, reflectido, atrás de todo o horizonte que retens, não no olhar, mas na própria centelha que esmaece em ti, para nascer estrela, em mim...
2009-03-03
O comboio e o olhar permaneciam ligados pelo vento. Nada une mais dois objectos que o vento. O olhar aproxima, constrói, convida e toca. O comboio leva o olhar, no olhar e ao olhar de outras paragens, transporta consigo o olhar sem ter olhar próprio. Mas o vento, o vento é o único que consegue fazer o olhar transportar o comboio, sem carris, sem rede, apenas com um olhar fugidio cujas agulhas o carril nunca tricotou. Se ao menos o vapor...
2009-03-01
Vou contando horas desde que conheço o tempo. Por vezes, nada mais tenho a fazer que contar, confiante nos números que se seguem, convicto até nas imensas fracções que me vão subtraindo.
Cansei-me de escrever sobre olhares, o recôndito de cada um de nós onde encontramos quem somos e de quem seremos.
Os dias vão-se sucedendo, contando ou não as horas. Este comboio vai chuchugando a vapor, a paisagem é conhecida e mesmo assim o comboio avança a medo.
Tenho fé que na curva seguinte apareça o meu apeadeiro...
(um intervalo de algumas horas)
Venho até aqui num movimento de esperança, sim, pode ser que esta seja a noite em que vou dormir... Já passaram quase duas semanas e o meu padrão de sono não se altera, continuo a dormir pouco, mal, em períodos curtos de tempo e o meu humor começa a escapar-me.
Até já...
Cansei-me de escrever sobre olhares, o recôndito de cada um de nós onde encontramos quem somos e de quem seremos.
Os dias vão-se sucedendo, contando ou não as horas. Este comboio vai chuchugando a vapor, a paisagem é conhecida e mesmo assim o comboio avança a medo.
Tenho fé que na curva seguinte apareça o meu apeadeiro...
(um intervalo de algumas horas)
Venho até aqui num movimento de esperança, sim, pode ser que esta seja a noite em que vou dormir... Já passaram quase duas semanas e o meu padrão de sono não se altera, continuo a dormir pouco, mal, em períodos curtos de tempo e o meu humor começa a escapar-me.
Até já...
2009-02-25
Quatro quadras
na canção dos teus olhos,
no som de um sorriso
ou alvura
que são os tempos
onde te vi
viver...
Leva-te a brandura
e o dançar
das cordas que a minha guitarra sonha,
o ambiente cuidadoso
que as estrelas
saboreiam,
o toque quente de uma mão
e a profundidade
amena
da tua imaginação,
traz-me o futuro no teu regaço,
no sonhos encontrados
que são as imaginárias realidades
de contornos sonhados...
Uma vez apenas,
sim, uma vez,
no término de um ciclo incompleto,
dá-me a valsa que me dançou
e a noite
cuja mão saboreou...
na canção dos teus olhos,
no som de um sorriso
ou alvura
que são os tempos
onde te vi
viver...
Leva-te a brandura
e o dançar
das cordas que a minha guitarra sonha,
o ambiente cuidadoso
que as estrelas
saboreiam,
o toque quente de uma mão
e a profundidade
amena
da tua imaginação,
traz-me o futuro no teu regaço,
no sonhos encontrados
que são as imaginárias realidades
de contornos sonhados...
Uma vez apenas,
sim, uma vez,
no término de um ciclo incompleto,
dá-me a valsa que me dançou
e a noite
cuja mão saboreou...
2009-02-15
Bom final de fim-de-semana. Nada que não se deseje, no entanto, vamos primar pela originalidade! Desejar um bom ano tem sempre um estímulo, para quem deseja (na ânsia de ouvir o mesmo do outro lado) e para quem recebe, por isso, eis o meu desejo, para ti, na ânsia de ouvir o mesmo, aqui fica: bom final de fim-de-semana!
Começo a retomar a escrita e alguns dos sonhos afloram, ainda que durante o dia. Circulava hoje de carro e surge a voz do costume, sussurrando umas letras, uma frase que tinha que converter em poema... Parei o carro, o caderno ia já aberto, de sobreaviso, não tive tempo sequer de abrir a porta, quando as palavras chegam assim, fazem-no com um misto de misticismo e física quântica, não são onda, nem são partícula, são uma espécie de materialização de pigmentos, na retina e no papel.
O avançado da hora e o desejo de dormir umas boas horas para enfrentar o amanhã, fazem com que fique por aqui, fisicamente, porque mentalmente, tu sabes, estou aqui a ver-te e a tentar que com a mesma tenacidade que os sonhos não desistem de mim, tu também não desistas de seres quem és...
Começo a retomar a escrita e alguns dos sonhos afloram, ainda que durante o dia. Circulava hoje de carro e surge a voz do costume, sussurrando umas letras, uma frase que tinha que converter em poema... Parei o carro, o caderno ia já aberto, de sobreaviso, não tive tempo sequer de abrir a porta, quando as palavras chegam assim, fazem-no com um misto de misticismo e física quântica, não são onda, nem são partícula, são uma espécie de materialização de pigmentos, na retina e no papel.
O avançado da hora e o desejo de dormir umas boas horas para enfrentar o amanhã, fazem com que fique por aqui, fisicamente, porque mentalmente, tu sabes, estou aqui a ver-te e a tentar que com a mesma tenacidade que os sonhos não desistem de mim, tu também não desistas de seres quem és...
2009-02-12
2009-02-04
2009-01-29
Dos desejos
anseio os que ainda não possuo,
o aguardar tumultuoso
pelos dias
que irão banhar os rios
das minhas
utopias.
Chove lá fora,
como pétalas de uma flor não germinada,
queimando tempos e etapas
e quadros rústicos
de quem se atrasa na demora.
Aguardo a espera,
vivo no presente os quotidianos
futuros,
soçobrando prematuramente
antes as fiadas invisíveis
que constroem meus moinhos, muros...
Que da vida se esqueçam meu nome,
um cravo e ferradura
e sonho, um pronome.
Quando acordar o desperto
e sorrir-me o desejo,
serei já do leito, feno e forquilha
sepultado num só beijo...
anseio os que ainda não possuo,
o aguardar tumultuoso
pelos dias
que irão banhar os rios
das minhas
utopias.
Chove lá fora,
como pétalas de uma flor não germinada,
queimando tempos e etapas
e quadros rústicos
de quem se atrasa na demora.
Aguardo a espera,
vivo no presente os quotidianos
futuros,
soçobrando prematuramente
antes as fiadas invisíveis
que constroem meus moinhos, muros...
Que da vida se esqueçam meu nome,
um cravo e ferradura
e sonho, um pronome.
Quando acordar o desperto
e sorrir-me o desejo,
serei já do leito, feno e forquilha
sepultado num só beijo...
2009-01-23
Sei-te minha, noite,
no interregno da madrugada
onde uiva a neve,
no afável sorriso
gasto
pelos sonhos que esvoaçam
a quem nada pede.
O cansaço
e a ironia,
a ténue fachada urbanística
que são as dedilhadas
rugas
de um abraço.
Sigo trilhos e caminhos
por onde urdi
no futuro,
entre fugazes
e eternos que teci
pernoitam,
algures do lado de lá do (meu) muro.
(ps.: este sim, deu-me prazer escrever...)
no interregno da madrugada
onde uiva a neve,
no afável sorriso
gasto
pelos sonhos que esvoaçam
a quem nada pede.
O cansaço
e a ironia,
a ténue fachada urbanística
que são as dedilhadas
rugas
de um abraço.
Sigo trilhos e caminhos
por onde urdi
no futuro,
entre fugazes
e eternos que teci
pernoitam,
algures do lado de lá do (meu) muro.
(ps.: este sim, deu-me prazer escrever...)
2009-01-21
Vi ontem, na televisão, por terras de meu coração (Alvão), um pastor, cara voltada ao chão, a timidez de se ser grande, respondendo à pergunta da jornalista ("E isto causa-lhe prejuízo?") com "É ao gado, que não tem que comer"...
Eu sou daquilo, de pastos que crescem, mesmo com a neve.
Voto à pobreza
a minha sobriedade,
casto o pasto
em que te deitas
na dureza
da tua idade.
Vento o ar e o trombar
e as cruchas
ébrias
de saudade,
faço-te de mim eu
para que não pare o tempo
em qualquer estrela
que nasceu...
Ah, como te subjugo,
à vontade e vaidade
de rodar
sobre o vácuo!
Que de minhas mãos pende um jugo
e dos olhos algo,
nuns temperam a vida,
em mim saboreiam
as pequenas covas
do teu pranto.
Estou pronto!
Eu sou daquilo, de pastos que crescem, mesmo com a neve.
Voto à pobreza
a minha sobriedade,
casto o pasto
em que te deitas
na dureza
da tua idade.
Vento o ar e o trombar
e as cruchas
ébrias
de saudade,
faço-te de mim eu
para que não pare o tempo
em qualquer estrela
que nasceu...
Ah, como te subjugo,
à vontade e vaidade
de rodar
sobre o vácuo!
Que de minhas mãos pende um jugo
e dos olhos algo,
nuns temperam a vida,
em mim saboreiam
as pequenas covas
do teu pranto.
Estou pronto!
2009-01-19
2009-01-15
Tinha algo especial para deixar aqui...
Não é bem especial, era apenas um aglomerado de histórias e estórias que queriam nascer...
Sinto as contracções na alma, sinal que querem sair, mas, paciência, o adiantado da hora (para quem tem que se levantar cedo amanhã) e o facto de só voltar aqui domingo (sábado também vou ter que trabalhar) só me permite desejar-te um bom fim-de-semana, o parto virá depois, talvez em forma de olhares adormecidos nos montes de Valpaços e Chaves
Sei que passas aqui, sinto-o, lês, por vezes comentas e é por isso que agradeço...
Fica bem e até breve.
Não é bem especial, era apenas um aglomerado de histórias e estórias que queriam nascer...
Sinto as contracções na alma, sinal que querem sair, mas, paciência, o adiantado da hora (para quem tem que se levantar cedo amanhã) e o facto de só voltar aqui domingo (sábado também vou ter que trabalhar) só me permite desejar-te um bom fim-de-semana, o parto virá depois, talvez em forma de olhares adormecidos nos montes de Valpaços e Chaves
Sei que passas aqui, sinto-o, lês, por vezes comentas e é por isso que agradeço...
Fica bem e até breve.
Canto inebriado a sobriedade da vida,
ondulo como o vazio
repleto de vozes caladas
que cegam meu escrever.
Rotundo o sentido
desnivelado
e a vapor,
claqueando palavras na perceptível noite
para que se inicie
o espectáculo,
degredo vazio
ao público atento
e hirto.
A vida cala-me o sorriso
e eu sorrio à socapa
no esconderijo da tua madrugada,
sou-te do telhado
um Zé
e tu,
acesa,
a clave de Sol
que me conduz em Ré...
ondulo como o vazio
repleto de vozes caladas
que cegam meu escrever.
Rotundo o sentido
desnivelado
e a vapor,
claqueando palavras na perceptível noite
para que se inicie
o espectáculo,
degredo vazio
ao público atento
e hirto.
A vida cala-me o sorriso
e eu sorrio à socapa
no esconderijo da tua madrugada,
sou-te do telhado
um Zé
e tu,
acesa,
a clave de Sol
que me conduz em Ré...
2009-01-13
Terias olhos de criança
e eu asas de cedro,
mudas
de escutar
espectros raiadas de um Sol,
esgotadas
e verdejantes
da neve que corre correndo,
enquanto outros vivem
morrendo.
Quadras de versos
e rimas orfãs de mim,
que sou poema
nocturno,
de tacteados sonhos acesos.
Acorda-te em mim,
que adormeço sem te ver,
palpebreando o ardor
e expondo a cru,
o gesto nu
de ser carícia,
a humilhar o azedo meu
chamando-lhe delícia.
e eu asas de cedro,
mudas
de escutar
espectros raiadas de um Sol,
esgotadas
e verdejantes
da neve que corre correndo,
enquanto outros vivem
morrendo.
Quadras de versos
e rimas orfãs de mim,
que sou poema
nocturno,
de tacteados sonhos acesos.
Acorda-te em mim,
que adormeço sem te ver,
palpebreando o ardor
e expondo a cru,
o gesto nu
de ser carícia,
a humilhar o azedo meu
chamando-lhe delícia.
2009-01-05
Recantos
Ouço pelo enésima vez o tema "Stand by me" do projecto "Playing for change". Convenci-me que iria escrever hoje e, para acompanhar o ritmo bater dos dedos nas teclas, youtubei a música e fiquei a ouvir... Depois reparei que o GrandPa Elliot tem uma meia de cada cor e, lá ouvi novamente. Depois fui ver se os índios que tocam tambor fazem-no com alguma espécie de pena... E assim sucessivamente até perceber que é quase meia-noite, o sono aguarda-me encostado à ombreira, ansioso por se encontrar com os sonhos da Ana que, a esta hora, vai já saltando de estrela em estrela.
O "mal" de não me permitir escrever com outra cadência, a não ser as palavras que vão cardindo de quando em vez os pixels cinzentos da minha memória, leva a que todos os episódios gravados na alma se acotovelem para sair.
Este nao não fiz qualquer resolução de ano novo, limitei-me a comer as uvas-passas de uma só vez, a beberricar um pouco de champanhe (sem conseguir evitar o esgar de asco que só eu faço quando bebo champanhe), caminhar tacteando o escuro para subir o pequeno morro e ver, ainda com a mesma magia de criança, as ambulâncias a percorrem a rua, com os pirilampos e sirenes ligados... Depois, depois o caminho de poucas centenas de metros até casa dos pais da Ana, para assegurar que todos entraram com pelo menos um pé direito em 2009, mais umas dentadas no bolo-rei, cumprimentar vizinhos e sorrir baixinho, entre mim e as estrelas e alguns que se escondem atrás delas.
Pergunto-me onde está o ano que passou, sinto-me muitas vezes como se hoje vivesse os dias de ontem e amanhã, confortando-me estes three little birds que me respondem.
Tenho as mãos cheias de sonhos, "coisas" avulsas que me nascem há anos, ambições desambicionadas, um sentimento de união, de amizade fraterna, de amor com A, entre todos.
Guardo ainda em mim os sabores de semanas por terras de Chaves, Boticas, Montalegre, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, de pés na neve e a cabeça (oh amigo, quer um barrete?) fria no calor das lareiras que vejo em qualquer recanto vazio... E é para lá que vou agora.
O "mal" de não me permitir escrever com outra cadência, a não ser as palavras que vão cardindo de quando em vez os pixels cinzentos da minha memória, leva a que todos os episódios gravados na alma se acotovelem para sair.
Este nao não fiz qualquer resolução de ano novo, limitei-me a comer as uvas-passas de uma só vez, a beberricar um pouco de champanhe (sem conseguir evitar o esgar de asco que só eu faço quando bebo champanhe), caminhar tacteando o escuro para subir o pequeno morro e ver, ainda com a mesma magia de criança, as ambulâncias a percorrem a rua, com os pirilampos e sirenes ligados... Depois, depois o caminho de poucas centenas de metros até casa dos pais da Ana, para assegurar que todos entraram com pelo menos um pé direito em 2009, mais umas dentadas no bolo-rei, cumprimentar vizinhos e sorrir baixinho, entre mim e as estrelas e alguns que se escondem atrás delas.
Pergunto-me onde está o ano que passou, sinto-me muitas vezes como se hoje vivesse os dias de ontem e amanhã, confortando-me estes three little birds que me respondem.
Tenho as mãos cheias de sonhos, "coisas" avulsas que me nascem há anos, ambições desambicionadas, um sentimento de união, de amizade fraterna, de amor com A, entre todos.
Guardo ainda em mim os sabores de semanas por terras de Chaves, Boticas, Montalegre, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, de pés na neve e a cabeça (oh amigo, quer um barrete?) fria no calor das lareiras que vejo em qualquer recanto vazio... E é para lá que vou agora.
2009-01-01
Paz... Tu, a Paz, em mim, em todos.
Recebi esta jóia, que me emocionou, porque estamos todos acima de crises e conflitos, se quisermos, sermos, Ser a paz, a Paz, em mim, em todos... Estou de volta.
2008-12-22
Para ti, o Natal
2008-12-19
2008-12-10
Está frio. Chaves nunca foi quente, mas agora que estou cá por uns dias parece ser mais fria. Vou deslizar para debaixo dos cobertores e deixar que, quase sonâmbulo, as mãos que ainda me valem tentem desenhar as telas que me viram.
Eu volto, sei que sim, mas até lá o que vês aqui é isto, mãos com frio e palavras sozinhas.
Eu volto, sei que sim, mas até lá o que vês aqui é isto, mãos com frio e palavras sozinhas.
2008-12-01
Venho aqui de passagem, lembrei-me que poderias sentir frio, de facto está bastante frio... Tenho-te deixado sozinho, as próprias letras estranham, mas, olha, não tem dado, não tenho tido tempo... Ultimamente o tempo parece-me ser de outro tempo que não o tempo que conheço, foge-me das mãos, esgueira-se por locais onde não o posso seguir... Estou em Chaves, novamente, toda a semana... A ver vamos, se o tempo me deixa escrever um pouco, na cama, à noite, no caderno, aqui, em qualquer lado, sozinho e frio.
Eu volto.
Eu volto.
2008-11-20
Polvilho as sementes do amanhecer,
há carinhos que nos nascem pelos olhos
e germinam na ausência
do anoitecer.
Há quadros e mesas e aparas de carácteres
no repouso de um guerreiro
e na vitória de um aguaceiro,
no simples gesto do vulto na face
que a outra face ocultou,
há lugares de mim mesmo
onde vive quem sou...
há carinhos que nos nascem pelos olhos
e germinam na ausência
do anoitecer.
Há quadros e mesas e aparas de carácteres
no repouso de um guerreiro
e na vitória de um aguaceiro,
no simples gesto do vulto na face
que a outra face ocultou,
há lugares de mim mesmo
onde vive quem sou...
2008-11-13
Guardo o olhar que choveste,
deixo as nuvens florirem
nos pastos faustos do destino,
tacteio mãos e escuridões
em busca de um dorso
com outras mãos.
Curvam-se as curvas da estrada
e as margens
que me separam da madrugada.
Empobrece-me o nada
à sombra e resguardo da minha alçada,
no noctívago sentimento
de aguardar,
à candeia ténue da Lua,
o suspiro inaudível
da vida no meu peito
a ancorar...
deixo as nuvens florirem
nos pastos faustos do destino,
tacteio mãos e escuridões
em busca de um dorso
com outras mãos.
Curvam-se as curvas da estrada
e as margens
que me separam da madrugada.
Empobrece-me o nada
à sombra e resguardo da minha alçada,
no noctívago sentimento
de aguardar,
à candeia ténue da Lua,
o suspiro inaudível
da vida no meu peito
a ancorar...
2008-11-04
Trovoou-me o silêncio
no caos tumultuoso
de gentes irreais,
percorreu-me a calçada
e ondulou
nos semáforos que o destino teima
encarnar.
Nos espelhos que me miram
e olhos incendiados
de quem uma gota tenta sorver,
as feições esculpidas na memória
ainda antes de se terem por presente
eram já passado.
Na ponte que une as margens
do que sou aqui
(e agora)
correm as águas que não chovem,
mas nascem nuvens
no meu céu...
no caos tumultuoso
de gentes irreais,
percorreu-me a calçada
e ondulou
nos semáforos que o destino teima
encarnar.
Nos espelhos que me miram
e olhos incendiados
de quem uma gota tenta sorver,
as feições esculpidas na memória
ainda antes de se terem por presente
eram já passado.
Na ponte que une as margens
do que sou aqui
(e agora)
correm as águas que não chovem,
mas nascem nuvens
no meu céu...
2008-10-31
Fall
Uma estrada sem nome,
sozinha,
vagabundeanda por folhas de plátanos que já não crescem,
percorre-me na viagem que o vento uiva
e nas curvas cegas do olhar,
saboreia o ardor e o temor
de uns passos feridos,
serpenteia entre a chuva
e a felicidade
dos idos.
Ausculto o pulso aos olhares
de gente que não vê,
faço minhas tuas mãos
para tactear no escuro uma luz esquiva,
arfante por um punhado de terra
húmida e viva...
Encerro capítulos de livros
e orvalhos,
sou sombra com sombra de plátano
numa cama fria de Outono.
Rio sozinho no final do meu reinado
aqui,
num sonho sem dono...
sozinha,
vagabundeanda por folhas de plátanos que já não crescem,
percorre-me na viagem que o vento uiva
e nas curvas cegas do olhar,
saboreia o ardor e o temor
de uns passos feridos,
serpenteia entre a chuva
e a felicidade
dos idos.
Ausculto o pulso aos olhares
de gente que não vê,
faço minhas tuas mãos
para tactear no escuro uma luz esquiva,
arfante por um punhado de terra
húmida e viva...
Encerro capítulos de livros
e orvalhos,
sou sombra com sombra de plátano
numa cama fria de Outono.
Rio sozinho no final do meu reinado
aqui,
num sonho sem dono...
2008-10-28
Quero
Quero os silêncios malhados
e forjados
nas costas do destino,
quero a palma dos teus rios bravios
e o leito de desfiladeiros
onde desaguam
secos.
Quero o esquecimento dos dias
e das sombras das noites,
nos sinos que por ninguém dobram
o som aguado
da morte das mãos
e das foices.
Quero a chuva,
de uma estação abandonada
entre frestas do que seria,
de gente com alma caiada
e olhar de rebeldia,
pós e dores e ruídos e sei lá!
quem traça a linha que me separa,
do momentâneo agora
e do eterno já...
e forjados
nas costas do destino,
quero a palma dos teus rios bravios
e o leito de desfiladeiros
onde desaguam
secos.
Quero o esquecimento dos dias
e das sombras das noites,
nos sinos que por ninguém dobram
o som aguado
da morte das mãos
e das foices.
Quero a chuva,
de uma estação abandonada
entre frestas do que seria,
de gente com alma caiada
e olhar de rebeldia,
pós e dores e ruídos e sei lá!
quem traça a linha que me separa,
do momentâneo agora
e do eterno já...
2008-10-21
Horizontes
Vou conduzindo sonhos e estradas no meu trajecto intermitente.
Quantos caminhos se separam apenas na confluência, para se encontrarem em qualquer bola de sabão colorida?
Quantos caminhos se separam apenas na confluência, para se encontrarem em qualquer bola de sabão colorida?
Surpreendo-me por esta pausa no trabalho, mas mais ainda pela iniciativa em escrever algo aqui, no portátil, atrás de um painel solar algures perto de Oliveira de Frades. Confesso que o cenário ideal não é aqui, sempre pensei que estes pequenos sóis que bailam em torno de mim se manifestassem apenas junto da Natureza, mas não, creio que afinal manifestam-se junta da minha Natureza.
Uns passos errantes passam atrás de mim, sobrepostos apenas pelo som de pneus cansados de carros de donos apressados. Alguém para e olha para mim, cenário novo, um portátil em cima de um quadro eléctrico e um mendigo bem vestido, ancorado às sombras das nuvens e a montes que se perdem de vista, como se da vista não fossem, apenas do horizonte e nada mais.
Parei uns largos minutos... Creio que estes pequenos sóis surgiram apenas para dar alento, para me dizerem que não, aqui não surgem...
Bem, há que esperar por chegar aos horizontes e não apenas vê-los ao longe.
Uns passos errantes passam atrás de mim, sobrepostos apenas pelo som de pneus cansados de carros de donos apressados. Alguém para e olha para mim, cenário novo, um portátil em cima de um quadro eléctrico e um mendigo bem vestido, ancorado às sombras das nuvens e a montes que se perdem de vista, como se da vista não fossem, apenas do horizonte e nada mais.
Parei uns largos minutos... Creio que estes pequenos sóis surgiram apenas para dar alento, para me dizerem que não, aqui não surgem...
Bem, há que esperar por chegar aos horizontes e não apenas vê-los ao longe.
2008-10-17
Limiares do meu olhar
Detesto chegar aqui, com sono, arrastado pelo desejo das letras que me habitam e nada escrever.
Há momentos que apenas poesia pode explicar, como pequenas gotas num pavimento,que dizem mais que um aguaceiro.
Hoje, sim, hoje trago comigo as limítrofes, as fronteiras e os abismos para tudo o que sou.
Sinto-me despido, nu, sem palavras que me confortem nem letras que me abracem, apenas nu enquanto outros eus vagueiam nos limiares do meu olhar, em vidas muitas que vivo nunca.
Hoje, sim, hoje sou apenas um trocadilho daquilo que sei ser.
Sou.
Há momentos que apenas poesia pode explicar, como pequenas gotas num pavimento,que dizem mais que um aguaceiro.
Hoje, sim, hoje trago comigo as limítrofes, as fronteiras e os abismos para tudo o que sou.
Sinto-me despido, nu, sem palavras que me confortem nem letras que me abracem, apenas nu enquanto outros eus vagueiam nos limiares do meu olhar, em vidas muitas que vivo nunca.
Hoje, sim, hoje sou apenas um trocadilho daquilo que sei ser.
Sou.
2008-10-15
2008-10-13
100 título
Às vezes acho que eu sou o poema que tento escrever.
À procura de rimas, de palavras que ainda não conheço, amparando-me numa ou noutra vírgula, sem um título definido...
Passo os dias com páginas e páginas de livros que gostava de escrever, poemas e frases que se seguram às pessoas que se cruzam no meu olhar. Escoro cada pequena sílaba, na expectativa que, mais à frente, surja uma outra que complete a frase e sim, encontro, surgem numa passadeira, num gesto cansado, no velho que conta os trocos a entregar ao dono do jornal. A minha história está cheia de histórias que vi, mas ainda mais das que se desenrolam numa infinidade de destinos que, sinceramente, nem sei se existem, nesta ou noutra dimensão.
Eu (mesmo aquele que não conheces) sou um infinito dentro do meu mundo e, mesmo assim, não tenho título.
À procura de rimas, de palavras que ainda não conheço, amparando-me numa ou noutra vírgula, sem um título definido...
Passo os dias com páginas e páginas de livros que gostava de escrever, poemas e frases que se seguram às pessoas que se cruzam no meu olhar. Escoro cada pequena sílaba, na expectativa que, mais à frente, surja uma outra que complete a frase e sim, encontro, surgem numa passadeira, num gesto cansado, no velho que conta os trocos a entregar ao dono do jornal. A minha história está cheia de histórias que vi, mas ainda mais das que se desenrolam numa infinidade de destinos que, sinceramente, nem sei se existem, nesta ou noutra dimensão.
Eu (mesmo aquele que não conheces) sou um infinito dentro do meu mundo e, mesmo assim, não tenho título.
2008-10-10
(Au) sente
Sei que tens passado aqui, olhas, nada de novo, botão retroceder e partes para outras paragens... Eu tenho andado assim, também. Nada de novo, a não ser o cansaço, o correr sem rumo certo, mas com destino tangível.
Sinto por vezes que defraudo as expectativas que algumas consoantes depositaram em mim. As vogais, por serem poucas, foram falando entre elas e do pouco que me conheciam traçaram um perfil aeiou. As consoantes ainda me acompanham, trazem vogais por arrasto, são como as costas e as palmas das mãos, ninguém vive apenas de inspirar, há que expirar, ar e vida ou vidas, que é como quem diz, suspirar de nós mesmos e das paisagens que se acumulam entre aspas.
Obrigado pela passagem aqui. Eu estou cá ou melhor, aí, porque aqui parece que não mora ninguém.
(e há quem pense, ainda, que vive apenas porque corre e o vento lhe bate na face... mas as pessoas não percebem que o vento está lá, para mostrar que faz atrito e que vivemos... o vento foge, como pode, da correria absurda que alguns levam...)
Sinto por vezes que defraudo as expectativas que algumas consoantes depositaram em mim. As vogais, por serem poucas, foram falando entre elas e do pouco que me conheciam traçaram um perfil aeiou. As consoantes ainda me acompanham, trazem vogais por arrasto, são como as costas e as palmas das mãos, ninguém vive apenas de inspirar, há que expirar, ar e vida ou vidas, que é como quem diz, suspirar de nós mesmos e das paisagens que se acumulam entre aspas.
Obrigado pela passagem aqui. Eu estou cá ou melhor, aí, porque aqui parece que não mora ninguém.
(e há quem pense, ainda, que vive apenas porque corre e o vento lhe bate na face... mas as pessoas não percebem que o vento está lá, para mostrar que faz atrito e que vivemos... o vento foge, como pode, da correria absurda que alguns levam...)
2008-09-24
João de todas as semanas
As batalhas dos dias idos
que teimam em guerrear
no correr dos olhos
gastos.
As ausências do corpo
e uma alma
terna
e alterada,
a solidão de um carinho
e a ânsia
de viver no fundo de uma essência.
que teimam em guerrear
no correr dos olhos
gastos.
As ausências do corpo
e uma alma
terna
e alterada,
a solidão de um carinho
e a ânsia
de viver no fundo de uma essência.
2008-09-23
Gerundiando
Olha-me o mundo
mirando
o que olhos meus vislumbram,
não há espera
sem fundo,
apenas equinócios permanentes
e rugidos na noite
que me sorve
em gerúndio.
Clama-me a sina
em verdade
e consequência,
chama o grito num vazio pleno
de ermos de saudades,
mas responde apenas o silêncio
com o ofegante aperto no peito.
Olha-me cego,
o mundo,
no aconchego da minha mão
em noite minha
de vagabundo...
mirando
o que olhos meus vislumbram,
não há espera
sem fundo,
apenas equinócios permanentes
e rugidos na noite
que me sorve
em gerúndio.
Clama-me a sina
em verdade
e consequência,
chama o grito num vazio pleno
de ermos de saudades,
mas responde apenas o silêncio
com o ofegante aperto no peito.
Olha-me cego,
o mundo,
no aconchego da minha mão
em noite minha
de vagabundo...
2008-09-15
De volta
Ausente destes espaços, pareço-me comigo mesmo. Diria que não tenho tempo para escrever, mas é mentira. Faço-o diariamente, num exercício viciado e num vício exercitado, sem colocar as mãos no papel, mas colocando as ideias na mente ou na alma, quando esta última está junto a mim.
Gostava de poder sentar-me aqui, ter um momento para simplesmente pegar em cada história, daquelas bem antigas, porque as novas ainda preciso de as bi-ver (ver duas vezes) e deitá-las no silêncio da minha escrita. Gostava de poder estar um dia sentado numa sala de espera de uma estação de comboios, simplesmente a ver as vidas que escorrem de todas as vidas que apressadamente nem vivem. Um dia, quem sabe? Para já, dedico-me a, com os olhos semicerrados pelo sono e por outras coisas que não rimam com Vida, escrever um pouco daquilo que leio nos olhos das pessoas. "corremos para onde?"...
Gostava de poder sentar-me aqui, ter um momento para simplesmente pegar em cada história, daquelas bem antigas, porque as novas ainda preciso de as bi-ver (ver duas vezes) e deitá-las no silêncio da minha escrita. Gostava de poder estar um dia sentado numa sala de espera de uma estação de comboios, simplesmente a ver as vidas que escorrem de todas as vidas que apressadamente nem vivem. Um dia, quem sabe? Para já, dedico-me a, com os olhos semicerrados pelo sono e por outras coisas que não rimam com Vida, escrever um pouco daquilo que leio nos olhos das pessoas. "corremos para onde?"...
Até agora.
2008-09-08

(fotografia de Norberto Valério)
A cor dos meus olhos
traja fantasia,
ostenta quadros de sonhos
e noites orfãs
de dia.
Sei-te o tom
a voz da tua alma
o som.
Cobre-te de mim
e eu de ti
terra austera,
porque em cada ramo meu florescem rumores secos
e uma espiga
de Primavera.
Sombra
e frondosa postura,
se cabelos houvesse seria hera
e chuva mole aqui,
meu arado em terra
pura.
Que me aguarde a morte
e me tema a vida,
as minhas searas plantam a sorte
e entre mim e eu mesmo
abrigam-se ainda corpos,
gente que se ama
de alma
despida...
2008-09-01

fotografia de Norberto Valério
Vejo horas nos fragmentos
das vidas
que se abatem em mim.
Quebro tempos e memórias
nos ponteiros que me viajam,
vendo dias e histórias
e arestas que se soltam
do meu olhar cego.
Pauto momentos
em indeléveis estalidos,
o tempo não se compadece do relógio,
fugaz e austero
lança esquecimentos nas mãos
e sonhos
de quem do fino frio fiava
os suspiros
de quem não chegava.
Mudo, agora,
restam-me apenas horas que não voam,
minutos que anunciavam fremente vapor
escasseiam,
como lenços e abas que mãos tremeluzindo amor
passeiam.
Amparo a solidão
da madeira cansada dos bancos
e do uivo gasto do vento,
soçobrando à ilusão
de quem me olha sem ver
ausculto a dimensão dos momentos,
não sou a espera adiantada do início
apenas prenuncio de nome:
fim-dos-tempos...
das vidas
que se abatem em mim.
Quebro tempos e memórias
nos ponteiros que me viajam,
vendo dias e histórias
e arestas que se soltam
do meu olhar cego.
Pauto momentos
em indeléveis estalidos,
o tempo não se compadece do relógio,
fugaz e austero
lança esquecimentos nas mãos
e sonhos
de quem do fino frio fiava
os suspiros
de quem não chegava.
Mudo, agora,
restam-me apenas horas que não voam,
minutos que anunciavam fremente vapor
escasseiam,
como lenços e abas que mãos tremeluzindo amor
passeiam.
Amparo a solidão
da madeira cansada dos bancos
e do uivo gasto do vento,
soçobrando à ilusão
de quem me olha sem ver
ausculto a dimensão dos momentos,
não sou a espera adiantada do início
apenas prenuncio de nome:
fim-dos-tempos...
2008-08-27

(fotografia de Norberto Valério)
Sobranceira ao meu olhar,
aninho-te no regaço
da saudade que o Sol dissipa,
enquanto voltam a teu ventre cadilhos
e a teus braços, gastos,
filhos.
Perdidos passos percorrem poeira,
restos de memórias vivas
morrem lentamente à sombra do esquecimento
que um falso Sol peneira,
afasta-se o rumo,
a vida,
os cheiros e a tez,
porque já não curte o frio
os frutos
e as mãos
de petiz, que homem se fez.
Dás-me corpo ondulado,
seiva e calor
de teu regaço longínquo
e molhado,
namora-te o estio
a ausência e o pousio,
o vazio que te percorre arde
sem chama,
vivos frios olhares e labutas
guardam jardins de sonhos idos que se encontram
com a calma.
Em ti, a paz
que desejo minha,
a tépida esperança acesa
tem gotas de rio que te beija,
que não te sabendo rainha
ingenuamente murmura:
princesa...
2008-08-18
Inocência: o final dos frutos

(fotografia de Norberto Valério)
Despida do mundo,
trajo apenas searas
e foices alheias,
em bailados de sons douradoscom filigranas de colcheias.
Rendo-me ao vento que silvou
na despedida, nua,
entre o céu que me perfilhou
galgou-me a terra em semente,
sem Sol,
sem Lua.
Padece do tempo meu destino
final dos frutos,
porque a fragilidade das raízes
não brota desta tumefacta pele crua,
mas da gadanha cega e rombuda
que dança em mão inocente,
quão inocente é a culpa
tua...
2008-08-12
2008-08-06
Agosto começa com o início de Setembro, para mim basta.
Tenho os olhos abertos porque o Sol é filtrado pelas muitas nuvens no céu, mas, de facto, para que preciso de olhar? Este tempo faz-me fechar os olhos, sentir o vento frio de Setembro, ainda que em início de Agosto, cruzar os braços atrás da nuca, descalçar os chinelos, procurar um pouco de terra e erva com os pés e ficar assim... Permaneço imóvel durante vários minutos, quem me vê deve certamente indagar-se porquê, mas para que servem as opiniões alheias? O vento teima em soprar, abana algumas ervas secas e pinheiros. Os eucaliptos ao longe, por serem maiores fazem-se ouvir perfeitamente e, assim, não preciso trautear qualquer música. Nestes momentos tenho pouco em que pensar, na realidade, o facto de não pensar é o que me faz sentir tão bem, estar apenas a sentir, sem racionalizar nada, apenas sentir, entrar numa dimensão onde habitualmente não temos tempo de estar, permitir ser feliz, ou nem ser feliz, apenas ser, sem qualquer adjectivo, substantivo, metáfora, apenas ser e é quando já me soltei do corpo, quando percorro locais distintos com a mente, quando ouço vozes familiares e vislumbro mesmo sem ver paisagens que ainda não percorri, mas das quais tenho saudades, é nesse momento que o frio, meu precioso aliado, me envolve, me percorre dos pés à cabeça, me abraça como ainda não se abraça no mundo, fazendo-me sorrir ao mesmo tempo que um arrepio eriça todos os meus pelos, percorrendo todos os milímetros do pescoço até aos pés...
Não sei o que me faz mais rico, se a falta de ambição (vide dicionário) se a extrema ambição de um arrepio.
Vou estar ausente uns dias, não da vida, mas do blog. Agora que começo a sentir uma vontade interior de escrever, tenho que me afastar... Tenho mais um caderno que a Ana me deu, tenho também marcado alguns dias para me dedicar a outros projectos de sensações e escrita com o Norberto... Acho que o presente já existe, nós só lhe iremos dar um papel de embrulho lindo e uma bela fita com um laço :)
Parece impossível a quantidade de personagens que me levam ao colo, pela estrada, pela vida. Ainda não digeri todo um fim-de-semana dicotómico (sobre o qual escreverei) e surge um outro, no fim-de-semana passado, em que estive na Feira Medieval de Santa Maria da Feira. Não é difícil envolver-me em todo aquele manancial de personagens, entre as reais e as fictícias, para me transportar durante todo o dia para as vidas de todos os dias de todos os que se cruzavam comigo... Entre as personagens, surgiam várias perdidas, sem perceberem muito bem em que era estavam, abrigando-se nas tendas vazias e invisíveis que vi nos descampados, fugindo de cavaleiros de indumentárias modernas e olhando de soslaio e com receio para as pessoas com estranhas vestes, leves e coloridas. Surpresos por ninguém parecer reparar neles, foi hilariante perceber e ver que um, ao ver que eu o via perfeitamente, correr a avisar os outros... Andei com eles todo o resto do domingo, pareceram surpresos com algumas das coisas que viram, alguns não terminaram o percurso, foram desvanecendo-se e desde domingo que tenho apenas um comigo. Está junto com outras personagens, de outros tempos e histórias, mais confuso com o ambiente que vê e sente, mas faz-lhe bem esta aprendizagem à força, esta visita de estudo pelo mundo moderno... Daqui a pouco vou até à sala, tenho a janela aberta por onde entra um pouco de frio, cruzo os braços atrás da nuca, fecho os olhos e, neste momento em que quase adormeço, ele vai ver pelos meus, vai perder as vestes e o impulso do arrepio que sobe dos pés até à nuca vai levá-lo a saltar, daqui para lá, onde todas as eras se encontram...
Enquanto escrevia isto vi-o sorrir. Embora não saiba ler, sabe sentir ou aperceber-se do que escrevo, da mesma forma que a vida não nos diz "amanhã vai ser melhor", nós apenas sabemos que sim, amanhã vai ser melhor, vai ser muito melhor!
Gosto de poder trazer artefactos de sonhos em sonhos, de vidas em vidas, do momento em que eu, no futuro, gravo mensagens para mim mesmo no passado, onde o frio leva mensagens de nuvem em nuvem e abraça outras nuvens, apenas para não se sentir só...
Esqueci as quadras e versos que me rimavam,
soltaram-se da liberdade
a inocência
e as linhas que as ancoravam,
quanto cinzento cabe
nas rugas da idade?
Um numeral na condição
de ter nas têmporas
cãs e coração,
um quadro inacabado
na matéria-prima
de um sorriso
alado.
Tenho os olhos abertos porque o Sol é filtrado pelas muitas nuvens no céu, mas, de facto, para que preciso de olhar? Este tempo faz-me fechar os olhos, sentir o vento frio de Setembro, ainda que em início de Agosto, cruzar os braços atrás da nuca, descalçar os chinelos, procurar um pouco de terra e erva com os pés e ficar assim... Permaneço imóvel durante vários minutos, quem me vê deve certamente indagar-se porquê, mas para que servem as opiniões alheias? O vento teima em soprar, abana algumas ervas secas e pinheiros. Os eucaliptos ao longe, por serem maiores fazem-se ouvir perfeitamente e, assim, não preciso trautear qualquer música. Nestes momentos tenho pouco em que pensar, na realidade, o facto de não pensar é o que me faz sentir tão bem, estar apenas a sentir, sem racionalizar nada, apenas sentir, entrar numa dimensão onde habitualmente não temos tempo de estar, permitir ser feliz, ou nem ser feliz, apenas ser, sem qualquer adjectivo, substantivo, metáfora, apenas ser e é quando já me soltei do corpo, quando percorro locais distintos com a mente, quando ouço vozes familiares e vislumbro mesmo sem ver paisagens que ainda não percorri, mas das quais tenho saudades, é nesse momento que o frio, meu precioso aliado, me envolve, me percorre dos pés à cabeça, me abraça como ainda não se abraça no mundo, fazendo-me sorrir ao mesmo tempo que um arrepio eriça todos os meus pelos, percorrendo todos os milímetros do pescoço até aos pés...
Não sei o que me faz mais rico, se a falta de ambição (vide dicionário) se a extrema ambição de um arrepio.
Vou estar ausente uns dias, não da vida, mas do blog. Agora que começo a sentir uma vontade interior de escrever, tenho que me afastar... Tenho mais um caderno que a Ana me deu, tenho também marcado alguns dias para me dedicar a outros projectos de sensações e escrita com o Norberto... Acho que o presente já existe, nós só lhe iremos dar um papel de embrulho lindo e uma bela fita com um laço :)
Parece impossível a quantidade de personagens que me levam ao colo, pela estrada, pela vida. Ainda não digeri todo um fim-de-semana dicotómico (sobre o qual escreverei) e surge um outro, no fim-de-semana passado, em que estive na Feira Medieval de Santa Maria da Feira. Não é difícil envolver-me em todo aquele manancial de personagens, entre as reais e as fictícias, para me transportar durante todo o dia para as vidas de todos os dias de todos os que se cruzavam comigo... Entre as personagens, surgiam várias perdidas, sem perceberem muito bem em que era estavam, abrigando-se nas tendas vazias e invisíveis que vi nos descampados, fugindo de cavaleiros de indumentárias modernas e olhando de soslaio e com receio para as pessoas com estranhas vestes, leves e coloridas. Surpresos por ninguém parecer reparar neles, foi hilariante perceber e ver que um, ao ver que eu o via perfeitamente, correr a avisar os outros... Andei com eles todo o resto do domingo, pareceram surpresos com algumas das coisas que viram, alguns não terminaram o percurso, foram desvanecendo-se e desde domingo que tenho apenas um comigo. Está junto com outras personagens, de outros tempos e histórias, mais confuso com o ambiente que vê e sente, mas faz-lhe bem esta aprendizagem à força, esta visita de estudo pelo mundo moderno... Daqui a pouco vou até à sala, tenho a janela aberta por onde entra um pouco de frio, cruzo os braços atrás da nuca, fecho os olhos e, neste momento em que quase adormeço, ele vai ver pelos meus, vai perder as vestes e o impulso do arrepio que sobe dos pés até à nuca vai levá-lo a saltar, daqui para lá, onde todas as eras se encontram...
Enquanto escrevia isto vi-o sorrir. Embora não saiba ler, sabe sentir ou aperceber-se do que escrevo, da mesma forma que a vida não nos diz "amanhã vai ser melhor", nós apenas sabemos que sim, amanhã vai ser melhor, vai ser muito melhor!
Gosto de poder trazer artefactos de sonhos em sonhos, de vidas em vidas, do momento em que eu, no futuro, gravo mensagens para mim mesmo no passado, onde o frio leva mensagens de nuvem em nuvem e abraça outras nuvens, apenas para não se sentir só...
Esqueci as quadras e versos que me rimavam,
soltaram-se da liberdade
a inocência
e as linhas que as ancoravam,
quanto cinzento cabe
nas rugas da idade?
Um numeral na condição
de ter nas têmporas
cãs e coração,
um quadro inacabado
na matéria-prima
de um sorriso
alado.
No dia em que tiver tempo irei fazer tudo aquilo que desejo.
Resolução sábia, poderosa, que esbarra apenas nalgumas questões, como o facto do tempo não ser passível de possuir. O tempo é-o, para ele basta, chega, para outros é uma forma de protelar algumas questões. O desejo não o é, para ele basta, chega, para outros é uma forma de protelar algumas questões.
Li os parágrafos anteriores e dou-me por feliz por não ter seguido filosofia. Estou de férias, deixo os dias escorrerem lentamente, sempre com qualquer coisa para fazer, com uma miríade de elementos e peças que não compõem o meu puzzle.
Hoje estive no Alvão, sentado numa rocha, à sombra de um pinheiro quase nu, que chorava para dentro de uma pequena saca de plástico pregada ao tronco, saltitava o olhar entre as lagoas que o rio Olo faz ao fundo e o céu azul claro com algumas nuvens em cima. Dei por mim a imaginar estar lá, mas de noite, ouvir as lagoas e as estrelas, sim, ouvir, porque as estrelas não se vêm, aqueles pequenos pontos luminosos que tremeluzem à noite são infinitamente pequenos se comparados com o brilho que me depositam no peito e que alimentam os meus sonhos, dando alguma claridade, ainda que fosca, a algumas destas "coisas" que escrevo.
Não, não é quando tiver tempo, é agora, neste exacto momento, que viro as palmas das mãos para mim, afago invisíveis calos e cicatrizes que trago já de outras vivências, deixo-me sentir o calor das mãos nas minhas próprias mãos e sorrio... Sinto que se aproxima um bom momento e não sei que momento é este. A vida é de facto bela, não é?
Resolução sábia, poderosa, que esbarra apenas nalgumas questões, como o facto do tempo não ser passível de possuir. O tempo é-o, para ele basta, chega, para outros é uma forma de protelar algumas questões. O desejo não o é, para ele basta, chega, para outros é uma forma de protelar algumas questões.
Li os parágrafos anteriores e dou-me por feliz por não ter seguido filosofia. Estou de férias, deixo os dias escorrerem lentamente, sempre com qualquer coisa para fazer, com uma miríade de elementos e peças que não compõem o meu puzzle.
Hoje estive no Alvão, sentado numa rocha, à sombra de um pinheiro quase nu, que chorava para dentro de uma pequena saca de plástico pregada ao tronco, saltitava o olhar entre as lagoas que o rio Olo faz ao fundo e o céu azul claro com algumas nuvens em cima. Dei por mim a imaginar estar lá, mas de noite, ouvir as lagoas e as estrelas, sim, ouvir, porque as estrelas não se vêm, aqueles pequenos pontos luminosos que tremeluzem à noite são infinitamente pequenos se comparados com o brilho que me depositam no peito e que alimentam os meus sonhos, dando alguma claridade, ainda que fosca, a algumas destas "coisas" que escrevo.
Não, não é quando tiver tempo, é agora, neste exacto momento, que viro as palmas das mãos para mim, afago invisíveis calos e cicatrizes que trago já de outras vivências, deixo-me sentir o calor das mãos nas minhas próprias mãos e sorrio... Sinto que se aproxima um bom momento e não sei que momento é este. A vida é de facto bela, não é?
2008-07-31
Tenho rios de xisto a correrem na face,
agrilhoei a vida
aos papeis gastos
onde me banho.
Na peugada dos meus próprios passos
percorro a poeira
que ramos virgens ostentam,
porque todo o poema é um traço incompleto
na reticência final
de um sorriso invisível,
tal como o infinito inalcançável
que trago atado
por um cordel...
agrilhoei a vida
aos papeis gastos
onde me banho.
Na peugada dos meus próprios passos
percorro a poeira
que ramos virgens ostentam,
porque todo o poema é um traço incompleto
na reticência final
de um sorriso invisível,
tal como o infinito inalcançável
que trago atado
por um cordel...
2008-07-27
Chuva de verão
Desde o tempo que escrevi aqui pela última vez, a única diferença é a chuva tímida que cai lá fora.
Curioso auscultar a opinião das pessoas, que varia consideravelmente de dia para dia (e momento para momento), na semana passada era um calor abrasador, que fazia jus às previsões catastróficas do Verão deste ano como sendo o mais quente dos últimos 25 anos. Hoje (e não apenas hoje) ter que ouvir a chuva cair provoca-me um conforto maior ainda do que imaginar estar a ouvir o vento soprar no telhado de uma cozinha grande, aliás casa, com o calor de um braseiro. Parece-me que as opiniões acompanham os tempos modernos, varia com a mesma facilidade com que se muda de canal e disto sei do que falo, não fosse eu um zapper incondicional, tirando as vezes, raras, em que apanho um canal que gosto.
Tenho andado com dores de cabeça, sinal da necessidade de descanso ou simplesmente a destruição de algumas sinapses, mas não queria deitar-me sem vir aqui deixar umas linhas. Confesso que tenho andado longe deste blog, mesmo longe dos meus cadernos (e são alguns), para escrever o que quer que seja, tal como sempre. Mas hoje, não por ser domingo, não por chover, apenas porque sim, resolvo-me vir aqui, privando-me ao barulho da chuva. Tenho à minha volta todas as personagens que vivi e ainda não escrevi. Motiva-me saber o quanto tenho que escrever, embora me apavore o facto de eventualmente não saber quanto tempo tenho. Queria que soubesses que aqui, em mim, vive sempre um pouco de ti, seja numa personagem vista, vivida ou ainda por inventar. Se calhar não sabes que vivias até te leres num poema meu. Acredito que sim e não te surpreendas, comigo aconteceu o mesmo, descobri-me quando me li num poema que escrevi. Perdão, como possuo o condão de viver com o escritor (ia escrever pseudo antes), descobri-me no momento em que ele me pensou, idealizou e deu vida. Talvez por ter nascido assim, tenha pouca propensão para viver apenas num local. Na realidade, o que sou está repartido em tudo o que encontro, o que torna tão difícil sentir-me bem aqui, sabendo que poderia estar ali e, de facto, estou... Mas os tempos mudam, os reconhecimentos também, curiosamente a qualidade que mais admiro na mudança é a sua consistência, tudo muda, embora permaneça no mesmo local.
Paro um pouco e olho à esquerda. Tenho uma velha personagem comigo. Tento imaginar onde a poderei encaixar, mas não encontro local ou posição adequada. Um dos motivos pelo qual adio a escrita é a falta de paisagem onde plantar todos estes seres que habitam na minha morada, penso em várias histórias e na verdade até possuo algumas, mas não encontro narrativa para a maioria. Penso nelas como trovões ou relâmpagos, não precisam de cenário adequada, além das condições meteorológicas normais, apenas surgem, troam e desaparecem, para surgirem não se sabe quando.
Esta minha característica de perfeição ou (tentativa de) controlo impede-me de escrever mais, simplesmente porque quero que as personagens e vivências imaginári0-reais tenham um livro, sejam mais perfeitas que o momento actual, esquecendo-me obviamente que o momento actual é sempre o mais perfeito, embora compreenda algumas das personagens, como este simpático casal à minha direita, que preferem surgir, anunciarem-se e, depois, trazerem com eles todo o cenário, tempo e até indumentária... Então o que fazer? Bem, na realidade não sei. Para as personagens com vontade própria escrevo histórias, apenas porque pedem com educação, para as outras, eventualmente sairão um poema ou um pequeno texto, apenas para sentirem, elas, que encontrarão sempre solo fértil, mesmo que cresçam pouco.
Gosto disto. Gosto de vir escrever sem ter nada em mente e tudo começar a ajustar-se, a sair normalmente e fico a pensar para mim mesmo, que pena será amanhã acordar e ter esquecido tudo isto, as intenções.
Habitam em mim mais do que a parte de um todo. De facto, transporto comigo os tempos antecedentes, presentes e consequentes, como se todos caminhos que pudesse percorrer tivessem já traçados e vividos, como se num só segundo vivesse mais do que em infinitas vidas passadas e futuras. E, sabes, não me causa transtorno, não me aflige ou angustia, não me causa ansiedade. Apenas me formigam os dedos e a imaginação, com a vontade que tenho de pegar nas palavras e emoldurar corações.
Até já, porque depois de leres isto, eu serei também um pouco de ti e tenho a certeza que, fechando os olhos momentaneamente, poderás sentir uma ligeira brisa no rosto. Não estranhes, comigo aconteceu o mesmo.
Curioso auscultar a opinião das pessoas, que varia consideravelmente de dia para dia (e momento para momento), na semana passada era um calor abrasador, que fazia jus às previsões catastróficas do Verão deste ano como sendo o mais quente dos últimos 25 anos. Hoje (e não apenas hoje) ter que ouvir a chuva cair provoca-me um conforto maior ainda do que imaginar estar a ouvir o vento soprar no telhado de uma cozinha grande, aliás casa, com o calor de um braseiro. Parece-me que as opiniões acompanham os tempos modernos, varia com a mesma facilidade com que se muda de canal e disto sei do que falo, não fosse eu um zapper incondicional, tirando as vezes, raras, em que apanho um canal que gosto.
Tenho andado com dores de cabeça, sinal da necessidade de descanso ou simplesmente a destruição de algumas sinapses, mas não queria deitar-me sem vir aqui deixar umas linhas. Confesso que tenho andado longe deste blog, mesmo longe dos meus cadernos (e são alguns), para escrever o que quer que seja, tal como sempre. Mas hoje, não por ser domingo, não por chover, apenas porque sim, resolvo-me vir aqui, privando-me ao barulho da chuva. Tenho à minha volta todas as personagens que vivi e ainda não escrevi. Motiva-me saber o quanto tenho que escrever, embora me apavore o facto de eventualmente não saber quanto tempo tenho. Queria que soubesses que aqui, em mim, vive sempre um pouco de ti, seja numa personagem vista, vivida ou ainda por inventar. Se calhar não sabes que vivias até te leres num poema meu. Acredito que sim e não te surpreendas, comigo aconteceu o mesmo, descobri-me quando me li num poema que escrevi. Perdão, como possuo o condão de viver com o escritor (ia escrever pseudo antes), descobri-me no momento em que ele me pensou, idealizou e deu vida. Talvez por ter nascido assim, tenha pouca propensão para viver apenas num local. Na realidade, o que sou está repartido em tudo o que encontro, o que torna tão difícil sentir-me bem aqui, sabendo que poderia estar ali e, de facto, estou... Mas os tempos mudam, os reconhecimentos também, curiosamente a qualidade que mais admiro na mudança é a sua consistência, tudo muda, embora permaneça no mesmo local.
Paro um pouco e olho à esquerda. Tenho uma velha personagem comigo. Tento imaginar onde a poderei encaixar, mas não encontro local ou posição adequada. Um dos motivos pelo qual adio a escrita é a falta de paisagem onde plantar todos estes seres que habitam na minha morada, penso em várias histórias e na verdade até possuo algumas, mas não encontro narrativa para a maioria. Penso nelas como trovões ou relâmpagos, não precisam de cenário adequada, além das condições meteorológicas normais, apenas surgem, troam e desaparecem, para surgirem não se sabe quando.
Esta minha característica de perfeição ou (tentativa de) controlo impede-me de escrever mais, simplesmente porque quero que as personagens e vivências imaginári0-reais tenham um livro, sejam mais perfeitas que o momento actual, esquecendo-me obviamente que o momento actual é sempre o mais perfeito, embora compreenda algumas das personagens, como este simpático casal à minha direita, que preferem surgir, anunciarem-se e, depois, trazerem com eles todo o cenário, tempo e até indumentária... Então o que fazer? Bem, na realidade não sei. Para as personagens com vontade própria escrevo histórias, apenas porque pedem com educação, para as outras, eventualmente sairão um poema ou um pequeno texto, apenas para sentirem, elas, que encontrarão sempre solo fértil, mesmo que cresçam pouco.
Gosto disto. Gosto de vir escrever sem ter nada em mente e tudo começar a ajustar-se, a sair normalmente e fico a pensar para mim mesmo, que pena será amanhã acordar e ter esquecido tudo isto, as intenções.
Habitam em mim mais do que a parte de um todo. De facto, transporto comigo os tempos antecedentes, presentes e consequentes, como se todos caminhos que pudesse percorrer tivessem já traçados e vividos, como se num só segundo vivesse mais do que em infinitas vidas passadas e futuras. E, sabes, não me causa transtorno, não me aflige ou angustia, não me causa ansiedade. Apenas me formigam os dedos e a imaginação, com a vontade que tenho de pegar nas palavras e emoldurar corações.
Até já, porque depois de leres isto, eu serei também um pouco de ti e tenho a certeza que, fechando os olhos momentaneamente, poderás sentir uma ligeira brisa no rosto. Não estranhes, comigo aconteceu o mesmo.
2008-07-24
2008-07-16
Não há noite que não alcance as estrelas,
embalar-me num pulsar invisível
enquanto me abraço a elas.
Flutuo
enquanto percorro vários céus
sob o mesmo luar,
sou caneta e papel
encenando estes dedos meus,
que ninguém me diga:
a noite está a acabar.
Rebolo-me no próprio sorriso,
dou as mãos
às mãos que não conheço,
envolto nas circunferências
das tonalidades
em que jamais esmaeço.
A cor do que escrevo é fugaz,
tem traço de homem
e gesto irrequieto de rapaz.
Não há noite que não me faça ao infinito,
acordo esvanecendo no mundo,
hoje sou grito,
amanhã, talvez, vagabundo...
embalar-me num pulsar invisível
enquanto me abraço a elas.
Flutuo
enquanto percorro vários céus
sob o mesmo luar,
sou caneta e papel
encenando estes dedos meus,
que ninguém me diga:
a noite está a acabar.
Rebolo-me no próprio sorriso,
dou as mãos
às mãos que não conheço,
envolto nas circunferências
das tonalidades
em que jamais esmaeço.
A cor do que escrevo é fugaz,
tem traço de homem
e gesto irrequieto de rapaz.
Não há noite que não me faça ao infinito,
acordo esvanecendo no mundo,
hoje sou grito,
amanhã, talvez, vagabundo...
2008-07-11
2008-07-09
Nem as palavras me deitam,
apenas o cansaço
de uns passos rodopiados
na orla
de um jardim,
não procuro o não
ou o sim,
aguardo um serrado
com ervas como gente,
uma caneta, carvão, arado
com que possa cantar
a minha semente.
Crescem-se pinhais,
onde escondo
medos que nunca vivi,
em suspiros, sem ais.
Meço e peso cada espaço
entre as linhas,
e o saber das letras
entre as palavras
são o que sorvo,
no que resta das giestas.
Resisto ao adormecimento,
o meu corpo... meu corpo,
pesa-me como um casaco,
um pedaço de vida
que nunca viverá até onde a minha mão alcança.
No carinho deste silêncio,
quando são os que não são
do dia que me anoitece quando desperto,
há um sorriso emoldurado
no verso do teu quadro.
Pacificam as estrelas o luar
que me levam o leve caminhar
percorrido
e o quanto de encontrado, está perdido.
Há um infinito de eternos nadas,
um frio adocicado
de uma brisa que traz mar.
Há grifos ascendentes de fénixes ressarcidas,
palavras em leitos sempre frios
de poemas que me leram
sem saberem a mar...
apenas o cansaço
de uns passos rodopiados
na orla
de um jardim,
não procuro o não
ou o sim,
aguardo um serrado
com ervas como gente,
uma caneta, carvão, arado
com que possa cantar
a minha semente.
Crescem-se pinhais,
onde escondo
medos que nunca vivi,
em suspiros, sem ais.
Meço e peso cada espaço
entre as linhas,
e o saber das letras
entre as palavras
são o que sorvo,
no que resta das giestas.
Resisto ao adormecimento,
o meu corpo... meu corpo,
pesa-me como um casaco,
um pedaço de vida
que nunca viverá até onde a minha mão alcança.
No carinho deste silêncio,
quando são os que não são
do dia que me anoitece quando desperto,
há um sorriso emoldurado
no verso do teu quadro.
Pacificam as estrelas o luar
que me levam o leve caminhar
percorrido
e o quanto de encontrado, está perdido.
Há um infinito de eternos nadas,
um frio adocicado
de uma brisa que traz mar.
Há grifos ascendentes de fénixes ressarcidas,
palavras em leitos sempre frios
de poemas que me leram
sem saberem a mar...
2008-07-04
Um post - duas mensagens
Sobre quem eu não seria se não fosse quem não sou
Falava agora com o Norberto, sobre o curioso que é escrever. Adoro escrever, mas mais do que isso, gosto mesmo é de ler os comentários e de perceber o que perceberão as pessoas (deduzo que quem me leia seja pessoa) que lêem. O post anterior - Pequenitates - é sobre alguém, mas não eu. Em primeiro porque as minhas nuvens não são azuis, pelo menos não no tom azul que as pessoas pensam e em segundo porque nem tenho a certeza que tenha sido escrito por mim, apareceu por aqui no computador.
Por fim, dou por mim a olhar como criança, a iludir-me como criança, a acreditar como criança, a escrever como criança, mas a cravar garras como adulto (e às vezes tenho vergonha de ter crescido).
Sobre a mais velha profissão do mundo (professor) e um amigo
De vez em quando "falo" no Norberto neste blog, mas ainda não o conhecem (creio eu). Estava na converseta com ele, via messenger, quando ele envia umas imagens de um livro de final de curso da escola onde ele lecciona. Amante das tecnologias, construíram um blog onde até colocaram uma historieta minha, e para final de ano surgiria algo diferente para todos: o livro de final de curso... Calma, coloco já uma imagem... O Norberto foi quem que apresentou o meu livro na Casa da Cultura de Paredes, mas foi ainda mais, pois foi ele, perante a minha passividade (e medo) para programar a apresentação (visto ter preferido apresentar primeiro em "casa" do que num "bar" com a editora), ele simplesmente "emailou" ao Vereador da Cultura, que respondeu prontamente e, num espaço de poucas horas, já tinha local, data e hora de apresentação. Curioso foi, também, na apresentação surpresa que a minha irmã e a Ana fizeram para o dia/noite/momento o primeiro comentário (retirado do blog) que surge ser do Norberto. E mais curioso foi o facto de antes, muito antes, tê-lo encontrado num hipermercado e ele, brincalhão como ninguém, dizer que alguém andava a fazer desaparecer os carteiros. Bolas. Naquele tempo eu ainda tinha quatro neurónios (restam dois, embora um esteja em recuperação), mas mesmo assim não consegui perceber sobre o que ele falava, até deduzir que era sobre uma pseudo-história (em três partes: do tipo uma, duas e três) e, claro, para surpresa minha, ele acompanhava o meu blog...
Foi um momento mágico, pelo menos para mim, ainda por cima com uma mensagem do Jorge Pelicano, realizador do documentário "Ainda há Pastores?", com quem ele falou e "pediu" umas frases para o lançamento. Mas isto não acaba aqui. Ambos admiradores (moi même e ele) do documentário, conseguimos/convidámos (com a suprema ajuda da Casa da Cultura de Paredes) que o documentário fosse exibido na Casa da Cultura, com a presença do Jorge e da Rosa, confraternizamos com eles, foi demais. Enfim. Já tive que ir buscar outra mochila para guardar tantos sonhos... Conhecemo-nos quase por acaso, num projecto chamado "Internet@EB1" ou "Internet nas Escolas" ou outros nomes mais pomposos que não vêm ao caso. E agora, quero que o conheçam, a pessoa que tem uma profissão que admiro: professor do 1º ciclo ou como gosto de dizer "Professor Primário" (com iniciais maiúsculas).
Já tentamos umas brincadeiras, como esta, e novos projectos estão na forja, né amigo? :)
A fotografia foi retirada do livro de curso e publicada com a permissão do mister.

Falava agora com o Norberto, sobre o curioso que é escrever. Adoro escrever, mas mais do que isso, gosto mesmo é de ler os comentários e de perceber o que perceberão as pessoas (deduzo que quem me leia seja pessoa) que lêem. O post anterior - Pequenitates - é sobre alguém, mas não eu. Em primeiro porque as minhas nuvens não são azuis, pelo menos não no tom azul que as pessoas pensam e em segundo porque nem tenho a certeza que tenha sido escrito por mim, apareceu por aqui no computador.
Por fim, dou por mim a olhar como criança, a iludir-me como criança, a acreditar como criança, a escrever como criança, mas a cravar garras como adulto (e às vezes tenho vergonha de ter crescido).
Sobre a mais velha profissão do mundo (professor) e um amigo
De vez em quando "falo" no Norberto neste blog, mas ainda não o conhecem (creio eu). Estava na converseta com ele, via messenger, quando ele envia umas imagens de um livro de final de curso da escola onde ele lecciona. Amante das tecnologias, construíram um blog onde até colocaram uma historieta minha, e para final de ano surgiria algo diferente para todos: o livro de final de curso... Calma, coloco já uma imagem... O Norberto foi quem que apresentou o meu livro na Casa da Cultura de Paredes, mas foi ainda mais, pois foi ele, perante a minha passividade (e medo) para programar a apresentação (visto ter preferido apresentar primeiro em "casa" do que num "bar" com a editora), ele simplesmente "emailou" ao Vereador da Cultura, que respondeu prontamente e, num espaço de poucas horas, já tinha local, data e hora de apresentação. Curioso foi, também, na apresentação surpresa que a minha irmã e a Ana fizeram para o dia/noite/momento o primeiro comentário (retirado do blog) que surge ser do Norberto. E mais curioso foi o facto de antes, muito antes, tê-lo encontrado num hipermercado e ele, brincalhão como ninguém, dizer que alguém andava a fazer desaparecer os carteiros. Bolas. Naquele tempo eu ainda tinha quatro neurónios (restam dois, embora um esteja em recuperação), mas mesmo assim não consegui perceber sobre o que ele falava, até deduzir que era sobre uma pseudo-história (em três partes: do tipo uma, duas e três) e, claro, para surpresa minha, ele acompanhava o meu blog...
Foi um momento mágico, pelo menos para mim, ainda por cima com uma mensagem do Jorge Pelicano, realizador do documentário "Ainda há Pastores?", com quem ele falou e "pediu" umas frases para o lançamento. Mas isto não acaba aqui. Ambos admiradores (moi même e ele) do documentário, conseguimos/convidámos (com a suprema ajuda da Casa da Cultura de Paredes) que o documentário fosse exibido na Casa da Cultura, com a presença do Jorge e da Rosa, confraternizamos com eles, foi demais. Enfim. Já tive que ir buscar outra mochila para guardar tantos sonhos... Conhecemo-nos quase por acaso, num projecto chamado "Internet@EB1" ou "Internet nas Escolas" ou outros nomes mais pomposos que não vêm ao caso. E agora, quero que o conheçam, a pessoa que tem uma profissão que admiro: professor do 1º ciclo ou como gosto de dizer "Professor Primário" (com iniciais maiúsculas).
Já tentamos umas brincadeiras, como esta, e novos projectos estão na forja, né amigo? :)
A fotografia foi retirada do livro de curso e publicada com a permissão do mister.

2008-07-02
Pequenitates
Nascido e criado em terras de gente grande, o pequeno Pequenitates fazia dos seus dias de traquina o horizonte do seu futuro.
Corriam os dias e o Pequenitates, com a cabeça no ar, saltava de nuvem azul em nuvem azul, das que se soltam dos sonhos de infância.
Nenhuma das grandiosas aventuras era pequena para o seu corpo, lá cabiam todas as realidades, mesmo as mais irreais…
De salto em salto, a jogo em jogo, Pequenitates fazia do Sol Lua e da Lua brincadeira.
Abrigado em esconderijos que só ele via, os pequenos pés anunciavam a sua presença e ninguém, mesmo ninguém, o denunciava, fazendo com que os risos fossem crescentes e enchessem as divisões de alegria.
As letras juntaram-se e até as notas musicais apareceram para colorir a meninice do garoto.
Falava e cantava, tocava e sorria, nos dias em que Pequenitates descobria que lhe cresciam ossos e carne, cabelos e espinhas, como se a realidade de pré-adolescente tentasse sair por todos os poros do seu corpo.
Aos poucos a voz de Pequenitates não parecia a de Pequenitates, assemelhava-se a um grasnar de gente crescida dentre de gente pequena.
Corriam os dias e as nuvens azuis eram já pequenas para os saltos do garoto, mas Pequenitates continuava a correr e a saltar, deixando que os dias saíssem da sacola para o teclado do computador e para a tabela do cesto de basquetebol e assim, de salto em salto e distracção em distracção, Pequenitates de pequeno se fez grande, provando que mesmo nos dias de Inverno, há uma Primavera na vida de alguém.
Corriam os dias e o Pequenitates, com a cabeça no ar, saltava de nuvem azul em nuvem azul, das que se soltam dos sonhos de infância.
Nenhuma das grandiosas aventuras era pequena para o seu corpo, lá cabiam todas as realidades, mesmo as mais irreais…
De salto em salto, a jogo em jogo, Pequenitates fazia do Sol Lua e da Lua brincadeira.
Abrigado em esconderijos que só ele via, os pequenos pés anunciavam a sua presença e ninguém, mesmo ninguém, o denunciava, fazendo com que os risos fossem crescentes e enchessem as divisões de alegria.
As letras juntaram-se e até as notas musicais apareceram para colorir a meninice do garoto.
Falava e cantava, tocava e sorria, nos dias em que Pequenitates descobria que lhe cresciam ossos e carne, cabelos e espinhas, como se a realidade de pré-adolescente tentasse sair por todos os poros do seu corpo.
Aos poucos a voz de Pequenitates não parecia a de Pequenitates, assemelhava-se a um grasnar de gente crescida dentre de gente pequena.
Corriam os dias e as nuvens azuis eram já pequenas para os saltos do garoto, mas Pequenitates continuava a correr e a saltar, deixando que os dias saíssem da sacola para o teclado do computador e para a tabela do cesto de basquetebol e assim, de salto em salto e distracção em distracção, Pequenitates de pequeno se fez grande, provando que mesmo nos dias de Inverno, há uma Primavera na vida de alguém.
2008-06-27
Se por acaso (ou propositadamente) não voltar aqui hoje, sexta-feira, fica desde já os votos de bom fim-de-semana.
O suor que me escorre
brota das fotografias
nos sorrisos falsos,
a bestialidade da besta resume-se
à complexidade dos corpos
que a habitam
sem nunca os viverem.
Amortalho um corpo
resto de gente, ossos e carnes fecundas
para que descanse enfim eu
longe,
bem longe,
das pobres gentes maiúsculas
com vogais fúteis e imundas,
Dorme-me,
cansa-te do peso do irreal,
absolve-te do delito a que muitos
(quantos serão?)
chamam respirar,
tu não és aquele,
és o tal...
O suor que me escorre
brota das fotografias
nos sorrisos falsos,
a bestialidade da besta resume-se
à complexidade dos corpos
que a habitam
sem nunca os viverem.
Amortalho um corpo
resto de gente, ossos e carnes fecundas
para que descanse enfim eu
longe,
bem longe,
das pobres gentes maiúsculas
com vogais fúteis e imundas,
Dorme-me,
cansa-te do peso do irreal,
absolve-te do delito a que muitos
(quantos serão?)
chamam respirar,
tu não és aquele,
és o tal...
2008-06-26
Talvez seja isto a quem chamam crescer
Olhei-me hoje ao espelho com a mesma ingenuidade de criança, não fosse eu uma criança (bem) grande. Enquanto o cabelo cai e algumas pequenas partes começam a ficar brancas/grisalhas, dou por mim a ver que a barba está a ficar branca com mais rapidez que o (suposto) normal. E, assim, deixo-a crescer, durante uma semana (aproximadamente) vou vendo ao espelho, aqui no escritório ou em casa, o avançar, a conquista da barba branca sobre a negra. Um dia visto-me de verde, com uma espécie de veste, um chapéu à Robin dos Bosques (não confundir com o imposto) e fico o Peter Pan completo!
Gosto de me rir, ainda, com estas pequenas coisas de mim mesmo. Longe vão os dias em que me debruçava sobre o lavatório para chegar mais perto do espelho e contava (sim, contava!) os pelos aos quais já eu chamava barba e orgulhosamente cortava-os (e algumas vezes a pele), na esperança de nascerem mais, mais abundantes, mais rápido e mais negros. Agora... Agora vejo-os crescer brancos e não os corto. Cada cabeça com sua sentença. Neste caso, cada eu comigo mesmo.
O poema seguinte nada tem a ver com nada que escrevi acima, é apenas um poema, num registo que não fazia há bastante tempo e, pasmo-me, gostei de o fazer.
Não são meus os torpores,
nem o frio que a noite semeou,
são de meus braços amores
o tempo que de mim se apossou.
Um empedrado caminho oculto
que conduz ao olhar que não existe,
é tudo o que em mim resiste
na agreste mão fechada de um vulto.
Gosto de me rir, ainda, com estas pequenas coisas de mim mesmo. Longe vão os dias em que me debruçava sobre o lavatório para chegar mais perto do espelho e contava (sim, contava!) os pelos aos quais já eu chamava barba e orgulhosamente cortava-os (e algumas vezes a pele), na esperança de nascerem mais, mais abundantes, mais rápido e mais negros. Agora... Agora vejo-os crescer brancos e não os corto. Cada cabeça com sua sentença. Neste caso, cada eu comigo mesmo.
O poema seguinte nada tem a ver com nada que escrevi acima, é apenas um poema, num registo que não fazia há bastante tempo e, pasmo-me, gostei de o fazer.
Não são meus os torpores,
nem o frio que a noite semeou,
são de meus braços amores
o tempo que de mim se apossou.
Um empedrado caminho oculto
que conduz ao olhar que não existe,
é tudo o que em mim resiste
na agreste mão fechada de um vulto.
2008-06-21
2008-06-15
Há tanto tempo. Há tanto tempo que procurava e assim, de repente, surge um dia sem computador. Apenas desejo de escrever, de ler, de ouvir, de partir o silêncio com um silêncio ainda maior.
Tenho escrito pouco por aqui... Tenho saudades de vir deitar os meus personagens antes de ir dormir, de lhes dar asas, de pousar algumas das histórias aqui, para que leiam e para que eu desperte um pouco mais. Mas não tem dado.
Ando cansado desta máquina, vence-me aos poucos.
Tenho escrito pouco por aqui... Tenho saudades de vir deitar os meus personagens antes de ir dormir, de lhes dar asas, de pousar algumas das histórias aqui, para que leiam e para que eu desperte um pouco mais. Mas não tem dado.
Ando cansado desta máquina, vence-me aos poucos.
2008-06-12
Foi assim (e eu gostei tanto...)
No dia 6 de Junho de 2008, no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa, os alunos do 7º ano puderam contactar directamente com o poeta José Miguel Alves Gomes, que gentilmente acedeu ao nosso convite e se deslocou à nossa Escola.
A sessão subordinada ao tema “ A Poesia”, contou com vários momentos: visualização de um vídeo com um excerto da apresentação oficial do livro do autor: Para Lá do Que Vejo, na Casa da Cultura em Paredes; espaço de diálogo, onde os alunos questionaram o autor sobre a sua vida pessoal, profissional e literária; leitura expressiva de poemas do José Miguel Gomes e, finalmente, os participantes do concurso literário de poesia dinamizado pela Equipa da Biblioteca brindaram-nos com a leitura dos trabalhos vencedores e tiveram a honra de receber, pelas mãos do nosso convidado, os diplomas de participação.
Em suma, foi uma actividade enriquecedora, com uma participação empenhada dos alunos e pensamos ter desenvolvido o gosto pela poesia.
Mais uma vez gostaríamos de agradecer ao José Miguel Gomes pelo momento agradável que nos proporcionou…
As professoras de Língua Portuguesa do 7º Ano."
2008-06-09
Mosto
A música
dos sons que ainda não ouvi,
os sorrisos
nas cartas que ainda não li,
o eco das palavras
que ainda não proferi,
nas costas que prenunciam um adeus
que nunca vivi
moram as vitórias,
abraços e glórias
do que sou
por ti...
Nas nuvens que dissiparam
as agruras
e lágrimas
que me lavaram
moram corpos sem rosto
e lagares velhos
sem mosto.
Traço a meta no que sou
e nos caminhos
que escondi,
na poeira
e luz
mora o tépido sonho
onde de mim
nasci...
dos sons que ainda não ouvi,
os sorrisos
nas cartas que ainda não li,
o eco das palavras
que ainda não proferi,
nas costas que prenunciam um adeus
que nunca vivi
moram as vitórias,
abraços e glórias
do que sou
por ti...
Nas nuvens que dissiparam
as agruras
e lágrimas
que me lavaram
moram corpos sem rosto
e lagares velhos
sem mosto.
Traço a meta no que sou
e nos caminhos
que escondi,
na poeira
e luz
mora o tépido sonho
onde de mim
nasci...
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