2010-02-22
Ainda não sei se chove. Apenas ouço o baralhar da rádio. Sem qualquer mecanismo de identificação (que não seja levantar o rabiosque) do tempo que faz, o que fazia sei-o, presencialmente, o que fará acabarei por saber, deixo-me levar pelo guarda-chuva e preparo-me para ir salpicar a chuva com um pouco da minha imaginação. É que a rua pode até ser de asfalto, mas os meus pés calcam é terra, monte, pastos e ainda que seco, deixo-me levar pelo molhado das plantas que me encharcam a alma até ao joelho.
2010-02-21
2010-02-11
2010-02-10
2010-02-08
2010-02-03
2010-02-01
2010-01-25
Alma Tua
Olá!
Deixa-me que te fale um pouco do vale do Tua.
Este vale, o rio Tua e a linha com o mesmo nome, bem como uma boa parte da população do Nordeste Transmontano, estão ameaçados pelo abandono a que há muito são condenados por parte do poder político e mais recentemente pela ameaça da construção de uma barragem.
Esta barragem irá inundar o vale do Tua, submergindo a maior parte da linha férrea, e alterando irremediavelmente uma paisagem única, verdadeiro património da humanidade.
Estou a desenvolver um projecto de texto (prosa e poesia) e fotografia sobre o vale do Tua. Este projecto é desenvolvido em parceria com o meu amigo Norberto.
Sendo o Norberto Transmontano de nascença e eu de coração, estamos obviamente preocupados com a actual realidade ou sina, do vale do Tua.
O nosso projecto, procura mostrar um pouco da beleza das terras, das gentes e da sua alma e sensibilizar para a sua salvaguarda.
Visitem-nos em http://www.almatua.com
Trata-se do site de promoção do nosso projecto, que possui alguns "rebuçados" sobre o final.
Deixa-me que te fale um pouco do vale do Tua.
Este vale, o rio Tua e a linha com o mesmo nome, bem como uma boa parte da população do Nordeste Transmontano, estão ameaçados pelo abandono a que há muito são condenados por parte do poder político e mais recentemente pela ameaça da construção de uma barragem.
Esta barragem irá inundar o vale do Tua, submergindo a maior parte da linha férrea, e alterando irremediavelmente uma paisagem única, verdadeiro património da humanidade.
Estou a desenvolver um projecto de texto (prosa e poesia) e fotografia sobre o vale do Tua. Este projecto é desenvolvido em parceria com o meu amigo Norberto.
Sendo o Norberto Transmontano de nascença e eu de coração, estamos obviamente preocupados com a actual realidade ou sina, do vale do Tua.
O nosso projecto, procura mostrar um pouco da beleza das terras, das gentes e da sua alma e sensibilizar para a sua salvaguarda.
Visitem-nos em http://www.almatua.com
Trata-se do site de promoção do nosso projecto, que possui alguns "rebuçados" sobre o final.
"À medida que o tempo avançava e o caminho abandonado de cascalho, carris e travessas, ficava para trás o que era um projecto tornava-se em sonho, palpável e objectivo.
Percorrer a linha do comboio, falar com um punhado de pessoas, semear aqui e ali uma fotografia ou deixar gravada numa travessa um poema avulso, tudo se transforma numa vontade de preservar aquilo que, ultimamente, até porque a memória dos autores não perscruta tão longe assim, os sucessivos governantes (propositadamente com g minúsculo) tendem a fazer: fazer desaparecer o sorriso digno dos transmontanos em geral e dos habitantes dos concelhos directamente afectados pelo assassínio da linha do Tua em particular.
Sem ter quem defenda a bondade da arrogância política, os que não têm voz e que pela força do isolamento acreditam em quem lhes atira umas palavras caras acompanhadas de fato e gravata, que se chamou domingueiro há idos, soçobram ao genocídio mudo, à devassidão moral de quem promete e nunca cumpriu.
É impossível, quando se veste um pouco mais de alma, ficar indiferente à beleza do Vale do Tua.
É impossível, quando se ouvem Pessoas, ficar indiferente ao grito mudo de gentes com a porta sempre aberta.
Sem arrogâncias ou falsas modéstias, este projecto tem como Sonho preservar a imagem do vale do Tua e a sua linha.
Esperamos que o leitor possa encontrar um pouco daquilo que os autores viram, mas, acima de tudo, possam entrar no mundo daquilo que sentiram e que está por detrás dos pigmentos das cores ou das curvas das letras.
Que não morra em nós, nunca, a força de lutar pelo que é nosso, salvando-nos do abandono e das mãos tiranas que de longe manobram os fios com que tentam enforcar um povo.
Por Trás-os-Montes (o de portugueses, como Torga).
Pelo Tua."
www.almatua.com
Miguel Gomes e Norberto Valério
2010-01-11
Acordo quase todos os dias às 5:32... Há uma semana. 5:32. Adormeço. Depois acordo com o despertomóvel (mistura de despertador com telemóvel) a hora indefinida. Indefinida porque ele toca, coitado, toca, coitadinho, mas nem sempre me levanto à hora que ele quer.
E, invariavelmente, ando pelos montes de trás, lá para cima, onde mandam os que lá estão, a cortar mato ou, então, a andar numa carrinha pick-up, caixa fechada, com prateleiras de madeira e materiais presos, não vão os solavancos atirar de um lado para o outro a carga.
Depois páro, buzino, quer dizer, nem sempre preciso de buzinar, ouvem-me chegar e vão chegando, bafo a bafo no ar frio, vultos negros de gente abandonada por gente...
Gostava de saber de onde vêm estas lembranças de coisas que nunca vivi e que me nascem sempre aos olhos. A paixão pelo interior. A paixão apenas. A necessidade das gentes, do horizonte.
A necessidade de Ti.
2010-01-05
Tenho em mim trevas e luz,
pedaços de mundos que criei
nas centelhas que não ascendem
aos fogos que aticei.
Tenho em mim trevas e luz,
noites desiguais ao infinito
nos caminhos ao largo do caminho
onde mora ainda meu grito.
Tenho em mim trevas e luz,
no que está em tudo do meu nada,
no eu que me conduz.
Tenho em mim trevas e luz,
na metade de um irreal
é a tua mão inteira
que me seduz...
pedaços de mundos que criei
nas centelhas que não ascendem
aos fogos que aticei.
Tenho em mim trevas e luz,
noites desiguais ao infinito
nos caminhos ao largo do caminho
onde mora ainda meu grito.
Tenho em mim trevas e luz,
no que está em tudo do meu nada,
no eu que me conduz.
Tenho em mim trevas e luz,
na metade de um irreal
é a tua mão inteira
que me seduz...
2010-01-04
55 posts em 2009... O número tem vindo a cair... E embora seja da opinião que o tamanho ou quantidade não contam, noto que te tenho vindo a deixar abandonado, apenas com a companhia dos que (segundo o hiStats) ainda aqui passam...
Tanta "coisa" por dizer, escrever, mas vou rendendo-me à preguiça e à passividade de me deixar levar pela televisão ou por actividades infrutíferas. E de tantas actividades infrutíferas, sou eu, agora, que não dou frutos.
Vou voltar, um dia, maior, melhor, mas hoje sou apenas isto, três parágrafos, palavras, cansaço e duas mãos.
Tanta "coisa" por dizer, escrever, mas vou rendendo-me à preguiça e à passividade de me deixar levar pela televisão ou por actividades infrutíferas. E de tantas actividades infrutíferas, sou eu, agora, que não dou frutos.
Vou voltar, um dia, maior, melhor, mas hoje sou apenas isto, três parágrafos, palavras, cansaço e duas mãos.
2009-12-24
2009-12-16
Onde quer que estejas
Meus braços quentes
num corpo que nunca toquei,
assim caminho na tua ausência.
num corpo que nunca toquei,
assim caminho na tua ausência.
Clamo um nome à cor que não te dei
sem saber que o teu silvo,
meu respirar,
é canção de embalar
a quem não abracei…
sem saber que o teu silvo,
meu respirar,
é canção de embalar
a quem não abracei…
2009-11-10
A amar
Há o toque e o tocar,
há o corpo que se contorce
e uma forma no ar
a bailar.
Há o olhar e as mãos,
há o tempo que se evapora
num abraço a vagos vãos
a chorar.
Há algo que procuras,
há perdido em todos os achados
e o sentimento que seguras
no peito
a arfar.
Há ternura e solidão,
há o instante em que te vais
e o calor que deixas cá dentro
a amar...
2009-11-01
Confesso que sinto falta de vir aqui, no entanto espero que seja por um bom motivo (ou que se venha a revelar um) que o tempo me vai roubando para outras paragens...
Fim-de-semana perfeito, com um sábado em terras quentes de Trás-os-Montes, viagem de Mirandela a Vila Real com o pôr-do-Sol e o nascer-da-Lua, estrelas mais perto de nós e uma incursão pela N15 desde a Pousada, com bastante nevoeiro, até Padronelo, para assentar ideias e deixar que aquele misto de noite escura, nevoeiro, solidão e oração levem algumas pétalas. Rematar com um domingo chuvoso, em família com F e tudo o que de bom traz.
Sei que, muitas vezes, perdes-te no quotidiano e mesmo perante tantas ruas tudo te parece um beco sem saída...
Sei-o, porque em nós, que nos tentamos encontrar, mora sempre a dúvida do caminho, a procura do trilho que faça sentido a todos os passos, a todos os olhares... E no meio de tudo isto, se podermos ter uma banda sonora, que seja algo como isto...
Fica bem (sem ponto final, para ser uma "coisa" que dure)
2009-10-23
2009-10-13
2009-10-12
2009-10-01
Coisas não coisas que nos fazem pensar
Sonhador da Montanha Oriah
(The invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah, índio ancião americano, Maio de 1994)
"Não me interessa saber o que você faz para ganhar a vida. Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aquilo pelo qual seu coração anseia. Não me interessa saber a sua idade. Quero saber se você se arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. Quero saber se tocou o âmago de sua dor, se as traições da vida o abriram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor! Quero saber se pode suportar a dor, minha, ou sua, sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se você pode aceitar alegria minha ou sua; se pode dançar com abandono e deixar que o êxtase o domine até as pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. Não me interessa se a história que me conta é a verdade. Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo, se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma. Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida na presença de Deus. quero saber se você pode viver com o fracasso, seu e meu, e ainda, à margem de um lago gritar para a lua prateada: "Posso! "Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem que ser feito pelos filhos. Não me interessa saber quem você é e como veio parar aqui. Quero saber se você ficará comigo no centro do incêndio e não se acovardará. Não me interessa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo mais desmorona. Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se, realmente, gosta da companhia que tem nos momentos vazios."
(The invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah, índio ancião americano, Maio de 1994)
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