2007-12-21

Tenho orgulho "nisto"

Jury Award – First Place
ARE THERE STILL ANY SHEPHERDS?
Dir. Jorge Pelicano, Portugal 2006



















A perfect blend of good cinema and quality research on a subject that generally finds place in academic study and international workshops. The stunning visuals, choice of the protagonist, catchy music, songs with profound lyrics and superbly imaginative editing complements the artful story-telling in the film. We get a profound understanding of the fatigue of those men who are used to the loneliness of the mountains. The filmmakers commitment to the subject and mastery over the cinematic tools have combined well to produce the film that touches the inner chord of the romantic, provides the proverbial food for thought for the intellectual and excellent message recall for others.

2007-12-17

Viagens

Quase perco as mãos para a noite.
O frio não serve de desculpa para não escrever.
Vejo agora que pouco observo. As viagens que fazia em textos eram tão ricas como efémeras, eram e são ainda os sonhos.
Ultimamente não sonho, observo, mas não vejo. Tenho saudades de mim mesmo, escrever tudo o que não sei redigir, sorrir com o olhar e fechar os olhos , dar dois beijos aos sonhos perdidos antes de ter frio e dizer-lhes baixinho: amo-vos.
Tenho a sensação que o barco que estava ancorado no meu coração, onde estavam fundeados os sonhos e seus frutos, vai deslizando pela água para mar alto, onde não sei nadar ou sorrir.

As...

As tua mãos,
as mesmas que embalam o meu sonho,
pousam nos meus ombros
caídos.

As mãos mirradas
e a letra pequena,
saída agora do ventre materno
que é o medo
de ter coragem.

As palavras
plantadas
na terra fértil do pensamento,
os sussurros
que dão voz ao inaudito
em poemas
improváveis.

As futilidades,
as guerras esgrimidas em batalhas não lutadas
no luto
do teu dia.

As noites,
as noites de rumores,
as noites de suores,
as noites que sorvo,
os amores...

As sombras escondidas
que me doem.

As estrelas fugazes
que me constroem...

2007-12-13

De onde sou




















Eu sou daqui... 
Ainda que lá não esteja, 
mesmo quando não 
vou 
lá 
encontro-me por lá.

2007-12-08

Dentro de mim

Dentro de mim habita nevoeiro,
denso e delgado
como uma garra eremita,
que prende na timidez da noite
a leve fuligem
de um braseiro.

Dentro de mim estou, eu,
escondido
num cortinado incolor
com paletas de sons,
numa pauta
de notas coloridas
que iludem a dor
e me silenciam as mãos.

Dentro de mim sorrio,
nadam os soturnos
e os vagos,
os fúteis
e os tragos,
num invólucro sem som,
com sombras
que beijam o papel que me cobre,
nos dias em que
dentro de mim choro.

2007-12-06

Não há duas sem três

O tempo sabe a Natal, mas o quotidiano não tem sabor, é igual a todos os outros dias, um a seguir ao outro, sem nenhum existir, exceptuando o momento actual.

Escrevo num intervalo para beberricar um pouco de chã (tenho que diminuir ao café), tenho a chávena da thermos à minha frente e o calor que emana dá-me sono (isto e o facto de estar a dormir pouco). Não tenho qualquer motivo aparente para escrever, tirando o facto de ainda não ter saído do escritório, nem para sentir se a maresia chega aqui ou se de facto o quotidiano sabe a Natal.

Não, tudo igual... E eu ali atrás de uma nuvem a olhar para mim mesmo.

3º Feedback - Pedras revoltas (musicado)

Aos poucos vou conseguindo colocar aqui os momentos do lançamento do livro.
Acabei de receber um vídeo feito por um telemóvel (obrigado Cláudio). A qualidade não é a melhor, mas quis colocar aqui de qualquer forma, para que possam ver e ouvir o magnífico trabalho do Luís.
Convidei-o uma semana antes do lançamento, no dia seguinte já ele tinha escolhido o poema, a forma como o cantar e a melodia. Passados dois dias já eu ouvia a música... E diz ele que não é músico :)
Em breve coloco mais filmagens de outros momentos e desta música também.

Excluído


Veste-me de sonho
a vida
que o frio faz,
não,
não é para ti que olho,
mas para o deserto
que o teu olhar ausente me traz.

As mãos que pendem da vida,
na vida que sorriu
vida frias,
como as minhas mãos
vazias...

Sonhos
e barcos
e aviões de papel,
amigos
e estrelas cadentes
que pendem do vazio,
frio,
quantos mundos cabem ainda
numa só folha de papel?

Pariu-me o mundo
aqui neste muro,
sozinho.

Vive-me
nos olhos do que serei,
veste-me de carinho...

(fotografia de Norberto Valério)

2007-12-03

Reencontros perdidos

Vozes,
silêncios que falam a ausência
de ti,
de mim.

Este corpo inerte,
com sussurros no peito
e um gelo,
que derrete
por ti,
por mim.

Uma mão quente,
reencontros desencontrados, na vida
que palpita
em ti,
em mim.

A tristeza,
o sorriso que pende do teu olhar,
que pede mãos
e na penúria leveza
de ti,
de mim.

O agri-doce,
o sabor inodoro de sentidos
que o céu cozinha
na tua alma,
por ti,
por mim.

A cadência do infinito,
o Universo que é um sorriso teu
como meu é o pôr-do-Soal
em ti,
apenas em ti...

2007-12-01

Quando eu era como eu fui

A Ana encontrou montes de folhas de coisas, mesmo coisas, que escrevi. Olhar para trás e ler, ver, sentir aquilo que fui, é bastante estranho. Sou eu, sim, mas não o eu que se formou. Sinto-me como uma casa, autoconsciente, que se olha enquanto tijolo, alicerce ou cimento e não se reconhece. Aquilo ali, sabes, direi eu a alguém que me guarde as tardes frias quando os meus olhos dormirem, aquilo ali também fui eu.

São uma série de contos, alguns que gosto e talvez os venha a digitar aqui, enquanto posts, poemas e algumas coisas escritas, em forma de desabafo. Embora não tenha passado muito tempo, é curioso, para mim, não se esqueçam que este post é para eu mesmo ver quando eu era como eu fui, olhar para trás, para o dia de ontem que já não existe e constatar que muito do que escrevi ficou preso pelo caminho, sombras e silvas gastas e secas, velhas e mortas.

Há muitos anos, sim, mesmo muitos, nos primórdios do meu namoro com a Ana, ela, conhecendo a minha artéria (em contraste com a veia) poética, compilou (ou seja, recolheu e digitou, pois sempre escrevi bastante "à mão") e imprimiu tudo num registo em tudo semelhante a um livro... Só agora constato que esta ideia de escrever para um livro, ao invés de escrever para um caderno, é antiga e teve uma primeira edição nos idos anos de quanto eu era como eu fui.

Cheguei há pouco de ver o Sérgio Godinho. Há pessoas que tratam bem as palavras, não há?
Ele falava e tudo era esclarecedor, mas quando tocava, quando as mãos batiam nas cordas e as faziam vibrar, as notas desprendiam-se e saltavam, voando como restos de fogo-de-artifício numa noite de arraial. Algumas pareciam ter vida, brilhando, batendo no tecto, nas paredes, dividindo-se em várias ou pura e simplesmente apagando-se poucos instantes depois de se soltarem. Por que será que algumas notas têm vida? Quem as alimenta? Será quem as canta, quem as ouve, quem as sustém no peito e no olhar?

A maior virtude do lançamento do meu livro, da "cerimónia" propriamente dita, é ter possibilitado retomar o contacto com amigos de longa data, tão longa que lembro-me deles desde que me lembro ser pessoa (mesmo de outras vidas enquanto pessoa). Fico feliz, intimamente, sem floreados ou pseudo-arquétipos, por ser como sou e ter muitos e bons amigos.

Ah! Já não me incomoda o facto de eu querer "falar" sobre a amizade e outras "coisas" que são o combustível do meu coração e não o conseguir. Há coisas que não se falam, não se escrevem, apenas se são. E estas coisas não são coisas.

O passar das horas não costuma perdoar e embora eu saiba que não existem, saber que elas sucumbem a cada 60 segundos conquista-me o respeito. É por elas, pelas horas, que vou desligar o computador e dormir...
e também porque a Ana já aqueceu a cama :)

2007-11-30

2º Feedback (apresentação surpresa)

Sei que não estiveste lá apenas porque não pudeste, mas não queria deixar passar em claro a apresentação surpresa que a minha irmã Anabela e a Ana me fizeram no lançamento, no início... Fiquei sem palavras.

2º Feedback (apresentação surpresa)

Sei que não estiveste lá apenas porque não pudeste, mas não queria deixar passar em claro Eis a apresentação surpresa que a minha irmã Anabela e a Ana me fizeram no lançamento, no início... Fiquei sem palavras.

1º Feeback do lançamento

Olá.
São 1:43 da noite, mas não podia deixar mais um dia sem vir aqui entornar as gotas do bálsamo que foi a noite do lançamento do meu livro.

Tento encontrar um ponto de partida, para falar sobre o lançamento, mas as memórias estão tão presentes e vívidas, que é difícil pegar em apenas uma.
Creio que a melhor forma será ir escrevendo sobre a programação do mesmo e, eventualmente, se as minhas mãos assim o quiserem, irei dando vida a algumas palavras que me ficaram gravadas.
Ao invés do previsto, o lançamento ocorreu no auditório da Casa da Cultura e não na sala multiusos. A decisão, por iniciativa da minha adorada irmã, foi a mais sensata, pois o palco do auditório era mais adequado ao que desejava fazer, nomeadamente a actuação do ballet e a noite iria revelar que foram muitas mais pessoas do que aquelas que eu esperaria.
A noite começou com a apresentação de uma surpresa por parte da minha irmã (em conjunto com a Ana), um filme com música de Mark Knopfler e com imagens e frases referentes ao meu percurso enquanto "pessoa"... Foi comovente... Estou a preparar o vídeo para o youtube e, assim, dar a conhecer a surpresa, a primeira fatia do grande bolo que foi a noite de 24 de Novembro.
Em seguida foram lidos alguns poemas por Fernando Soares... O Fernando Soares é e será, se assim for possível, a única voz dos meus poemas. Há anos que o ouço e sempre pensei (e afirmei à Ana) que sentia que escrevia para a voz dele. Foi com curiosidade que ele me disse que os poemas estavam numa forma que ele gosta de ler. De facto, não há acasos...
Depois foi a vez do André, meu amigo de infância, apresentar o autor (eu mesmo, para quem não sabe), com palavras que me comoveram, sentidas e que eu muito agradeço. É bom saber a forma com que os outros nos vêm... É bom ser teu amigo, André.
Em seguida foi a vez do Fernando Soares declamar mais poemas, da forma como apenas ele sabe e consegue.
Foi a vez, de seguida, do Norberto, bom amigo, apresentar o livro... Ao longo de cerca de 30 minutos, cativou todos os presentes e, acima de tudo, surpreendeu-me pelo trabalho de pesquisa que fez, pela forma como encarou o meu convite e pela surpresa no final... Sendo ele, tal como eu, adepto do documentário "Ainda há Pastores?", tomou a iniciativa de contactar o Jorge Pelicano, realizador do documentário, que enviou uma mensagem para mim, lida no final da intervenção do documentário. Confesso que as lágrimas me vieram aos olhos... A mensagem que o Jorge Pelicano foi a seguinte:
"Caro Miguel.
Isto é uma espécie de surpresa a meias com o amigo Norberto.
Queria felicitar-te neste dia especial que estás a passar. Editar um livro, um CD ou um filme é como um filho que nasce. São momentos inesquecíveis aqueles que se vivem neste dias. É o culminar de todo um trabalho, de um ultrapassar de barreiras, de dúvidas, mas também de muitas certezas.Sei o que isso é. "Ainda há pastores?", o meu primeiro filme é a prova disso mesmo. No final esboçamos um leve sorriso e comunicamos com nós próprios e dizemos - "valeu a pena".
É isso que desejo para contigo próprio. Que digas - "valeu a pena". Que valeu apena lutar, que valeu a pena acreditar. Hoje estás mais rico. Felicidades e parabéns por esta tua pequena fortuna.

Jorge Pelicano
Realizador documentário "Ainda há pastores?"

Depois entrou em cena o Fernando Soares, semeando mais poemas com a voz dele e, em seguida, o meu amigo Luís cantou e tocou à viola um poema do livro (Pedras Revoltas)... Foi um momento muito bonito e há coisas que são talhadas para determinadas ocasiões. Andava com o desejo de alguém cantar e tocar um poema meu e a uma semana do lançamento não tinha, ainda, ninguém que o fizesse. E, de repente, a Ana lembrou-se do Luís! Seria imperdoável se eu me esquecesse dele :) A verdade é que de um dia para o outro o Luís tinha escolhido um dos poemas que eu lhe dei e ao final do dia tinha a melodia na cabeça... Quem sabe, sabe, não é?

Depois do Luís foi a minha vez de falar... Ninguém imagina os nervos que sentia, mas depois de começar a falar (lembro-me de ter começado com "estava tudo a correr tão bem...") tudo se desenrolou e durante uns 20 minutos falei como há muito tempo não me lembrava de falar... Tinha preparado um guião, mas coloquei-o de lado e deixei que o ambiente falasse por mim... Foi tão mágico...

Depois de mim entraram quatro alunas da escola de dança/ballet do Centro Social de Cête, que dançaram ao som de uma música Celta, lindíssima (obrigado professora Joana)... Em breve deixo também aqui a música que elas dançaram.

E para terminar, falei um pouco mais e deixei uma frase exibida no fundo do auditório, que era a seguinte:
No imenso livro da minha vida
Todos vocês são pequenas letras
que formam as palavras do meu mais belo poema:
Amizade...

(Bolas, já são 2:09)

Todos os meus amigos e família aplaudiram, eu agradeci, desci do palco e fui abraçar e beijar todas aquelas pessoas que me fizeram sentir tão feliz...

A Casa da Cultura preparou um Porto de Honra e eu estive a fazer dedicatórias nos livros que estavam à venda (tive que pedir mais à editora)...

Acima de tudo, esta foi a noite em que eu bebi, comi, senti e amei o Amor... Não existia mais nada além do amor, foi inacreditável e sei que falo por todos (cerca de 90 pessoas) que estiveram presentes ao dizer que foi uma noite, um momento inesquecível...

Foi único, poderá mesmo ser o único momento em que me verei em tal posição, mas foi meu e não há momento em que não abrace todo o sentimento, toda a energia, todo o calor humano que estava naquela sala.

Isto foi o que se passou, com mais ou menos sono tinha que o deixar aqui escrito... Amanhã ou depois deixo escrito o que de facto eu vi e vivi.

Obrigado a todos, especialmente aos que estão "Para lá do que vejo".

2007-11-23

Ausente


Não tem sido fácil, o tempo, sempre o tempo, escasso para escrever, contar, ler e viver... Prometo que daqui para a frente será diferente... Até lá, tenham um bom fim-de-semana.

Fiquem bem.

2007-11-12

Lançamento "Para lá do que vejo"

Olá.

O meu livro de poesia “Para lá do que vejo” (Corpos Editora) vai estar na
sala multiusos da Casa da Cultura de Paredes, no dia 24 de Novembro às 21:30, à espera que o teu olhar repouse em algumas das letras e palavras que também fizeste nascer.
Mais do que o lançamento, será um momento para ter os meus amigos por perto
durante alguns minutos e, por isso, se puderes, terei muito gosto em ter-te lá.

Percorro,

em passo incerto,

as rimas que tombam

sobre este dia,

o momento em que desperto

e quase morro

tem um nome:

poesia.


Fica bem,

José Miguel Gomes



2007-11-04

Voz

Pinto o vazio
que enche as palavras
de vida
e ausência,
procuro
um enigma
que ouço sussurrar na noite,
enquanto insiro o mundo
nesta casca de noz
escrevo o silêncio
onde só tu,
amigo,
poderás dar a Voz.

2007-11-02

Apresentação "Para lá do que vejo"

Olá.

Posso já adiantar que o lançamento do livro "Para lá do que vejo" irá realizar-se na Casa da Cultura de Paredes, dia 24 de Novembro às 21:30.


Ainda não tenho o convite pronto, mas considera-te convidado(a).

2007-11-01

Ainda há pastores?

Pouso as nuvens nos socalcos libertos,
o vento frio
acompanha o voo de um sonho
do tamanho do mundo,
no teu punho aberto.

Os arados
e pastagens nuas
e cruas
que ninguém navega,
os fantasmas
habitantes dos lares que construíram,
tudo dorme
enquanto a vida espera por dias melhores,
ainda há pastores?

2007-10-31

Oração solitária

Pende-te um rosário invisível
das mãos
e a vida,
contas as contas gastas
enrolando-as
nos dedos cobertos de rugas
e calos,
de os teres sabes já de cor
anos e meses
e dores.

Fogem-te os movimentos
de doenças e maleitas
que não sabes
o nome,
de vago e vazio
teu estômago não sabe
o que é a fome,
trajas de preto no dia
porque a noite te levou a matiz
quanto teu Sol partiu
para longe,
em terra cujo nome não se diz.

Onde guardas a juventude?
Quantas desfolhadas e vindimas
e madrugadas de geada,
quantas?
O teu mundo repousa
nos dias que trazes nos olhos
que inundam
quando o bailado das searas
te faz viver os sonhos,
mas estes são um,
um só,
cravo não florido no jardim das tuas mãos agrestes.

Fechas os olhos,
uma mais
com a força da idade
para que cheguem ao céu,
as voltas do mundo que trazes no coração
são histórias vívidas
que nunca esmaecem,
são atilhos curtidos
que comandam e afagam
cada letra invisível
na minha mão.

2007-10-29

Hold me

Tombaste quando o vento amainou,
as vozes ameaçaram
em tom de medo
e segredo,
nos dias azuis
a ânsia de ser o espelho
de outras faces,
saberás tu que a ignorância que plantas
na sementeira da vaidade
tem gosto a vermelho
sangue
vivo?

Os corpos que empurras
contra o calor
da saudade
têm fome de amar,
exibem a desnuda pele
e saliências
que desconheces existirem,
o culto que regrides
em tardes sentadas são sonetos
e poemas
que não agradeces,
apenas te entregas ao devaneio
de sentir o amor
contra o teu seio.