2007-11-30
2º Feedback (apresentação surpresa)
Sei que não estiveste lá apenas porque não pudeste, mas não queria deixar passar em claro a apresentação surpresa que a minha irmã Anabela e a Ana me fizeram no lançamento, no início... Fiquei sem palavras.
2º Feedback (apresentação surpresa)
Sei que não estiveste lá apenas porque não pudeste, mas não queria deixar passar em claro
Eis a apresentação surpresa que a minha irmã Anabela e a Ana me fizeram no lançamento, no início... Fiquei sem palavras.
1º Feeback do lançamento
Olá.
São 1:43 da noite, mas não podia deixar mais um dia sem vir aqui entornar as gotas do bálsamo que foi a noite do lançamento do meu livro.
Tento encontrar um ponto de partida, para falar sobre o lançamento, mas as memórias estão tão presentes e vívidas, que é difícil pegar em apenas uma.
Creio que a melhor forma será ir escrevendo sobre a programação do mesmo e, eventualmente, se as minhas mãos assim o quiserem, irei dando vida a algumas palavras que me ficaram gravadas.
Ao invés do previsto, o lançamento ocorreu no auditório da Casa da Cultura e não na sala multiusos. A decisão, por iniciativa da minha adorada irmã, foi a mais sensata, pois o palco do auditório era mais adequado ao que desejava fazer, nomeadamente a actuação do ballet e a noite iria revelar que foram muitas mais pessoas do que aquelas que eu esperaria.
A noite começou com a apresentação de uma surpresa por parte da minha irmã (em conjunto com a Ana), um filme com música de Mark Knopfler e com imagens e frases referentes ao meu percurso enquanto "pessoa"... Foi comovente... Estou a preparar o vídeo para o youtube e, assim, dar a conhecer a surpresa, a primeira fatia do grande bolo que foi a noite de 24 de Novembro.
Em seguida foram lidos alguns poemas por Fernando Soares... O Fernando Soares é e será, se assim for possível, a única voz dos meus poemas. Há anos que o ouço e sempre pensei (e afirmei à Ana) que sentia que escrevia para a voz dele. Foi com curiosidade que ele me disse que os poemas estavam numa forma que ele gosta de ler. De facto, não há acasos...
Depois foi a vez do André, meu amigo de infância, apresentar o autor (eu mesmo, para quem não sabe), com palavras que me comoveram, sentidas e que eu muito agradeço. É bom saber a forma com que os outros nos vêm... É bom ser teu amigo, André.
Em seguida foi a vez do Fernando Soares declamar mais poemas, da forma como apenas ele sabe e consegue.
Foi a vez, de seguida, do Norberto, bom amigo, apresentar o livro... Ao longo de cerca de 30 minutos, cativou todos os presentes e, acima de tudo, surpreendeu-me pelo trabalho de pesquisa que fez, pela forma como encarou o meu convite e pela surpresa no final... Sendo ele, tal como eu, adepto do documentário "Ainda há Pastores?", tomou a iniciativa de contactar o Jorge Pelicano, realizador do documentário, que enviou uma mensagem para mim, lida no final da intervenção do documentário. Confesso que as lágrimas me vieram aos olhos... A mensagem que o Jorge Pelicano foi a seguinte:
"Caro Miguel.
Isto é uma espécie de surpresa a meias com o amigo Norberto.
Queria felicitar-te neste dia especial que estás a passar. Editar um livro, um CD ou um filme é como um filho que nasce. São momentos inesquecíveis aqueles que se vivem neste dias. É o culminar de todo um trabalho, de um ultrapassar de barreiras, de dúvidas, mas também de muitas certezas.Sei o que isso é. "Ainda há pastores?", o meu primeiro filme é a prova disso mesmo. No final esboçamos um leve sorriso e comunicamos com nós próprios e dizemos - "valeu a pena".
É isso que desejo para contigo próprio. Que digas - "valeu a pena". Que valeu apena lutar, que valeu a pena acreditar. Hoje estás mais rico. Felicidades e parabéns por esta tua pequena fortuna.
Jorge Pelicano
Realizador documentário "Ainda há pastores?"
Depois entrou em cena o Fernando Soares, semeando mais poemas com a voz dele e, em seguida, o meu amigo Luís cantou e tocou à viola um poema do livro (Pedras Revoltas)... Foi um momento muito bonito e há coisas que são talhadas para determinadas ocasiões. Andava com o desejo de alguém cantar e tocar um poema meu e a uma semana do lançamento não tinha, ainda, ninguém que o fizesse. E, de repente, a Ana lembrou-se do Luís! Seria imperdoável se eu me esquecesse dele :) A verdade é que de um dia para o outro o Luís tinha escolhido um dos poemas que eu lhe dei e ao final do dia tinha a melodia na cabeça... Quem sabe, sabe, não é?
Depois do Luís foi a minha vez de falar... Ninguém imagina os nervos que sentia, mas depois de começar a falar (lembro-me de ter começado com "estava tudo a correr tão bem...") tudo se desenrolou e durante uns 20 minutos falei como há muito tempo não me lembrava de falar... Tinha preparado um guião, mas coloquei-o de lado e deixei que o ambiente falasse por mim... Foi tão mágico...
Depois de mim entraram quatro alunas da escola de dança/ballet do Centro Social de Cête, que dançaram ao som de uma música Celta, lindíssima (obrigado professora Joana)... Em breve deixo também aqui a música que elas dançaram.
E para terminar, falei um pouco mais e deixei uma frase exibida no fundo do auditório, que era a seguinte:
No imenso livro da minha vida
Todos vocês são pequenas letras
que formam as palavras do meu mais belo poema:
Amizade...
(Bolas, já são 2:09)
Todos os meus amigos e família aplaudiram, eu agradeci, desci do palco e fui abraçar e beijar todas aquelas pessoas que me fizeram sentir tão feliz...
A Casa da Cultura preparou um Porto de Honra e eu estive a fazer dedicatórias nos livros que estavam à venda (tive que pedir mais à editora)...
Acima de tudo, esta foi a noite em que eu bebi, comi, senti e amei o Amor... Não existia mais nada além do amor, foi inacreditável e sei que falo por todos (cerca de 90 pessoas) que estiveram presentes ao dizer que foi uma noite, um momento inesquecível...
Foi único, poderá mesmo ser o único momento em que me verei em tal posição, mas foi meu e não há momento em que não abrace todo o sentimento, toda a energia, todo o calor humano que estava naquela sala.
Isto foi o que se passou, com mais ou menos sono tinha que o deixar aqui escrito... Amanhã ou depois deixo escrito o que de facto eu vi e vivi.
Obrigado a todos, especialmente aos que estão "Para lá do que vejo".
São 1:43 da noite, mas não podia deixar mais um dia sem vir aqui entornar as gotas do bálsamo que foi a noite do lançamento do meu livro.
Tento encontrar um ponto de partida, para falar sobre o lançamento, mas as memórias estão tão presentes e vívidas, que é difícil pegar em apenas uma.
Creio que a melhor forma será ir escrevendo sobre a programação do mesmo e, eventualmente, se as minhas mãos assim o quiserem, irei dando vida a algumas palavras que me ficaram gravadas.
Ao invés do previsto, o lançamento ocorreu no auditório da Casa da Cultura e não na sala multiusos. A decisão, por iniciativa da minha adorada irmã, foi a mais sensata, pois o palco do auditório era mais adequado ao que desejava fazer, nomeadamente a actuação do ballet e a noite iria revelar que foram muitas mais pessoas do que aquelas que eu esperaria.
A noite começou com a apresentação de uma surpresa por parte da minha irmã (em conjunto com a Ana), um filme com música de Mark Knopfler e com imagens e frases referentes ao meu percurso enquanto "pessoa"... Foi comovente... Estou a preparar o vídeo para o youtube e, assim, dar a conhecer a surpresa, a primeira fatia do grande bolo que foi a noite de 24 de Novembro.
Em seguida foram lidos alguns poemas por Fernando Soares... O Fernando Soares é e será, se assim for possível, a única voz dos meus poemas. Há anos que o ouço e sempre pensei (e afirmei à Ana) que sentia que escrevia para a voz dele. Foi com curiosidade que ele me disse que os poemas estavam numa forma que ele gosta de ler. De facto, não há acasos...
Depois foi a vez do André, meu amigo de infância, apresentar o autor (eu mesmo, para quem não sabe), com palavras que me comoveram, sentidas e que eu muito agradeço. É bom saber a forma com que os outros nos vêm... É bom ser teu amigo, André.
Em seguida foi a vez do Fernando Soares declamar mais poemas, da forma como apenas ele sabe e consegue.
Foi a vez, de seguida, do Norberto, bom amigo, apresentar o livro... Ao longo de cerca de 30 minutos, cativou todos os presentes e, acima de tudo, surpreendeu-me pelo trabalho de pesquisa que fez, pela forma como encarou o meu convite e pela surpresa no final... Sendo ele, tal como eu, adepto do documentário "Ainda há Pastores?", tomou a iniciativa de contactar o Jorge Pelicano, realizador do documentário, que enviou uma mensagem para mim, lida no final da intervenção do documentário. Confesso que as lágrimas me vieram aos olhos... A mensagem que o Jorge Pelicano foi a seguinte:
"Caro Miguel.
Isto é uma espécie de surpresa a meias com o amigo Norberto.
Queria felicitar-te neste dia especial que estás a passar. Editar um livro, um CD ou um filme é como um filho que nasce. São momentos inesquecíveis aqueles que se vivem neste dias. É o culminar de todo um trabalho, de um ultrapassar de barreiras, de dúvidas, mas também de muitas certezas.Sei o que isso é. "Ainda há pastores?", o meu primeiro filme é a prova disso mesmo. No final esboçamos um leve sorriso e comunicamos com nós próprios e dizemos - "valeu a pena".
É isso que desejo para contigo próprio. Que digas - "valeu a pena". Que valeu apena lutar, que valeu a pena acreditar. Hoje estás mais rico. Felicidades e parabéns por esta tua pequena fortuna.
Jorge Pelicano
Realizador documentário "Ainda há pastores?"
Depois entrou em cena o Fernando Soares, semeando mais poemas com a voz dele e, em seguida, o meu amigo Luís cantou e tocou à viola um poema do livro (Pedras Revoltas)... Foi um momento muito bonito e há coisas que são talhadas para determinadas ocasiões. Andava com o desejo de alguém cantar e tocar um poema meu e a uma semana do lançamento não tinha, ainda, ninguém que o fizesse. E, de repente, a Ana lembrou-se do Luís! Seria imperdoável se eu me esquecesse dele :) A verdade é que de um dia para o outro o Luís tinha escolhido um dos poemas que eu lhe dei e ao final do dia tinha a melodia na cabeça... Quem sabe, sabe, não é?
Depois do Luís foi a minha vez de falar... Ninguém imagina os nervos que sentia, mas depois de começar a falar (lembro-me de ter começado com "estava tudo a correr tão bem...") tudo se desenrolou e durante uns 20 minutos falei como há muito tempo não me lembrava de falar... Tinha preparado um guião, mas coloquei-o de lado e deixei que o ambiente falasse por mim... Foi tão mágico...
Depois de mim entraram quatro alunas da escola de dança/ballet do Centro Social de Cête, que dançaram ao som de uma música Celta, lindíssima (obrigado professora Joana)... Em breve deixo também aqui a música que elas dançaram.
E para terminar, falei um pouco mais e deixei uma frase exibida no fundo do auditório, que era a seguinte:
No imenso livro da minha vida
Todos vocês são pequenas letras
que formam as palavras do meu mais belo poema:
Amizade...
(Bolas, já são 2:09)
Todos os meus amigos e família aplaudiram, eu agradeci, desci do palco e fui abraçar e beijar todas aquelas pessoas que me fizeram sentir tão feliz...
A Casa da Cultura preparou um Porto de Honra e eu estive a fazer dedicatórias nos livros que estavam à venda (tive que pedir mais à editora)...
Acima de tudo, esta foi a noite em que eu bebi, comi, senti e amei o Amor... Não existia mais nada além do amor, foi inacreditável e sei que falo por todos (cerca de 90 pessoas) que estiveram presentes ao dizer que foi uma noite, um momento inesquecível...
Foi único, poderá mesmo ser o único momento em que me verei em tal posição, mas foi meu e não há momento em que não abrace todo o sentimento, toda a energia, todo o calor humano que estava naquela sala.
Isto foi o que se passou, com mais ou menos sono tinha que o deixar aqui escrito... Amanhã ou depois deixo escrito o que de facto eu vi e vivi.
Obrigado a todos, especialmente aos que estão "Para lá do que vejo".
2007-11-23
Ausente
2007-11-12
Lançamento "Para lá do que vejo"
Olá.
O meu livro de poesia “Para lá do que vejo” (Corpos Editora) vai estar na sala multiusos da Casa da Cultura de Paredes, no dia 24 de Novembro às 21:30, à espera que o teu olhar repouse em algumas das letras e palavras que também fizeste nascer.
Mais do que o lançamento, será um momento para ter os meus amigos por perto durante alguns minutos e, por isso, se puderes, terei muito gosto em ter-te lá.
Percorro,
em passo incerto,
as rimas que tombam
sobre este dia,
o momento em que desperto
e quase morro
tem um nome:
poesia.
Fica bem,
José Miguel Gomes
O meu livro de poesia “Para lá do que vejo” (Corpos Editora) vai estar na sala multiusos da Casa da Cultura de Paredes, no dia 24 de Novembro às 21:30, à espera que o teu olhar repouse em algumas das letras e palavras que também fizeste nascer.
Mais do que o lançamento, será um momento para ter os meus amigos por perto durante alguns minutos e, por isso, se puderes, terei muito gosto em ter-te lá.
Percorro,
em passo incerto,
as rimas que tombam
sobre este dia,
o momento em que desperto
e quase morro
tem um nome:
poesia.
Fica bem,
José Miguel Gomes
2007-11-04
Voz
Pinto o vazio
que enche as palavras
de vida
e ausência,
procuro
um enigma
que ouço sussurrar na noite,
enquanto insiro o mundo
nesta casca de noz
escrevo o silêncio
onde só tu,
amigo,
poderás dar a Voz.
que enche as palavras
de vida
e ausência,
procuro
um enigma
que ouço sussurrar na noite,
enquanto insiro o mundo
nesta casca de noz
escrevo o silêncio
onde só tu,
amigo,
poderás dar a Voz.
2007-11-02
Apresentação "Para lá do que vejo"
Olá.
Posso já adiantar que o lançamento do livro "Para lá do que vejo" irá realizar-se na Casa da Cultura de Paredes, dia 24 de Novembro às 21:30.
Ainda não tenho o convite pronto, mas considera-te convidado(a).
Posso já adiantar que o lançamento do livro "Para lá do que vejo" irá realizar-se na Casa da Cultura de Paredes, dia 24 de Novembro às 21:30.
Ainda não tenho o convite pronto, mas considera-te convidado(a).
2007-11-01
Ainda há pastores?
Pouso as nuvens nos socalcos libertos,
o vento frio
acompanha o voo de um sonho
do tamanho do mundo,
no teu punho aberto.
Os arados
e pastagens nuas
e cruas
que ninguém navega,
os fantasmas
habitantes dos lares que construíram,
tudo dorme
enquanto a vida espera por dias melhores,
ainda há pastores?
o vento frio
acompanha o voo de um sonho
do tamanho do mundo,
no teu punho aberto.
e pastagens nuas
e cruas
que ninguém navega,
os fantasmas
habitantes dos lares que construíram,
tudo dorme
enquanto a vida espera por dias melhores,
ainda há pastores?
2007-10-31
Oração solitária
Pende-te um rosário invisível
das mãos
e a vida,
contas as contas gastas
enrolando-as
nos dedos cobertos de rugas
e calos,
de os teres sabes já de cor
anos e meses
e dores.
Fogem-te os movimentos
de doenças e maleitas
que não sabes
o nome,
de vago e vazio
teu estômago não sabe
o que é a fome,
trajas de preto no dia
porque a noite te levou a matiz
quanto teu Sol partiu
para longe,
em terra cujo nome não se diz.
Onde guardas a juventude?
Quantas desfolhadas e vindimas
e madrugadas de geada,
quantas?
O teu mundo repousa
nos dias que trazes nos olhos
que inundam
quando o bailado das searas
te faz viver os sonhos,
mas estes são um,
um só,
cravo não florido no jardim das tuas mãos agrestes.
Fechas os olhos,
uma mais
com a força da idade
para que cheguem ao céu,
as voltas do mundo que trazes no coração
são histórias vívidas
que nunca esmaecem,
são atilhos curtidos
que comandam e afagam
cada letra invisível
na minha mão.
das mãos
e a vida,
contas as contas gastas
enrolando-as
nos dedos cobertos de rugas
e calos,
de os teres sabes já de cor
anos e meses
e dores.
Fogem-te os movimentos
de doenças e maleitas
que não sabes
o nome,
de vago e vazio
teu estômago não sabe
o que é a fome,
trajas de preto no dia
porque a noite te levou a matiz
quanto teu Sol partiu
para longe,
em terra cujo nome não se diz.
Onde guardas a juventude?
Quantas desfolhadas e vindimas
e madrugadas de geada,
quantas?
O teu mundo repousa
nos dias que trazes nos olhos
que inundam
quando o bailado das searas
te faz viver os sonhos,
mas estes são um,
um só,
cravo não florido no jardim das tuas mãos agrestes.
Fechas os olhos,
uma mais
com a força da idade
para que cheguem ao céu,
as voltas do mundo que trazes no coração
são histórias vívidas
que nunca esmaecem,
são atilhos curtidos
que comandam e afagam
cada letra invisível
na minha mão.
2007-10-29
Hold me
Tombaste quando o vento amainou,
as vozes ameaçaram
em tom de medo
e segredo,
nos dias azuis
a ânsia de ser o espelho
de outras faces,
saberás tu que a ignorância que plantas
na sementeira da vaidade
tem gosto a vermelho
sangue
vivo?
Os corpos que empurras
contra o calor
da saudade
têm fome de amar,
exibem a desnuda pele
e saliências
que desconheces existirem,
o culto que regrides
em tardes sentadas são sonetos
e poemas
que não agradeces,
apenas te entregas ao devaneio
de sentir o amor
contra o teu seio.
as vozes ameaçaram
em tom de medo
e segredo,
nos dias azuis
a ânsia de ser o espelho
de outras faces,
saberás tu que a ignorância que plantas
na sementeira da vaidade
tem gosto a vermelho
sangue
vivo?
Os corpos que empurras
contra o calor
da saudade
têm fome de amar,
exibem a desnuda pele
e saliências
que desconheces existirem,
o culto que regrides
em tardes sentadas são sonetos
e poemas
que não agradeces,
apenas te entregas ao devaneio
de sentir o amor
contra o teu seio.
Quando chega o Inverno
Quando chega o Inverno ou mesmo quando apenas se aproxima, quando o Sol começa o seu período de hibernação e as nuvens se tornam cinzentas, há algures um local perfeito, com uma casa de pedra e xisto, telhado de madeira, telhas que deixam fugir o fumo da lareira, divisões pequenas, mas acolhedoras, paredes mistas de branco, pedra e madeira clara e escura, cozinha de lavrador aquecida pelas brasas, amigos à mesa rindo e putos traquinas a jogarem jogos onde só eles conhecem as regras, pão sobre panos coloridos e canecas de café fumegante, um pátio em xisto e terra depois do alpendre com pilares em madeira e telhas à vista, uma cama de rede e um estendal, uma cadela a dormitar e um vento a levantar…
As luzes ao longe dão vida à aldeia, o terreno não tem redes ou muros, é meu e de todos, vai até onde a relva acaba e se erguem pinheiros e eucaliptos, de onde se tiram umas folhas para a água fervida e se inala, lenha seca recolhida e empilhada e teias de aranha, uns degraus aquecidos pelo tímido Sol onde irei sentar-me e a cadela, ao ver-me sentado, virá deitar-se a meu lado, um poço de água e alguns pássaros atarefados trinando ao desafio…
Sou capaz de sentir o cheiro, de ver todos os sentidos ansiando por se encontrarem…
Está tudo lá, falto apenas eu…
As luzes ao longe dão vida à aldeia, o terreno não tem redes ou muros, é meu e de todos, vai até onde a relva acaba e se erguem pinheiros e eucaliptos, de onde se tiram umas folhas para a água fervida e se inala, lenha seca recolhida e empilhada e teias de aranha, uns degraus aquecidos pelo tímido Sol onde irei sentar-me e a cadela, ao ver-me sentado, virá deitar-se a meu lado, um poço de água e alguns pássaros atarefados trinando ao desafio…
Sou capaz de sentir o cheiro, de ver todos os sentidos ansiando por se encontrarem…
Está tudo lá, falto apenas eu…
2007-10-28
Winter's at my door
Nevava,
fazia frio
como os olhares escuros
de corpos
sem gente lá dentro.
O primeiro abrigo ocupava um vazio
opaco
e bafiento,
as histórias colavam-se aos dedos
e rezavam baixinho
expiando os seus medos.
Não te alcançam
ou tocam,
o hiato entre olhares e mãos é longo,
chama-se dor
e tem nas sombras
e trevas
a sua cor.
A noite traz, sempre, algum amigo
nas gotas do orvalho,
aquelas que se confundem
com os teus olhos molhados
de solidão,
cansados de esperar
e correr
ao encontro de um sereno
turbilhão.
fazia frio
como os olhares escuros
de corpos
sem gente lá dentro.
O primeiro abrigo ocupava um vazio
opaco
e bafiento,
as histórias colavam-se aos dedos
e rezavam baixinho
expiando os seus medos.
Não te alcançam
ou tocam,
o hiato entre olhares e mãos é longo,
chama-se dor
e tem nas sombras
e trevas
a sua cor.
A noite traz, sempre, algum amigo
nas gotas do orvalho,
aquelas que se confundem
com os teus olhos molhados
de solidão,
cansados de esperar
e correr
ao encontro de um sereno
turbilhão.
Seeds
Acordo nos murmúrios das noites,
dos que me oscilam
nos gritos que não solto.
A madrugada ainda não me fez
o tempo
que vou viver,
não nasceu ainda o não
que estende o braço
e alcança,
ao de leve,
a corda que me sustém
contra o abraço.
Quantos gelos
e rios
cabem nos sulcos de uma face?
Ergo estátuas a heróis
solitários,
como os barcos que ancoraram em mim,
nos lugares atados
possuídos e mal fadados,
carregando fardos alheios
e olhares
de poesias apagadas cheios.
Muda-me o sentido,
o rumo,
ou tudo que faça nascer os locais
que surgem
por entre acordes que não sei
dedilhar...
dos que me oscilam
nos gritos que não solto.
A madrugada ainda não me fez
o tempo
que vou viver,
não nasceu ainda o não
que estende o braço
e alcança,
ao de leve,
a corda que me sustém
contra o abraço.
Quantos gelos
e rios
cabem nos sulcos de uma face?
Ergo estátuas a heróis
solitários,
como os barcos que ancoraram em mim,
nos lugares atados
possuídos e mal fadados,
carregando fardos alheios
e olhares
de poesias apagadas cheios.
Muda-me o sentido,
o rumo,
ou tudo que faça nascer os locais
que surgem
por entre acordes que não sei
dedilhar...
2007-10-24
Ver, crescer
Cresces
nos corredores da vida,
enquanto entras
e sais do teu mundo.
Sente a vida no vento
e a eternidade
num só segundo
para que saibas,
amigo,
onde as estrelas te levarem
eu estarei lá,
contigo.
nos corredores da vida,
enquanto entras
e sais do teu mundo.
Sente a vida no vento
e a eternidade
num só segundo
para que saibas,
amigo,
onde as estrelas te levarem
eu estarei lá,
contigo.
Semear felicidade
Nas mãos de Primavera
onde plantas Saber
há, sempre,
um amanhã que sorri.
Encosta o ouvido a uma estrela
e descobre,
ri,
a tua felicidade não chove,
nasce perto,
dentro de ti.
onde plantas Saber
há, sempre,
um amanhã que sorri.
Encosta o ouvido a uma estrela
e descobre,
ri,
a tua felicidade não chove,
nasce perto,
dentro de ti.
Arados sem mãos
A estrada não tem fim,
começa-me nos olhos
fechados
e segue adiante,
entre saídas
de árvores cinzentas e doridas,
avante!,
que ainda não
se acabaram os sonhos!
A terra por arar pariu
um pastor,
dos montes queimados
só a esperança não partiu,
que se lhe agarrava à saia
a dor.
começa-me nos olhos
fechados
e segue adiante,
entre saídas
de árvores cinzentas e doridas,
avante!,
que ainda não
se acabaram os sonhos!
A terra por arar pariu
um pastor,
dos montes queimados
só a esperança não partiu,
que se lhe agarrava à saia
a dor.
2007-10-09
Invisível visão
Estive lá,
mas não me encontrei,
vi os montes e as nuvens
e as nuvens nos montes gravadas,
tal como sonhei.
O brilho esquálido das estrelas
e a brandura física das caravelas,
as linhas pintadas com palavras
e cada uma com o ruído das estrelas
a dançar,
apenas para rimar.
Tenho folhas novas e vazias,
odores desconhecidos
e lençóis de águas frias,
nas mãos os sorrisos idos
e no sorriso
lápis partidos.
Escrevo agora, aqui,
desconexo
confuso,
tudo porque estive lá
e não… não me vi…
mas não me encontrei,
vi os montes e as nuvens
e as nuvens nos montes gravadas,
tal como sonhei.
O brilho esquálido das estrelas
e a brandura física das caravelas,
as linhas pintadas com palavras
e cada uma com o ruído das estrelas
a dançar,
apenas para rimar.
Tenho folhas novas e vazias,
odores desconhecidos
e lençóis de águas frias,
nas mãos os sorrisos idos
e no sorriso
lápis partidos.
Escrevo agora, aqui,
desconexo
confuso,
tudo porque estive lá
e não… não me vi…
2007-09-29
2007-09-27
Al Ua
É tão tarde, eu quero dormir, todas as partes do meu corpo querem dormir, mas eu tinha que vir aqui, tinha que vir dizer-te, antes de qualquer pessoa, antes que olhes e vejas a diferença.
Fui com os meus pais a casa.
Espera.
Enganei-me, tenho que dar um fio condutor a isto, não que seja primordial, mas para que fiques a saber tanto quanto eu e compreendas como tudo aconteceu.
A Ana faz anos, aliás, fez, porque é já dia 27 de Setembro, tivemos, a exemplo do ano anterior, a família toda aqui e, na hora de ir embora, aproveitei e fui com os meus pais a casa deles.
Encontrei, no sábado, umas pilhas para a minha lanterna e e fui munido para a luta com a noite, calções, t-shirt, chinelos de praia e lanterna, a minha companheira quase inseparável.
Ia à frente, iluminando o caminho, mas nem era preciso, a minha amiga Lua estava no seu esplendor, desconfio que esteja apaixonada, tal é o brilho que ostenta.
Deixei os meus pais em casa, fui ao computador que está lá para buscar uns ficheiros que precisava e antes de vir embora, fui dar-lhes um beijo de boa-noite à cama. É nestas alturas que parecem meus filhos.
Venho pelo caminho, iluminei apenas uma zona que tem algum mato, mas mesmo assim piquei-me.
Depois desliguei a lanterna, venho imbuído nos meus pensamentos, algo perdido em conjecturas, ideias e ideais, umas válidas e outras que são apenas lixo/ruído mental.
Parei para ver a Lua, fiquei com a sensação que me chamava, mas não, apenas respondeu ao meu apelo e, pela primeira vez, falou comigo. O que conversamos fica entre nós. Desculpa. Sabes que gosto muito de ti, sim, tu, que me lês agora como se estivesses por cima do meu ombro, mas o que a Lua me disse era apenas para mim, como será para ti quando ela te chamar.
As estrelas rodavam na noite, mas a Lua ficou parada, mesmo depois de conversar comigo. Quando eu estava prestes a vir embora, tentando habituar os olhos à escuridão depois de a olhar, ela disse-me:
- Espera.
Depois voltou-se para cima, como se falassem com ela, ficou contrafeita, mas decidida, resmungou entre dentes "eu sei, mas é só esta vez".
E, olhando agora para mim, convidou
- Queres vir?
Fiquei sem compreender o que me dizia, queria ir onde?
- Lá, mais perto das estrelas” e sorriu…
Embora desconfiado, confiando apenas no sorriso dela, respondi:
- Sim, disse-lhe e ela baixou, desceu à Terra:
- Agarra-te bem, sobe por mim - e, pela primeira vez, fui literalmente à Lua, colocando primeiro o pé direito numa pequena cratera, dei um impulso com o pé esquerdo, erguendo-me, agarrei com a mão direita o rebordo de uma outra cratera e fiquei com a mão esquerda a baloiçar, segurando a lanterna.
A Lua começou a subir, primeiro lentamente, depois mais rápido, fazendo-me balançar um pouco o que me assustou, teria sido sensato aceitar subir? Estava tão alto, as luzes da vila, da cidade, do país eram pontos bem mais pequenos que a luz da minha lanterna na noite mal escurecida.
- Larga-os…
Mas que me dizia ela? Se me largar caía e nem lanterna me valia.
- Não, larga-os, esses medos, confia em mim, desfruta a viagem - e deu uma risada, como se eu fosse uma criança traquina e ela se risse das minhas brincadeiras e rebuliços.
Que faria eu sem os meus medos? Tanta companhia me fizeram. Mas obedeci. Também não iria desobedecer a quem me segurava a uns milhares de metros de altura, não é?
Fiquei a olhar apenas para a Lua, o insólito facto de voar com ela, de ir pendurado pelo espaço, percorrendo o Sistema Solar.
Fiquei assombrado com a quantidade de planetas que ninguém conhece e que guardam mais vida do que mil vezes a vida da Terra! Mas sobre isto, fez-me ela prometer que aguardaria o tempo necessário antes de escrever, até perceber o que era aquilo, a vida noutros locais, noutras vidas.
Disse-me que aquilo era apenas a nota introdutória ao livro da minha vida.
Enfim, cá entre nós, a Lua tem com cada coisa que não é mesmo deste mundo, creio que agora percebo porque surge ela apenas à noite, de dia ninguém a levaria a sério.
E voltamos, foi descendo suavemente, até me deixar perto do local onde me tinha encontrado com ela e, nesse momento, eis que chego à parte que te queria contar, ao descer escorreguei e fiquei pendurado pela mão direita, mas o rebordo da cratera não aguentou, deve estar gasto, creio que ela leva muitas mais pessoas, e não aguentando partiu.
Disse-me para não me preocupar, não era o primeiro a fazê-lo, mas quando ela subiu e retomou o curso natural da sua viagem na noite vi, lá, em determinado momento da sua rotação, falta-lhe um bocado, um bocado que não sendo enorme é visível a olho nu.
Não estranhes, não chames ninguém, sinto-me um pouco envergonhado por ser tão desastrado e ter arrancado um pouco de Lua, desculpa.
Fui com os meus pais a casa.
Espera.
Enganei-me, tenho que dar um fio condutor a isto, não que seja primordial, mas para que fiques a saber tanto quanto eu e compreendas como tudo aconteceu.
A Ana faz anos, aliás, fez, porque é já dia 27 de Setembro, tivemos, a exemplo do ano anterior, a família toda aqui e, na hora de ir embora, aproveitei e fui com os meus pais a casa deles.
Encontrei, no sábado, umas pilhas para a minha lanterna e e fui munido para a luta com a noite, calções, t-shirt, chinelos de praia e lanterna, a minha companheira quase inseparável.
Ia à frente, iluminando o caminho, mas nem era preciso, a minha amiga Lua estava no seu esplendor, desconfio que esteja apaixonada, tal é o brilho que ostenta.
Deixei os meus pais em casa, fui ao computador que está lá para buscar uns ficheiros que precisava e antes de vir embora, fui dar-lhes um beijo de boa-noite à cama. É nestas alturas que parecem meus filhos.
Venho pelo caminho, iluminei apenas uma zona que tem algum mato, mas mesmo assim piquei-me.
Depois desliguei a lanterna, venho imbuído nos meus pensamentos, algo perdido em conjecturas, ideias e ideais, umas válidas e outras que são apenas lixo/ruído mental.
Parei para ver a Lua, fiquei com a sensação que me chamava, mas não, apenas respondeu ao meu apelo e, pela primeira vez, falou comigo. O que conversamos fica entre nós. Desculpa. Sabes que gosto muito de ti, sim, tu, que me lês agora como se estivesses por cima do meu ombro, mas o que a Lua me disse era apenas para mim, como será para ti quando ela te chamar.
As estrelas rodavam na noite, mas a Lua ficou parada, mesmo depois de conversar comigo. Quando eu estava prestes a vir embora, tentando habituar os olhos à escuridão depois de a olhar, ela disse-me:
- Espera.
Depois voltou-se para cima, como se falassem com ela, ficou contrafeita, mas decidida, resmungou entre dentes "eu sei, mas é só esta vez".
E, olhando agora para mim, convidou
- Queres vir?
Fiquei sem compreender o que me dizia, queria ir onde?
- Lá, mais perto das estrelas” e sorriu…
Embora desconfiado, confiando apenas no sorriso dela, respondi:
- Sim, disse-lhe e ela baixou, desceu à Terra:
- Agarra-te bem, sobe por mim - e, pela primeira vez, fui literalmente à Lua, colocando primeiro o pé direito numa pequena cratera, dei um impulso com o pé esquerdo, erguendo-me, agarrei com a mão direita o rebordo de uma outra cratera e fiquei com a mão esquerda a baloiçar, segurando a lanterna.
A Lua começou a subir, primeiro lentamente, depois mais rápido, fazendo-me balançar um pouco o que me assustou, teria sido sensato aceitar subir? Estava tão alto, as luzes da vila, da cidade, do país eram pontos bem mais pequenos que a luz da minha lanterna na noite mal escurecida.
- Larga-os…
Mas que me dizia ela? Se me largar caía e nem lanterna me valia.
- Não, larga-os, esses medos, confia em mim, desfruta a viagem - e deu uma risada, como se eu fosse uma criança traquina e ela se risse das minhas brincadeiras e rebuliços.
Que faria eu sem os meus medos? Tanta companhia me fizeram. Mas obedeci. Também não iria desobedecer a quem me segurava a uns milhares de metros de altura, não é?
Fiquei a olhar apenas para a Lua, o insólito facto de voar com ela, de ir pendurado pelo espaço, percorrendo o Sistema Solar.
Fiquei assombrado com a quantidade de planetas que ninguém conhece e que guardam mais vida do que mil vezes a vida da Terra! Mas sobre isto, fez-me ela prometer que aguardaria o tempo necessário antes de escrever, até perceber o que era aquilo, a vida noutros locais, noutras vidas.
Disse-me que aquilo era apenas a nota introdutória ao livro da minha vida.
Enfim, cá entre nós, a Lua tem com cada coisa que não é mesmo deste mundo, creio que agora percebo porque surge ela apenas à noite, de dia ninguém a levaria a sério.
E voltamos, foi descendo suavemente, até me deixar perto do local onde me tinha encontrado com ela e, nesse momento, eis que chego à parte que te queria contar, ao descer escorreguei e fiquei pendurado pela mão direita, mas o rebordo da cratera não aguentou, deve estar gasto, creio que ela leva muitas mais pessoas, e não aguentando partiu.
Disse-me para não me preocupar, não era o primeiro a fazê-lo, mas quando ela subiu e retomou o curso natural da sua viagem na noite vi, lá, em determinado momento da sua rotação, falta-lhe um bocado, um bocado que não sendo enorme é visível a olho nu.
Não estranhes, não chames ninguém, sinto-me um pouco envergonhado por ser tão desastrado e ter arrancado um pouco de Lua, desculpa.
2007-09-20
Guarda-me o sonho
Entrego-me,
nos teus braços meu sonho
a quem um dia chamei filho.
Embala-o,
adormece-o ao som da magia
e das estrelas,
afaga-o com os restos do meu amor
pois a paisagem dos meus olhos
está agora vazia.
Dá-lhe o meu sorriso,
saiba ele que um dia alguém o amou,
com a força da vida
e a ternura
do crepitar das lareiras em noite de Inverno.
E quando ele crescer,
de criança a florir
a rugas de candura a viver,
diz que o amei
mais que um infinito
escondido
na algibeira de uma criança.
Nas sombras despontadas
da árvore dos medos,
entrega-lhe o meu nome
para que saiba, então,
não existe horizonte mais longínquo
que um sonho não vivido
na palma da tua mão...
nos teus braços meu sonho
a quem um dia chamei filho.
Embala-o,
adormece-o ao som da magia
e das estrelas,
afaga-o com os restos do meu amor
pois a paisagem dos meus olhos
está agora vazia.
Dá-lhe o meu sorriso,
saiba ele que um dia alguém o amou,
com a força da vida
e a ternura
do crepitar das lareiras em noite de Inverno.
E quando ele crescer,
de criança a florir
a rugas de candura a viver,
diz que o amei
mais que um infinito
escondido
na algibeira de uma criança.
Nas sombras despontadas
da árvore dos medos,
entrega-lhe o meu nome
para que saiba, então,
não existe horizonte mais longínquo
que um sonho não vivido
na palma da tua mão...
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