2007-11-01

Ainda há pastores?

Pouso as nuvens nos socalcos libertos,
o vento frio
acompanha o voo de um sonho
do tamanho do mundo,
no teu punho aberto.

Os arados
e pastagens nuas
e cruas
que ninguém navega,
os fantasmas
habitantes dos lares que construíram,
tudo dorme
enquanto a vida espera por dias melhores,
ainda há pastores?

2007-10-31

Oração solitária

Pende-te um rosário invisível
das mãos
e a vida,
contas as contas gastas
enrolando-as
nos dedos cobertos de rugas
e calos,
de os teres sabes já de cor
anos e meses
e dores.

Fogem-te os movimentos
de doenças e maleitas
que não sabes
o nome,
de vago e vazio
teu estômago não sabe
o que é a fome,
trajas de preto no dia
porque a noite te levou a matiz
quanto teu Sol partiu
para longe,
em terra cujo nome não se diz.

Onde guardas a juventude?
Quantas desfolhadas e vindimas
e madrugadas de geada,
quantas?
O teu mundo repousa
nos dias que trazes nos olhos
que inundam
quando o bailado das searas
te faz viver os sonhos,
mas estes são um,
um só,
cravo não florido no jardim das tuas mãos agrestes.

Fechas os olhos,
uma mais
com a força da idade
para que cheguem ao céu,
as voltas do mundo que trazes no coração
são histórias vívidas
que nunca esmaecem,
são atilhos curtidos
que comandam e afagam
cada letra invisível
na minha mão.

2007-10-29

Hold me

Tombaste quando o vento amainou,
as vozes ameaçaram
em tom de medo
e segredo,
nos dias azuis
a ânsia de ser o espelho
de outras faces,
saberás tu que a ignorância que plantas
na sementeira da vaidade
tem gosto a vermelho
sangue
vivo?

Os corpos que empurras
contra o calor
da saudade
têm fome de amar,
exibem a desnuda pele
e saliências
que desconheces existirem,
o culto que regrides
em tardes sentadas são sonetos
e poemas
que não agradeces,
apenas te entregas ao devaneio
de sentir o amor
contra o teu seio.

Quando chega o Inverno

Quando chega o Inverno ou mesmo quando apenas se aproxima, quando o Sol começa o seu período de hibernação e as nuvens se tornam cinzentas, há algures um local perfeito, com uma casa de pedra e xisto, telhado de madeira, telhas que deixam fugir o fumo da lareira, divisões pequenas, mas acolhedoras, paredes mistas de branco, pedra e madeira clara e escura, cozinha de lavrador aquecida pelas brasas, amigos à mesa rindo e putos traquinas a jogarem jogos onde só eles conhecem as regras, pão sobre panos coloridos e canecas de café fumegante, um pátio em xisto e terra depois do alpendre com pilares em madeira e telhas à vista, uma cama de rede e um estendal, uma cadela a dormitar e um vento a levantar…
As luzes ao longe dão vida à aldeia, o terreno não tem redes ou muros, é meu e de todos, vai até onde a relva acaba e se erguem pinheiros e eucaliptos, de onde se tiram umas folhas para a água fervida e se inala, lenha seca recolhida e empilhada e teias de aranha, uns degraus aquecidos pelo tímido Sol onde irei sentar-me e a cadela, ao ver-me sentado, virá deitar-se a meu lado, um poço de água e alguns pássaros atarefados trinando ao desafio…
Sou capaz de sentir o cheiro, de ver todos os sentidos ansiando por se encontrarem…
Está tudo lá, falto apenas eu…

2007-10-28

Winter's at my door

Nevava,
fazia frio
como os olhares escuros
de corpos
sem gente lá dentro.

O primeiro abrigo ocupava um vazio
opaco
e bafiento,
as histórias colavam-se aos dedos
e rezavam baixinho
expiando os seus medos.

Não te alcançam
ou tocam,
o hiato entre olhares e mãos é longo,
chama-se dor
e tem nas sombras
e trevas
a sua cor.

A noite traz, sempre, algum amigo
nas gotas do orvalho,
aquelas que se confundem
com os teus olhos molhados
de solidão,
cansados de esperar
e correr
ao encontro de um sereno
turbilhão.

Seeds

Acordo nos murmúrios das noites,
dos que me oscilam
nos gritos que não solto.

A madrugada ainda não me fez
o tempo
que vou viver,
não nasceu ainda o não
que estende o braço
e alcança,
ao de leve,
a corda que me sustém
contra o abraço.

Quantos gelos
e rios
cabem nos sulcos de uma face?

Ergo estátuas a heróis
solitários,
como os barcos que ancoraram em mim,
nos lugares atados
possuídos e mal fadados,
carregando fardos alheios
e olhares
de poesias apagadas cheios.

Muda-me o sentido,
o rumo,
ou tudo que faça nascer os locais
que surgem
por entre acordes que não sei
dedilhar...

2007-10-24

Ver, crescer

Cresces
nos corredores da vida,
enquanto entras
e sais do teu mundo.
Sente a vida no vento
e a eternidade
num só segundo
para que saibas,
amigo,
onde as estrelas te levarem
eu estarei lá,
contigo.

Semear felicidade

Nas mãos de Primavera
onde plantas Saber
há, sempre,
um amanhã que sorri.
Encosta o ouvido a uma estrela
e descobre,
ri,
a tua felicidade não chove,
nasce perto,
dentro de ti.

Arados sem mãos

A estrada não tem fim,
começa-me nos olhos
fechados
e segue adiante,
entre saídas
de árvores cinzentas e doridas,
avante!,
que ainda não
se acabaram os sonhos!

A terra por arar pariu
um pastor,
dos montes queimados
só a esperança não partiu,
que se lhe agarrava à saia
a dor.

2007-10-09

Invisível visão

Estive lá,
mas não me encontrei,
vi os montes e as nuvens
e as nuvens nos montes gravadas,
tal como sonhei.

O brilho esquálido das estrelas
e a brandura física das caravelas,
as linhas pintadas com palavras
e cada uma com o ruído das estrelas
a dançar,
apenas para rimar.

Tenho folhas novas e vazias,
odores desconhecidos
e lençóis de águas frias,
nas mãos os sorrisos idos
e no sorriso
lápis partidos.

Escrevo agora, aqui,
desconexo
confuso,
tudo porque estive lá
e não… não me vi…

2007-09-27

Al Ua

É tão tarde, eu quero dormir, todas as partes do meu corpo querem dormir, mas eu tinha que vir aqui, tinha que vir dizer-te, antes de qualquer pessoa, antes que olhes e vejas a diferença.
Fui com os meus pais a casa. 
Espera. 
Enganei-me, tenho que dar um fio condutor a isto, não que seja primordial, mas para que fiques a saber tanto quanto eu e compreendas como tudo aconteceu. 
A Ana faz anos, aliás, fez, porque é já dia 27 de Setembro, tivemos, a exemplo do ano anterior, a família toda aqui e, na hora de ir embora, aproveitei e fui com os meus pais a casa deles. 
Encontrei, no sábado, umas pilhas para a minha lanterna e e fui munido para a luta com a noite, calções, t-shirt, chinelos de praia e lanterna, a minha companheira quase inseparável. 
Ia à frente, iluminando o caminho, mas nem era preciso, a minha amiga Lua estava no seu esplendor, desconfio que esteja apaixonada, tal é o brilho que ostenta. 
Deixei os meus pais em casa, fui ao computador que está lá para buscar uns ficheiros que precisava e antes de vir embora, fui dar-lhes um beijo de boa-noite à cama. É nestas alturas que parecem meus filhos.
Venho pelo caminho, iluminei apenas uma zona que tem algum mato, mas mesmo assim piquei-me.
Depois desliguei a lanterna, venho imbuído nos meus pensamentos, algo perdido em conjecturas, ideias e ideais, umas válidas e outras que são apenas lixo/ruído mental.
Parei para ver a Lua, fiquei com a sensação que me chamava, mas não, apenas respondeu ao meu apelo e, pela primeira vez, falou comigo. O que conversamos fica entre nós. Desculpa. Sabes que gosto muito de ti, sim, tu, que me lês agora como se estivesses por cima do meu ombro, mas o que a Lua me disse era apenas para mim, como será para ti quando ela te chamar.
As estrelas rodavam na noite, mas a Lua ficou parada, mesmo depois de conversar comigo. Quando eu estava prestes a vir embora, tentando habituar os olhos à escuridão depois de a olhar, ela disse-me: 
- Espera. 
Depois voltou-se para cima, como se falassem com ela, ficou contrafeita, mas decidida, resmungou entre dentes "eu sei, mas é só esta vez".
E, olhando agora para mim, convidou 
- Queres vir?
Fiquei sem compreender o que me dizia, queria ir onde?
- Lá, mais perto das estrelas” e sorriu…
Embora desconfiado, confiando apenas no sorriso dela, respondi:
- Sim, disse-lhe e ela baixou, desceu à Terra:
- Agarra-te bem, sobe por mim - e, pela primeira vez, fui literalmente à Lua, colocando primeiro o pé direito numa pequena cratera, dei um impulso com o pé esquerdo, erguendo-me, agarrei com a mão direita o rebordo de uma outra cratera e fiquei com a mão esquerda a baloiçar, segurando a lanterna.
A Lua começou a subir, primeiro lentamente, depois mais rápido, fazendo-me balançar um pouco o que me assustou, teria sido sensato aceitar subir? Estava tão alto, as luzes da vila, da cidade, do país eram pontos bem mais pequenos que a luz da minha lanterna na noite mal escurecida.
- Larga-os…
Mas que me dizia ela? Se me largar caía e nem lanterna me valia.
- Não, larga-os, esses medos, confia em mim, desfruta a viagem - e deu uma risada, como se eu fosse uma criança traquina e ela se risse das minhas brincadeiras e rebuliços.
Que faria eu sem os meus medos? Tanta companhia me fizeram. Mas obedeci. Também não iria desobedecer a quem me segurava a uns milhares de metros de altura, não é?
Fiquei a olhar apenas para a Lua, o insólito facto de voar com ela, de ir pendurado pelo espaço, percorrendo o Sistema Solar. 
Fiquei assombrado com a quantidade de planetas que ninguém conhece e que guardam mais vida do que mil vezes a vida da Terra! Mas sobre isto, fez-me ela prometer que aguardaria o tempo necessário antes de escrever, até perceber o que era aquilo, a vida noutros locais, noutras vidas. 
Disse-me que aquilo era apenas a nota introdutória ao livro da minha vida. 
Enfim, cá entre nós, a Lua tem com cada coisa que não é mesmo deste mundo, creio que agora percebo porque surge ela apenas à noite, de dia ninguém a levaria a sério.
E voltamos, foi descendo suavemente, até me deixar perto do local onde me tinha encontrado com ela e, nesse momento, eis que chego à parte que te queria contar, ao descer escorreguei e fiquei pendurado pela mão direita, mas o rebordo da cratera não aguentou, deve estar gasto, creio que ela leva muitas mais pessoas, e não aguentando partiu. 
Disse-me para não me preocupar, não era o primeiro a fazê-lo, mas quando ela subiu e retomou o curso natural da sua viagem na noite vi, lá, em determinado momento da sua rotação, falta-lhe um bocado, um bocado que não sendo enorme é visível a olho nu.
Não estranhes, não chames ninguém, sinto-me um pouco envergonhado por ser tão desastrado e ter arrancado um pouco de Lua, desculpa.

2007-09-20

Guarda-me o sonho

Entrego-me,
nos teus braços meu sonho
a quem um dia chamei filho.

Embala-o,
adormece-o ao som da magia
e das estrelas,
afaga-o com os restos do meu amor
pois a paisagem dos meus olhos
está agora vazia.

Dá-lhe o meu sorriso,
saiba ele que um dia alguém o amou,
com a força da vida
e a ternura
do crepitar das lareiras em noite de Inverno.

E quando ele crescer,
de criança a florir
a rugas de candura a viver,
diz que o amei
mais que um infinito
escondido
na algibeira de uma criança.

Nas sombras despontadas
da árvore dos medos,
entrega-lhe o meu nome
para que saiba, então,
não existe horizonte mais longínquo
que um sonho não vivido
na palma da tua mão...

2007-09-18

Cordas

Tenho as mãos frias,
vazias,
num sorriso que desponta na madrugada.

Percorro-te quando as tuas cordas ondulam,
onde o teu trinido
e dedilhar
me fazem chorar...

Entre estrelas

Escrevo
no verso do amor,
nos sulcos das tuas letras,
entre palavras
que me trouxeram
aqui,
ao vai-vem da vida.

2007-09-17

Dois palmos de terra

O vento,
uma margem de um livro,
um regaço de mãe saudade,
uma nuvem sorridente,
quanto mede a ilusão?

Sei-te colorida,
nas tardes de Outono
em que o feno cheira a amor
e as folhas caídas,
mortas,
fermentam nos olhos uma flor.

Há pessoas
sem haver
que vivem num eterno Inverno,
amordaçadas
pelo sussurro da futilidade,
que me chamam
bruxo
e sonhador,
que pensam o mundo
em dois palmos de terra
numa vazia herdade.

Sono,
é nome de entrada
e saída
da vida que adormece,
é visita
que mora atrás das nuvens,
é eterno vagabundo
numa estrela sem dono.

O vento,
um livro numa margem,
saudade de um regaço de mãe,
sorrir para uma nuvem
onde mora a paixão.

Cabe muito,
muito mais,
em cada suspiro
que canto na palma da minha mão.

2007-09-15

Noites claras

Era invisível
o fio
fino
da mão que me manietava,
galopava de estrela em estrela
e caderno em caderno,
para quem o oscilar
da saudade
fosse foice
que rasga a seara a despontar.

Enquanto te escrevem
e violentam
as faces que ofereceste,
sento-te no meu joelho
e conto-te
histórias
e dias
que vivi, mas não sei onde as guardo.

Sei-te em mim
e em ti as noites claras
que se penduram nos meus olhos.

Choro-te só, assim,
quando me beija o vento e tu páras,
para me semeares (passados) sonhos.

2007-09-10

Para lá do que vejo

"Para lá do que vejo" é o nome da minha primeira (e talvez única) aventura literária.

É um pequeno livro com alguns poemas, alguns dos quais estão neste blog (não inclui os mais recentes). Tem capa dura, o que lhe dá uma rigidez que nunca consegui imprimir nos meus poemas.

A data de lançamento está a ser cogitada, mas eu gostaria que fosse para amigos e pouco mais.

A
editora (a quem comprei os livros, claro) está já a aceitar encomendas no site, ainda antes do mesmo entrar em circuito comercial.
Se quiserem encomendar, podem fazê-lo no site da editora, basta acederem a www.corposeditora.com, pesquisar "José Miguel Gomes" e, lá, encomendarem os que quiserem.

Obrigado por terem comentado, apesar de gostar de escrever, os vossos comentários ajudaram a que decidisse passá-los para outro registo. E assim nasceu um sonho, pequeno ou grande é meu e, agora, quero compartilhá-lo convosco.

Fiquem bem.

2007-09-08

Obrigado

Sabes, escrevo, leio comentários e todos, mas mesmo todos, conseguem alegrar-me, mostram-me um pouco daquilo que eu desejo transmitir e que só sei se "chegou" com o vosso feedback.
Ao longo deste tempo nunca cheguei a dizer-te, ao ouvido, para que mais ninguém ouça e as palavras não percam a força e intensidade ao tocarem no vento, a palavra "Obrigado".
Obrigado pelos comentários e o carinho com que sinto cada letra. É bom. É muito bom.

2007-09-07

Disclaimer

Olá, tudo bem?

Ao longo destes anos que tenho escrito aqui, creio nunca ter criado um disclaimer, um elucidar sobre este blog, o que pretendo, a razão do nome e mesmo o porquê do que escrevo e o que tento transmitir.
Agora não posso, apenas porque as letras ficaram do lado de lá da janela, recusam-se entrar no escritório, creio preferirem ir à varanda e olhar as pessoas que passam, em busca de histórias que as acompanham e, assim, namorarem outras letras por momentos, mesmo que apenas as minhas palavras as vejam e nem mesmo eu as conheça. Começa por ser assim, as minhas palavras vêm histórias que não vejo e só depois de elas me descerem aos dedos, letra a letra, e escreverem num papel a sua história é que tenho contacto com o que elas viram.

Escrevo essencialmente deitado, sobre o meu lado esquerdo, com a almofada dobrada para ficar com a cabeça mais alta, mão esquerda a segurar o caderno e a mão direita vergada ao peso das palavras. Geralmente a Ana está a dormir e quando as palavras me cansam os sentidos, as mãos dela sentem-no e repousam sobre as minhas costas, ajudando ao longe as minhas mãos.
Os poemas saem em geral de um só trago, sem grandes exercícios estilísticos à posteriori. Curiosamente e como escrevo momentos antes de dormir, na maioria das vezes não recordo o que escrevi e no dia seguinte rio-me sozinho ao ler, por vezes no trânsito, outras vezes ao tomar o pequeno-almoço.
Dificilmente escrevo textos "corridos" (é só para não escrever prosa) manualmente, quando alguma história me surge nos/aos olhos, pego num caderninho e anoto algumas palavras que, mais tarde, permitirão descer ao arquivo que tenho no coração, seleccionar a história e escrevê-la no computador... Inevitavelmente, tenho muitas histórias arquivadas que nunca escrevi por várias razões, as que mais saltam à (minha) vista são a preguiça (este vírus estival) e o facto de algumas delas necessitarem de um tempo de maturação, do aconchego das batidas do coração e do calor da alma... Tenho histórias escritas cujos apontamentos datam de quando era criança e ia a pé para a escola, quando as árvores eram gigantes e estas histórias surgem sem eu fazer nada por isso, basta passar por uma árvore conhecida, conversar um pouco et voilá, renasce uma história.
Tenho noção da importância do que cada um faz e, por isso mesmo, tento em todas as minhas palavras transmitir algo que deixe mensagem, para mim essencialmente e também para os outros. Sinto que, por vezes, o que escrevo são migalhas no caminho, para não me perder e saber voltar atrás nos meus percursos.
Não tenho pejo em admitir tristeza, frustração, sempre referindo-me a mim mesmo, sem me esconder atrás de máscaras ou de pseudónimos, se eu não admitir em mim aquilo que sou e sinto, nunca serei eu mesmo e se eu não for eu, que será de mim?
Olho a vida muitas vezes como um conto de fadas, um mundo encantado cheio de princesas, castelos e dragões e essa, a Vida, é a maior história que jamais escreverei.
Creio que nunca avisei, neste blog, que a leitura do mesmo pode provocar fantasias e ocasionalmente um sorriso. 
Aliás, quero mesmo isso, um sorriso de quem lê.
Serenismo não é o que sou. 
Serenismo é um termo que gosto, foi proposto para exemplificar uma característica de alguém permanentemente sereno, ciente de tudo o que o rodeia e que perante toda a turbulência exterior consegue manter a calma, a compostura, a integridade consciente e responsável. Quando "digo" responsável é apenas para diferenciar das pessoas cuja calma é mantida porque fogem da turbulência.
Por isso, serenismo, é uma característica que me fascina e cujo exercício tento, ainda que ingloriamente porque, perdoem-me, sou humano e ainda me indigno, frustro, enervo-me, mas acima de tudo sorrio e acredito que o ser humano, eu e tu, pode chegar a ser mais Humano.

A leitura deste blog pode causar sérios distúrbios sociais. Ainda há quem olhe com desconfiança para quem sorri.