2007-08-29

Uivos

Senti o afago lento,
demorado,
das letras sob mim.

Deitei-me num leito só meu,
onde repousam lágrimas
e sorrisos
que tenho para dar.

Que horas são?

O sonho veio leve,
tremeu um pouco
e gemeu
nos frios lençóis,
já as palavras dormiam
encostadas
ao cheiro morno de um papel
virgem,
que luzes soluçam
entre as árvores
que as cingem?

Devolve-me à noite,
aos passos no escuro,
ouve-me nos uivos do teu ser
para que saibas,
ou esqueças
que no fundo dos meus olhos
está vida,
a morrer...

2007-08-28

A sustentável leveza do não ser

Construo-te com tufos de vento,
a tua casa é o vazio
onde a vida é majestade,
teu trono
o infinito
que descansa no horizonte.

Estas palavras
cansadas
perderam a vontade.

Quanto pesam duas lágrimas?

2007-08-24

Perfume(i)

Abracei-te
quando o tempo parou para descansar,
os caminhos cruzavam-se
nos sorrisos,
os céus e as árvores dormiam
à sombra
de uma nuvem.

Que toque é esse?

Bailaram
as partículas do teu manto
quando acordaste,
braços acenavam
em despedida
antes de chegares a lado algum.

As contas do colar
pendiam oscilantes no vazio,
o cabelo afagava o vento
e na palma da mão
ficam as rugas
depois dos rios secarem.

Dá-me o ronronar dos teus portos de abrigo
e soltarei as velas da minha ilusão,
para que sintas o perfume das estrelas,
comigo...

Vi(m)ver

Há determinadas coisas em que acreditamos que são como histórias subliminares em livros desconhecidos. O livro existe, mas a história em que acreditamos está acima do livro.
Quando o mundo que vivo me sufoca e todos os caminhos parecem ser o início de uma íngreme montanha, eu paro, sento-me, pouso os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos. Fecho os olhos e vejo a vida como um longo caminho cujo fim parece estar sempre além da próxima curva. Nesse caminho sou uma nova pessoa a cada novo troço, olhando o chão com diferentes tipos de piso e com novas companhias a cada caminhada, mas sempre com as mesmas árvores, céu e nuvens.
Vou percorrendo o caminho, esquecendo quem fui no troço anterior, lembrando-me de mim e de outros apenas em sonhos e se, por acaso do caminho, encontro quem fui, então esse eu transforma-se em mim mesmo eu, bem, eu vou percorrendo o caminho, na esperança de ser árvore, céu e nuvem simultaneamente.
É tao bom viver vários troços ao longo do caminho e saber que também eu sou sombra de árvore para as nuvens que bailam no céu dos teus olhos.

Vivo-te e não sabia.

2007-08-23

Apelo

Enquanto a música embalava
umas mãos
vazias,
meus olhos não te viam,
sequer sentiam
o prateado socalco da vida.

Umas paredes sujas do respirar,
bafientas
e altas,
suportando os ponteiros de um relógio
hirto demais
cujas horas não respeitavam.

Há montes que nunca me escalaram,
pernoitaram num quente forno
humano,
sucumbindo então à incerteza
do caminho
e um fumegante café,
quase inodoro.

Entre vírgulas e fogos
existem nomes e abraços
que se chamam pelo beijar.

Sentes o apelo?

2007-08-22

Areal

A luz pousava-te nas mãos
ainda antes de seres dia,
enquanto eu era noite
os teus olhos eram como vida
que me sorria.

Tenho saudades de não ter,
o encanto desmistificado
da neblina
sob o teu ser.

2007-08-21

Papagaio de poemas

Saio fora do escritório, noto pela primeira vez que está um vento mais forte do que o usual.
Habituo-me às condições atmosféricas pouco usuais para a época, principalmente quando a temperatura é mais baixa que o normal (eu e o frio...).
Entro novamente no escritório, tinha-me esquecido do caderno onde escrevo alguns poemas. Ao ver-me entrar, o caderno entra em sobressalto, sabe que vou levá-lo comigo, agita-se tentando abrir-se sozinho. Pego nele e encosto-o a mim, acaricio-o, percorro os poucos metros até à porta e pouso-o na palma da minha mão. O vento abre-o e folheia-o, as folhas soltam-se do caderno e juntam-se no ar, formam um aglomerado de poemas, as rimas rimam-se e agarram-se às virgulas, os pontos-finais, em minoria face às reticências, unem-se e formam um desenho, um coração alado.
O vento pegou nele com carinho, ergueu-o e convidou-me a voar...
Segui pelo céu, a princípio com medo, os pés sentiram a liberdade das nuvens e eu nem me atrevi a abrir os olhos, porque é quando os sonhos nos fazem voar, que as mais belas imagens se gravam na palma das mãos.

2007-08-15

Ao sabor de mim

Caminho ao sabor do caminho,
o vento molda-me
as rugas
e as mãos,
sempre as mãos,
que se encolhem quando as tocam outras mãos
que não tacteiam.

O vento acalma-me o sorriso
e ondula nos sonhos
que trago
presos
por um trago de água sem sabor,
como uma frase sem fim
e frio sem frio,
nos calmos
serenos
braços do amor.

2007-08-10

Não vivas

Fecha-te aos olhos,
olha a ténue brisa
ondulante
que segue firme,
saboreia-te,
tacteia a vida em golfadas
de vidas,
serpenteia
em espiral
rumo ao que foste
quando não eras.

Beija
o inefável,
exulta a calma
e a placidez
da tormenta,
ruma à meta
inatingível
que acalenta.

Sorri,
transparece-te ao egocentrismo
centrado
em vão,
adormece-te
ao som do teu olhar
na estrada,
cala-te,
deixa anoitecer o silêncio,
solta as amaras que és,
firma-te
ao vazio dos onirismos
que conduzem as estrelas,
planta-te,
sê das orquídeas
as torgas mais belas.

Some-te em ti,
no espelho
nu,
pula
agora que é noite
e o Sol não sussurra,
simplifica os grãos de areia
do teu oásis deserto.

Para!
Que o lótus se abra
em ti
e a calmaria se abata,
pintaste quadros
oblíquos
que ninguém vê.

Não vivas,
sê…

2007-08-01

Rajadas de Inverno (Pastor)

Trago nas mãos
as mãos
e um cajado invisível,
roço as pernas nas searas
e as searas
no sonho.

O Sol guia-me os passos
e os passos
as sombras.

Um sorrisso pende
de outro sorriso
e chama a vida,
arde-me o odor da terra
numa chama
incolor
chamada vadia.

Corro sem andar,
percorro
os vales que nunca me viram
ou conheceram-me pelo nome,
sou apenas mais
um
Home'!

Fustiga o Inverno
em rajadas de solidão
e bafos nocturnos,
face rosada
despida
de mordaças,
ondulações
que moviam somente
a mente.

Sou-te aquilo que não vivi,
adormeci ao luar
da tristeza,
abri-te as mãos
e o mundo.

Sonho,
se o Outono vier

e nas tuas mãos
eu
morrer,

fecha-me a mão
no cajado
e deita-me sob um castanheiro estrelado,
que sorriam de minha vitória
do sonho
sobre a dor.

Escreve
na alma meu nome,
Pastor.

2007-07-31

Ser de quem?

Sentei-me no sofá, tal como ontem e escrevi algumas linhas. Queria aproveitar o facto de as ideias estarem a aflorar, mas constatei que faltava-me força, os dedos não premiam ritmadamente as teclas, pareciam até com menos vida e não conseguiam fazer florir as palavras.
Escrevia sobre um certo episódio, daqueles que via quando viajava de comboio, mas as personagens pareciam agarradas a outras histórias dentro de mim e mesmo eu, que as adoro reviver, estava com dificuldades em ver por entre o nevoeiro que se levantava,
Desliguei e fechei o portátil, pousei-o na secretária e vim para a cama.
Coloquei o caderno na mesa de cabeceira e li um pouco. Preparava-me para dormir quando o caderno me chamou. Abri-o e escrevi estas linhas, sem saber porquê.
Para tudo há um tempo e o tempo não existe,..
Creio que "têm" razão, somos dos sonhos e não eles de nós, apenas governamos os sorrisos e esses, bem, saber que os posso mandar sorrir em qualquer circunstância faz de mim um rapazinho muito feliz.

2007-07-30

É tarde

É tarde, os dias de calor colocam-me num estado de letargia. Confesso que não gosto de calor por várias razões, algumas prendem-se com a estupidez humana de, assim que chega um pouco de calor, os incêndios iniciarem em força.
Tinha, como sempre, várias coisas para escrever, vários estados de alma (gosto desta combinação de palavras, estado de alma) que capto ao longo desta minha passagem pela vida.
Desligo a luz da sala, local onde estou neste momento, a Ana dorme e ouço os acordes iniciais de Telegraph Road, versão original. A única luz que vejo é o brilho do monitor do portátil. As mãos fogem-me da posição correcta das teclas e demoro mais tempo que o usual para escrever palavras diferentes, mas com o mesmo sentimento.
Domingo. É um dia pouco usual para cerimónias fúnebres, no entanto, vicissitudes de ordem religiosa assim o obrigam. Está calor, os óculos escuros fazem mais sentido, o suor escorre-me pela cara e costas. Morreu o Sr. Faria. É “apenas” mais uma pessoa entre as várias que nascem e morrem no mundo. A vida é como um baloiço, que anda demasiado rápido, mal acabamos de nos sentar e dar balanço, já estamos no ar e a saltar para outros baloiços.
(Fenómeno usual nestas alturas de Verão, ouço ao longe o trepidar do fogo de artificio)
Habituei-me a crescer e a ver as mesmas faces, os mesmos sorrisos nas ruas desta minha aldeia. Cresço, a forma de olhar altera-se apenas porque cresço e é, assim, mais fácil olhar de frente, olhos nos olhos, para as pessoas. Habituei-me a percorrer vários caminhos e cumprimentar, ainda que timidamente, pessoas idosas e novas, em lides domésticas ou profissionais… Ao mesmo tempo que caminhava, o meu carácter, a minha forma de ser e estar foi moldando-se, adaptando-se às ruas e sombras das figueiras e castanheiros. Nestes momentos, em que morre alguém, não penso nas incongruências das vidas, na inconstância da nossa forma de estar cá. Penso, sim, que os nossos olhos ainda estão muito habituados a ver a noite, por isso mesmo não vemos o dia com outros olhos.
Emociono-me com a guarda de honra dos bombeiros, eu que sou um bombeiro que nunca o serei, com a presença de várias pessoas, com o depositar das bandeiras das associações sobre o caixão e o olhar cansado dos familiares.
A esta hora já o Sr. Faria me acena por detrás de uma nuvem. Traz os mesmos óculos, o mesmo chapéu (que levantava em cumprimento), a mesma barriga, braços e pernas, tudo é igual. Perguntei-lhe se tinha pena de ir já, apesar da idade, pois sempre pensei que mesmo não assustando, a morte levava o olhar perdido no capuz negro. Olhou em redor, sacudiu uma nuvem que passava para ver melhor e sorriu, piscou-me o olho e, soprando baixinho ao meu ouvido, disse-me “a vista daqui é mais bonita!”
Fiquei parado, enquanto entravam e saiam do cemitério, gostei das letras que estão no portão, são de 1906, quando Cête ainda se escrevia Cette. Invariavelmente, as pessoas visitam os seus familiares já falecidos, fazem do cemitério um ponto de encontro com a saudade…
É tarde, estou cansado, dói-me a cabeça e queria escrever tanto sobre isto… Vim para aqui com a ideia de deitar algumas histórias a dormir na cama dos meus sonhos, mas as palavras, como sempre, possuem vida própria e decidem como, quando e onde sair e eu, que rio sozinho para as nuvens e vejo amigos que nunca tive ou que já estão do lado de lá das estrelas, obedeço à vontade destes sorrisos que grafam pelas minhas mãos.

A Ana deu-me o DVD “Ainda há pastores?”. Vi apenas dois pequenos trechos e emocionei-me. Tenho que ganhar coragem para o ver, porque aquela vida, aquela sinceridade no olhar das gentes puras faz-me sentir seara, trigo e centeio. Aquelas serras são da minha alma um devaneio.

E, sem que o tempo mo dissesse, fiz já um ano de casado… Esta coisa a que chamam tempo, passa rápido demais, passa bem, mas rápido…
Agora que o sono chega, sonhos acordam… Não escrevo mais, nem tão pouco irei rever o que escrevi, gosto das palavras saídas tal como vieram ao mundo, simples, com ou sem qualidade, mas minhas.
Deixo alguns sonhos gravados na parede na sala, sei que os pinto com uma tinta que só eu possuo e só eu poderei ler. Talvez amanhã me sente e, fechando os olhos, leia aquilo que não escrevo agora.
Agora vou deitar-me, esperar uns momentos para que a sonolência me invada lentamente, suba pelos pés até todo eu ser dormência, até eu me ver no meu corpo de criança crescida e o sussurro da vida me dizer: “anda, acorda para o sonho” e, dando-me a mão, me levar para lá das estrelas, onde todos os meus amigos, que conheci e que ainda hei-de conhecer recebem quem salta dos baloiços.

Os sonhos não são nossos, flutuam e pousam apenas onde e quando querem e eu admiro-os por isso, apesar de querer deitá-los a dormir nos meus braços e levá-los pelo mundo, espalhando-os pelas vidas, como alguém que semeia…


2007-07-24

Quem vive?

As manhãs de Verão frescas parecem-me noites de Outono e isto faz-me feliz.
Sigo semi atento ao que me rodeia, as ultrapassagens, os gestos, as raivas e os sorrisos.
Sinto-me zonzo com o serpentear de vida não vivida à minha frente e fico sem saber: serei eu quem não vive?

2007-07-17

Numa outra altura talvez...

Os sonhos possuem tanto de concreto como as paredes dos castelos que construí em criança. Espreitam por cima das nuvens e acenam-nos, fazem com que acreditemos ser possível, vestimos o nosso melhor fato, ensaiamos o discurso e quando estamos prontos o sonho foge, para se esconder atrás de outra nuvem mais distante...
São várias as nuvens que vou deixando para trás, uma e outra a cada sorriso que passa, para imaginar que um dia, atrás de uma nuvem ainda maior, um sonho mais altivo se erga, talvez construído por todos os que me fugiram...
Amanhã vou novamente para fora, longe dos outros e um pouco de mim mesmo, sem tempo e vontade de abanar a árvore das palavras...

Agora, mais do que sonhar e sorrir para nuvens, apago o candeeiro, viro-me para o lado esquerdo, enterro a cabeça na almofada e fecho com força os meus olhos, à espera que o sono chegue rápido e eu não sinta a minha almofada húmida...
Talvez tente subir a outra nuvem.

2007-07-13

Olá

Olá...
Não pude escrever antes, por isso desculpa...
Uma questão de tempo e cansaço.
Andei sempre com o meu bloco, para anotar as fotografias que não tirei, porque não levei máquina fotográfica.
Hoje estou aqui, no Porto e tudo, mas tudo é diferente, as pessoas, o ar, a paisagem... Às vezes, em dias como este e porque não tenho vergonha de o dizer e ser como sou, sinto saudades, vontade de escrever tudo, sem parar, para pousar numa folha de papel tudo o que trago comigo.
Ainda não tenho tempo de escrever o que quero, aproveito a pausa de almoço e o intervalo antes de ir buscar um material, para vir aqui e pousar umas poucas linhas...
Vou andando... talvez logo ou depois volte aqui, com o caderno das fotografias escritas, para viver de novo o que me faz viver.
Até logo.

2007-07-07

Onde?

Onde poderei pousar o meu olhar,
agora que não vejo?
Vagueio sem viajar
nas sombras que a paisagem planta
à sombra,
nos retalhos verdes
de montes sem gente
com alma
de ser sem se saber
ser.

2007-07-01

have a nice journey home

Vou estar a semana fora, mas nem utilizo o pretexto de "vou ter tempo para escrever" porque sei que não o vou fazer... E também vi. hoje. que perdi todos os poemas (anteriores a este blog) que tinha escrito e guardado no computador... Boa semana.

2007-06-27

Uma noite de Primaveril Inverno

Pouso a caneta com carinho,
deslizo para baixo dos sonhos
e cubro-me com as folhas deste caderno,
encosto a cabeça a sorrisos que vi nascer
e, então, adormeço.

E noite calada murmura-me
mundo distantes
e abraços quentes,
sons abafados que gritam agrilhoados
ecoam em becos,
secos,
de gente e de vida.
A ilusão faz-me companhia,
caminha a meu lado,
dá-me a mão
e pede que sorria,
mas agora que, felizmente, a noite chega,
já os meus sorrisos partiram
presos a um qualquer colorido balão,
cheio com fantasia…

2007-06-01

Dia da Criança

É dia da Criança. 
Este deve ser o único que se pode escrever sempre com letra grande. As crianças não são como os homens, que momentaneamente merecem ter o nome escrito com letra maiúscula. As crianças, de tão pequenas serem, têm o nome sempre escrito em maiúsculas.

Continuo criança na verdadeira acepção da palavra. Sento-me apenas para ver as poças de água da chuva, pouso os cotovelos nos joelhos e apoio a cabeça nas palmas das mãos. Não preciso desfocar a visão para ver paisagens do lado de lá, que se alteram a cada novo pingo de água. Por vezes, salto para dentro da poça e caio num novo mundo e deixo-me andar por lá, falando com os seres que lá habitam.

Continuo criança, simples, que se ri dos nós das gravatas, mas que já não embrulha bens preciosos em folhas de eucalipto para os enterrar debaixo de árvores, como chicletes ou lanternas.

Nunca fui agressivo em relação a nada e continuo a não o ser. Sonho ser poeta e andar pelo mundo, conhecer pessoas de verdade e a verdade das pessoas, alimentar-me com o que encontrar e trocar sonhos por poemas ou comida por um abraço ou um braço forte de trabalho.

Continuo criança, com medo não do escuro, mas de quem se esconde no escuro, das faces fechadas e dos sorrisos de mármore plantados à beira-rio de ilusões.

Continuo criança, a tentar que a luz trémula de uma lanterna chegue aos confins do Cosmos.

Continuo criança, com saudades de querer ter sardas e de ver crescer entre as mãos guitarras imaginárias ou acelerar por pistas de Fórmula 1.


Continuo criança, onde adultos inventam síndromes com nomes de heróis de banda-desenhada.

Continuo criança, com vontade de dar a volta ao mundo na palma da minha mão, de partilhar, dar e receber vida, olhares, falar com quem não conheço, sem medo ou ilusões de ser mais do que sou e ser o que poderei não conhecer e ser.

Continuo criança, com saudades de crianças que tive a sorte de conhecer como professor, de olhares que me moldaram o viver, que mesmo longe me fazem ver e viver melhor.

Continuo criança no sonho de viver em paz com a guerra, de ver nascer das mãos sementes que lançam arco-íris e polvilham o céu com cores que só vejo do lado de lá das poças de água e onde dou apertos de mão firmes.

Continuo criança, sem medo de crescer.

Cobertor

A minha vida assemelha-se a um cobertor pequeno.
Se tapo a cabeça, destapo os pés e vice-versa.