2007-07-17

Numa outra altura talvez...

Os sonhos possuem tanto de concreto como as paredes dos castelos que construí em criança. Espreitam por cima das nuvens e acenam-nos, fazem com que acreditemos ser possível, vestimos o nosso melhor fato, ensaiamos o discurso e quando estamos prontos o sonho foge, para se esconder atrás de outra nuvem mais distante...
São várias as nuvens que vou deixando para trás, uma e outra a cada sorriso que passa, para imaginar que um dia, atrás de uma nuvem ainda maior, um sonho mais altivo se erga, talvez construído por todos os que me fugiram...
Amanhã vou novamente para fora, longe dos outros e um pouco de mim mesmo, sem tempo e vontade de abanar a árvore das palavras...

Agora, mais do que sonhar e sorrir para nuvens, apago o candeeiro, viro-me para o lado esquerdo, enterro a cabeça na almofada e fecho com força os meus olhos, à espera que o sono chegue rápido e eu não sinta a minha almofada húmida...
Talvez tente subir a outra nuvem.

2007-07-13

Olá

Olá...
Não pude escrever antes, por isso desculpa...
Uma questão de tempo e cansaço.
Andei sempre com o meu bloco, para anotar as fotografias que não tirei, porque não levei máquina fotográfica.
Hoje estou aqui, no Porto e tudo, mas tudo é diferente, as pessoas, o ar, a paisagem... Às vezes, em dias como este e porque não tenho vergonha de o dizer e ser como sou, sinto saudades, vontade de escrever tudo, sem parar, para pousar numa folha de papel tudo o que trago comigo.
Ainda não tenho tempo de escrever o que quero, aproveito a pausa de almoço e o intervalo antes de ir buscar um material, para vir aqui e pousar umas poucas linhas...
Vou andando... talvez logo ou depois volte aqui, com o caderno das fotografias escritas, para viver de novo o que me faz viver.
Até logo.

2007-07-07

Onde?

Onde poderei pousar o meu olhar,
agora que não vejo?
Vagueio sem viajar
nas sombras que a paisagem planta
à sombra,
nos retalhos verdes
de montes sem gente
com alma
de ser sem se saber
ser.

2007-07-01

have a nice journey home

Vou estar a semana fora, mas nem utilizo o pretexto de "vou ter tempo para escrever" porque sei que não o vou fazer... E também vi. hoje. que perdi todos os poemas (anteriores a este blog) que tinha escrito e guardado no computador... Boa semana.

2007-06-27

Uma noite de Primaveril Inverno

Pouso a caneta com carinho,
deslizo para baixo dos sonhos
e cubro-me com as folhas deste caderno,
encosto a cabeça a sorrisos que vi nascer
e, então, adormeço.

E noite calada murmura-me
mundo distantes
e abraços quentes,
sons abafados que gritam agrilhoados
ecoam em becos,
secos,
de gente e de vida.
A ilusão faz-me companhia,
caminha a meu lado,
dá-me a mão
e pede que sorria,
mas agora que, felizmente, a noite chega,
já os meus sorrisos partiram
presos a um qualquer colorido balão,
cheio com fantasia…

2007-06-01

Dia da Criança

É dia da Criança. 
Este deve ser o único que se pode escrever sempre com letra grande. As crianças não são como os homens, que momentaneamente merecem ter o nome escrito com letra maiúscula. As crianças, de tão pequenas serem, têm o nome sempre escrito em maiúsculas.

Continuo criança na verdadeira acepção da palavra. Sento-me apenas para ver as poças de água da chuva, pouso os cotovelos nos joelhos e apoio a cabeça nas palmas das mãos. Não preciso desfocar a visão para ver paisagens do lado de lá, que se alteram a cada novo pingo de água. Por vezes, salto para dentro da poça e caio num novo mundo e deixo-me andar por lá, falando com os seres que lá habitam.

Continuo criança, simples, que se ri dos nós das gravatas, mas que já não embrulha bens preciosos em folhas de eucalipto para os enterrar debaixo de árvores, como chicletes ou lanternas.

Nunca fui agressivo em relação a nada e continuo a não o ser. Sonho ser poeta e andar pelo mundo, conhecer pessoas de verdade e a verdade das pessoas, alimentar-me com o que encontrar e trocar sonhos por poemas ou comida por um abraço ou um braço forte de trabalho.

Continuo criança, com medo não do escuro, mas de quem se esconde no escuro, das faces fechadas e dos sorrisos de mármore plantados à beira-rio de ilusões.

Continuo criança, a tentar que a luz trémula de uma lanterna chegue aos confins do Cosmos.

Continuo criança, com saudades de querer ter sardas e de ver crescer entre as mãos guitarras imaginárias ou acelerar por pistas de Fórmula 1.


Continuo criança, onde adultos inventam síndromes com nomes de heróis de banda-desenhada.

Continuo criança, com vontade de dar a volta ao mundo na palma da minha mão, de partilhar, dar e receber vida, olhares, falar com quem não conheço, sem medo ou ilusões de ser mais do que sou e ser o que poderei não conhecer e ser.

Continuo criança, com saudades de crianças que tive a sorte de conhecer como professor, de olhares que me moldaram o viver, que mesmo longe me fazem ver e viver melhor.

Continuo criança no sonho de viver em paz com a guerra, de ver nascer das mãos sementes que lançam arco-íris e polvilham o céu com cores que só vejo do lado de lá das poças de água e onde dou apertos de mão firmes.

Continuo criança, sem medo de crescer.

Cobertor

A minha vida assemelha-se a um cobertor pequeno.
Se tapo a cabeça, destapo os pés e vice-versa.

2007-05-31

A roda

Acabei por iniciar (bela contradição) estas linhas ainda nuas de mim sem dar um título, como se desse à luz uma criança sem lhe saber a forma e o sexo.
Vou adiando o que escrevo, tenho as histórias gravadas a tinta no meu bloco e a fogo nos meus olhos.
Movo-me até aqui, a este editor, onde vou tacteando o teclado aleatoriamente, à espera que as histórias decidam qual será a primeira letra, como se percorresse um índice remissivo e encontrada a letra, toda a palavra emergisse. Mas não, hoje as mãos são minhas, tenho o poder de escolher o que escrever, de me deixar fluir ao som do cantar do cisne.

Por muito que tente. Por muito que saiba que mesmo tentando nunca o irei conseguir. Continuo a pensar que nem com a minha envergadura de braços de quase 2 metros serei capaz de abraçar o mundo e encostar a minha cara a um oceano e sorrir, como uma criança que abraça um presente numa manhã de Natal.

Ainda não dei título a “isto”… E talvez isso tenha influenciado o facto de não conseguir escrever o que queria. Ou talvez seja mesmo eu, que estou verde demais para colher umas palavras que não podem frutificar.

Vejo-te com os olhos cansados, raiados, húmidos e tristes. Já nem falas nos sonhos e isso vê-se, tem-los nos olhos partidos e vitrificados. Por muito que eu saiba que tudo passa, ver-te ser diluído por um mundo que não se importa com ninguém faz-me ter vontade de pilotar uma nuvem, trazer-te nela e levar-te comigo, para o local que não é e ao qual se chega seguindo por um caminho sem direcção ou sentido.

Caminho um pouco pela noite, repouso onde posso, olho as estrelas e o negro espaço entre elas e ofereço a quem queira os meus sonhos como troca para solidificarem os teus.
Deixo que uma ou outra lágrima caia. Chego a casa e fico a olhar-me ao espelho, vejo os teus sonhos nos meus olhos e embora quisesse, eles não saem de mim, liquidificam-se em lágrimas, mas ficam apenas a bailar no meu horizonte privado, não saltam, agarram-se o que podem aos meus olhos, dizendo que saltam apenas quando eu sorrir. Mas quando sorrio, uma porta grande abre-se bem cá dentro e os sonhos partidos caem por lá, para saltarem à boleia de um olhar desconhecido que precise de sonhar.

Não consigo deixar de pensar que a vida é uma grande roda que atropela toda e qualquer pessoa que não consiga ser igual ao seu padrão estereotipado. Mas também não deixo de pensar, que somos nós o bicho que alimenta a roda. Podemos não atropelar, mas não deixamos de dar aos pedais para movimentar a roda.

O título será a roda.

2007-05-21

De onde não estou

Por muito que tente, os meus olhos não são mais do que isto...


(fotos portal de trás-os-montes)

2007-05-06

2007-04-26

Blogger award

O repto foi-me lançado há alguns dias, mas por falta de tempo e pela dificuldade da tarefa, ainda não me tinha dedicado... Mas agora terá que ser... Assim, aqui ficam as minhas escolhas, que possuem vários critérios, mas mesmo assim injustos para os que não nomeei, pois todos os que estão ali, do lado direito do monitor, nos links, mereciam...

Blog do Capelli
Fragilidades
Isso agora
O Bloguinho da Kika
O meu umbigo

2007-04-22

Nas mãos

As noites de Primavera têm a vantagem de serem frescas e arrastarem estrelas cintilantes e uma lua que não sei se é quarto crescente ou minguante. 
Possuem também o condão de me plantarem palavras nas mãos e eu olho para elas, deixo cair os braços ao longo do corpo e compreendo, que apesar da minha altura, de uma envergadura de braços de quase 2 metros, ainda assim os meus braços são pequenos demais para abraçar o mundo.
Não sei se ria ou chore, com esta vontade de ir para algum lado sem sair do local, de escrever poemas em prosa, ou condensar prosa em poemas.

Travos amenos de uns latidos perdidos na noite,
um sorriso num murmúrio
e uma mão apoiada numa estrela.

Um cansaço que teima em cansar,
uns braços que teimam
em gotejar o suor de uns quantos sufrágios.

Estou em crer que o descrédito da canoa está na quantidade de paus que a compõem...

Disseminação

O meu coração começa a ser pequeno para armazenar tanta amizade. 
Como não considero esvaziá-lo de cada vez que conheço novas pessoas, novos amigos, vou recebendo deles a amizade e, ao mesmo tempo, transferindo para eles bocados de mim mesmo e de outros que tenho em mim.

2007-04-20

Have a nice weekend

Sozinho, num quarto duplo, depois de um dia de trabalho, cansado, após um banho e telefonema para a Ana, dá vontade de cantar "So far away" dos Dire Straits, embora o verso "Here I am again in this mean old town" não seja muito justo com Manteigas, cidade/vila bastante aprazível e que, a confiar no placar que vi à entrada, é o concelho com a melhor qualidade de vida do País (escrevo país com letra maiúscula ou minúscula?).

Vinha ontem, quarta-feira, na carrinha e a apreciar a paisagem, as aldeias, vilas e cidades quase sem pessoas, os montes íngremes, os restos de vegetação que resistiram aos incêndios, os carros velhos e os semáforos de controlo de velocidade que não funcionam. Eu, que adoro Trás-os-Montes, faz-me confusão estes montes tão íngremes e agrestes da Serra da Estrela.Chove lá fora, o rio murmura e mais nenhum som, em profundo contraste com outras localidades, mesmo Cête. Pelo ritmo pachorrento do dia e o silêncio da noite, começo a acreditar que aqui, de facto, a qualidade de vida deve ser boa. Nada de polícias ou ladrões, apenas uns cães vadios, um deles com uma saca plástica verde na boca, uns relâmpagos que caem nuns pinheiros e nuvens negras.

2007-04-17

Ocaso(s)

Trago no corpo roupa
cansada
de me usar,
vestida,
além nascida
dos olhos de quem,
quem?

Fecho os olhos,
mas foge-me o sono,
durmo,
mas foge-me o sonho.

Que ocaso
traz de novo o reflexo da vida?

2007-04-16

Verdade

Durmo sentado
à espera que me caia
no colo
a verdade
e me diga:
é mentira!

Ausente

A visão foge-me,
repousa num horizonte imaginário
onde os sonhos moravam,
numa neblina ténue
foram beber meus sentidos
para que não se esqueçam,
também eles são fugazes,
como o olhar passageiro da noite
sobre mim
ou o aceno imaginário
de uma dicotomia sem fim...

2007-04-15

Thinking Blogger Award

antónio paiva said...

Meu caro, pela originalidade e criatividade do teu trabalho, foste nomeado pela nossa pastagem faz com ela o que achares por bem fazer.

Boa semana.


Aparentemente ganhei um Thinking Blogger Award e como tarefa irei nomear em brever cinco blogues...
Amigos, não sei bem o que dizer, escrever e agradecer...
Sabe bem saber que há alguém que partilha a vontade de viver escrevendo, de escrever vivendo e, assim, podermos deixar um pouco de nós em tudo o que faz de nós pessoas, gente!
Fiquem bem,
Miguel Gomes

2007-04-12

Boa noite

Estou moído. É um termo para expressar uma coisa que se sente, que não é bem cansaço físico, é uma espécie de cansaço indefinido.
Sento-me ao computador e tento espremer os dedos nas teclas, para que pinguem algumas histórias diluídas que trago agarradas a mim, mas nada sai. 
O meu pai, estranhando o facto de me ver aqui a esta hora, o que já não é normal depois de casado, veio ter comigo e estivemos um pouco a conversar. 
Os olhos cansados, brilhavam um pouco, não sei se cansaço ou desilusão. Antes disso a minha mãe deu-me uma chávena de leite quente e um pão, um jantar que me sabe a banquete, a hora é avançada e o dever de enviar uns emails chamam-me ao computador.
Agito as mãos, mas as histórias continuas presas a mim agarram-se à minha face e o seu peso forma o que parecem ser olheiras sob os meus olhos. 
Paro e sorrio um pouco.
Apetece-me dizer que a minha casa é o mundo.