2015-04-15

Reinvento a chuva.
Hoje traz-me a memória do abraço, a ombreira da porta, os pingos que se volatizam quando em contacto com o corpo de um outro ser.
A chuva, sempre a chuva, eu, sempre eu.
O apagado semáforo que teima em sair do tricolor destino, a rua fechada e um trabalhador abrigado sobre as memórias de dias mais coloridos.
Olhos semicerrados, as gotículas aquosas de uma quimicidade que não se saber ser água.
Água, sempre água.
As costas encostadas ao húmido vestuário, um autocarro que passa prenhe de passageiros conduzidos pelo destino, o destino, sempre o destino.
Hoje chove, por mim, pelo caderno virtual que abro no deserto com vista para o nada, e por breves momentos, entre água e nevoeiro, juro ter visto um relâmpago e o troar de um trovão que parece chamar por mim. Trovadora, a Natureza canta-me ao ouvido o sussurro de um abrigo sob duas grandes pedras encavalitadas num equilíbrio eterno.
A chuva, sempre a chuva.

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