2014-08-22

Eis-me na gare do sonho. Vão passando entusiasmados por mim, atropelando-se, correndo para novos horizontes, fazem-se assim aqui, aos montes. Param vários, esperam que entre, mas apenas sorrio e digo que não timidamente. O meu sonho faz-se devagar, com a paciência do tempo e a implosão das estrelas.
Lá seguem eles, novos, velhos, entrando e saindo, trocando abraços, beijos aqui e ali. Ouço incrédulo, triste, quando alguém é posto fora, apenas por não ter bilhete para sonhar. A ironia do destino é os bilhetes serem grátis, mas mesmo assim exigíveis para exibir aos fiscais, espécie rara que por asco não pertence aos animais.
O meu sonho é este, imutável, passar pela vida devagarinho, ter a postura de um velho banco de jardim, virado para o mar, ou para onde queiram olhar.
Assim, ao de leve, beber amor em cada passo a dar, para que, um dia, seja o sonho de acordar.

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