2014-05-12

É com as memórias tumefactas que me irei deitar, na cama, talvez na terra, e deixar que a argila se molde a mim e eu renasça por obra de um sopro, orfão de costela.
Talvez assim, semi enraízado, me surjam das mãos pequenos galhos que floresçam um dia quando desfolhar um conto qualquer de Miguel Torga e me adopte, o conto, como cedro, vinha, apeadeiro de abandonos abandonado ou, até, como fraga perpetuamente admiradora de uma paisagem que por imutável me obrigue a descobrir novas pétalas nas mesmas flores.
Carregarei valados acima os cestos das minhas palavras e tentarei semear, com meus parcos conhecimentos de semeadura e agricultura, as palavras que gostaria ver desenhadas nas encostas onde (falta já tão pouco) espero acordar quando pousar este corpo e me erguer, livre, pelo infinito que primeiro me envolver.

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