2014-03-26

Comer o pão que o sonho amassou

Da minha ceia, Senhor,
cabem ainda em mim pregões que não benzi.
Aquilo que chamam vida
já lá mora no sacrário,
em terra de gente cinzenta
resta o branco do sudário,
e a canalhada, inocente, que de tudo ri.
E, eu,
nascido em tempos em que o suor já não fazia a ceifa,
na inocência e na recordação
desejo apenas a côdea da vida
em forma de regueifa.

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