2014-03-19

Barões desarmados

Quem te procura, além da sombra deste poste desiluminado e do caminho buracado. Quem te procura no balançar de uma barca feita de pessoas sem marés vivas, apenas águas estagnadas que se agitam de quando em vez, por exemplo, quando no charco resvala um seixo, um godo, uma palavra, um gesto.
Divida-se a vida e o trabalho, o resto será carta fora do baralho, o quociente demorará a encontrar um percurso, há quem lhe chame legenda, mas, para mim, só há ali fenda por unir, saudade a partir, consciência a parir.
Canto e desencosto-me decassilabicamente sem epopeia,
apenas alma, cheia,
que leva ao que faço:
abraçar os mundos sem dar um passo,
atar-me de constelação em constelação sem um nó,
eu,
sociedade de um homem só.

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