2005-09-06

Noite solitária

A maior parte dos poemas que coloco são fruto de um caminho, são pequenas pedras num rio, que me ajudaram a saltitar de margem em margem à procura de caminhos internos... Não os esqueço e pedem-me eles, agora, que os traga à luz do dia.

Sabes,
a dor que me imobiliza é amor,
é puro-sangue que voa sobre a planície,
e o respirar ofegante da noite faz as searas,
ao seu sabor,
ondular,
mas se o choro que me acomete
purga a certeza da existência
porque devo eu morrer em cada dia
que véu é este que me expõe à demência?

Mergulho no olhar morno e meigo,
o reflexo é meu e do espelho partido,
o sorriso que exibe o Sol esvaiu-se no ocaso
em respostas não perguntadas
pela fibra do tecido o
u vestes que cobrem o fino
e frágil sofrer…

Sabes,
que palavras são estas que tentam sorrir?
Pode a imensidão da noite a solidão sentir
se está ela em todo o espaço circundante,
se é ela, ai minha noite, tudo a jusante
mesmo quando em pleno dia
as estrelas teimam em cair...

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