2005-08-12

Velas

A neve pousa suave
mansamente sobre a paisagem,
com flocos infinitos
na frustração da miragem.
entre xistos
e granitos,
solos flácidos de nuvem.

Vê o macio do lençol
pela mão de uma criança triste
empunhando na mão, em riste,
o calor humano
da luz do sol.

O vento forma remoinhos,
espirais de fúria
em brasa pela aridez de uma ruga.

O sal acumula-se na cicatriz,
carne tumefacta brota de uma flor
e nasce um bebé,
ser de luz,
para a vida em dor.

Beatas incandescentes imperam,
sendo esmagadas por meus próprios pés,
caindo na noite como cristais,
onde só os sentidos os visionam.

Cambaleando vêm ter comigo
estremecendo o solo,
em passos hesitantes.

São visões de um passado recente
esbatidas por lágrimas
que afluem à minha nascente,
no choro da despedida,
de alguém que é mais que alguém.

E eu sou nada,
a consciência do vazio
que ocamente vem ter comigo,
quando a luz se apaga
sucumbindo a vela no pavio...

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