2005-08-12

Vazio na alma

Paro no tempo,
busco algo que não conheço
ou talvez já tenha visto,
sonhado em qualquer momento,
o véu de prazer que me ama quando adormeço.
Quero que venha até mim,
acordar numa cama alheia
numa face minha,
num olhar de água, amor e jasmim,
o toque suave do amor
no sorriso que impulsiona o sangue nesta veia.
Amo-vos,
perspectivas angulares da realidade abandonada,
o caminho não percorrido
ou mais curto,
na contenção de esforços para sobejarem as forças,
os braços longos e frios na pele macia,
morena,
clara,
de cores várias desfragmentadas de alegria,
o erotismo da troca de olhares no espelho
ou num corpo,
o torpor da juventude é a compreensão de um gesto gasto de velho.
Um banco de jardim,
ou uma paragem de autocarro...
Espero que passe algo, alguém, talvez eu,
a parte de mim mesmo que se conhece e,
com caridade ou através de um escarro,
me ice para a vida
ou aniquile, definitivamente, ao sono que sinto,
ao sorriso que minto,
ou talvez não,
talvez o fumo do cigarro cheire a rosas,
talvez a mão não durma sozinha e,
sem medo do fugir,
da projecção consciente do éter
se abandone ao prazer de me abraçar,
afagar os cabelos em movimentos descendentes
ou, então, pausadamente me aniquile
e com olhos raiados de sangue
em lágrimas caídas frementes
se digne o amor, enfim, a olhar para esta estátua
e, com ternura, me venha matar
ou acordar...

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