2005-08-19

Cinzento

Sento-me no sonho à espera que as sombras das árvores imponentes devorem a minha,
este banco de jardim foi frio na noite
quando as gotas que caem não são lágrimas
mas partes de um mar solitário.
Uma barreira ergue-se no olhar
onde formas disformes dançam depois do real
formando o horizonte imaginário do vaguear,
que vento abana os cabelos do destino,
que sussurro clama a alma à solidão
que é este vulto que me estende a mão?
Enterro histórias,
descansam em palavras proferidas por um céu
juntinhas ao abandono das memórias,
agora que não vivo porque dizem que o poema morreu?
Se eu fosse o que sou,
abandonado pela paisagem onde o sorriso voou,
talvez a brisa que ondula o verde brilhar do sorrir
sentisse que o amor que dá
faz todo o tempo que me circunda cair…

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