2005-05-23

Sonhar

As faces aproximam-se discretamente do olhar,
Como se fosse água que brota da luz
Ou timbre profundo que no silêncio me seduz,
Nas madeixas rubras do vento
Onde o verde tremor a felicidade faz alcançar.

Quando,
A expressão por mim iniciada antes,
Um pouco antes de proferir o som,
Ou grito,
O jogo de contrastes do veludo
E do marfim,
Sim,
Que o branco é pardo na noite que se segue,
São actos,
São sorrisos de quem de si esconde tudo.

Vem,
Venham a mim as ressonâncias incógnitas
Saberes de prismas gelados num corpo hirto,
Que se encarrega o tempo de vos moldar,
Acariciar,
Sobrepor à placidez do áureo
O negro que no dia se abate,
Vem, ensina-me a sonhar.

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