2005-05-28

Há lágrimas que não podemos parar

Há momentos, faces, olhares.
Há lágrimas que não podemos parar.
Aninhado, vejo os mesmos olhares que via no espelho há quinze anos. Quinze. Olhares de esperança e sonho, de perda e ganho. Olhares que vêm ainda além do olhar aconchegados pelo sorriso, ainda além do sorrir. São tantos os olhares. Olhares marejados onde nadam ambições e poucas frustrações. Olhares de timidez e que acompanham a cara num movimento de fitar o solo. Olhares de solidão e despojo de vida. Olhares dos quais sinto já falta.Nos mesmos olhares descansam lágrimas que saltaram, que irão fazer sorrir e chorar. Lágrimas que ao correrem pela face, pelo corpo, irão moldar a identidade. Antecipam já sorrisos e dores, abraços e desencontros, amizades e saudades. Nos olhos deles e delas, crianças ainda, vejo alguns dos caminhos que trilhei, as mesmas alegrias, ilusões, sonhos, perdas, namoros e desencontros e também tristezas.
Por muito que se queira abraçar o mundo, há lágrimas que descansam agora à espera da ocasião traçada anteriormente. São lágrimas que irão sarar feridas, cicatrizarão mágoas.
Estas lágrimas não as podemos parar.

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